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quarta-feira, 30 de junho de 2010

O GRITO REPRIMIDO

Aliada do Dunga, temida pela Globo




Laurindo Lalo Leal Filho, na Carta Maior: O povo não é bobo...

A combinação Dunga-internet está prestando um serviço inestimável à nossa sociedade. Permitiu que o grito reprimido na garganta durante tanto tempo ganhasse novos caminhos e, acima de tudo, encontrasse eco tornando-o cada vez mais forte. São caminhos sem volta.

A arrogância com que a Rede Globo sempre tratou a sociedade brasileira tem volta. Basta uma oportunidade e toda a humilhação suportada pelo público durante mais de 40 anos vem à tona. É o que explica a reação imediata, realizada através da internet, ao editorial veiculado pela emissora na noite de domingo contra o técnico Dunga.

Trata-se do episódio mais recente de uma série iniciada lá no final dos anos 1970 e, ao que tudo indica, não acabará tão cedo. “Cala boca Galvão” ou “Cala a boca Tadeu (o jornalista que se prestou a servir de voz do dono)” são as versões modernas e futebolísticas do famoso “O povo não é bobo, fora a Rede Globo”, ouvido pela primeira vez nas ruas de São Bernardo e no estádio da Vila Euclides, durante a greve dos metalúrgicos do ABC, em 1979.

Foi lá que a mascara global começou a cair em público e o Jornal Nacional se desencantou para uma parte dos seus telespectadores, até então crentes de que o que ali se dizia era verdade. Mas como podia ser verdade se, eles operários em greve e seus familiares participavam de atos e passeatas gigantescas ao longo dia e, à noite, ao ligarem na Globo assistiam tudo enviesado e distorcido. Deu-se ai o desencantamento, ou o fim das ilusões mediáticas, pelo menos para essa parcela da população, a uma só vez personagem e espectadora da notícia.

A resposta à manipulação foi imediata. Ao voltarem no dia seguinte para cobrir a greve, as equipes da Globo passaram a ser hostilizadas e recebidas com bordão que se tornou famoso, usado depois em outras ocasiões: o povo não é bobo...

Presenciei aqueles cenas antigas e outra um pouco mais recente: a saia-justa vivida pelo pessoal da Globo, em 2001, numa passeata na Av. Paulista. Estudantes voltavam às ruas para protestar contra a criação da Alca, iniciativa dos Estados Unidos para institucionalizar a dependência absoluta da América Latina aos seus interesses. Várias emissoras mandaram equipes de reportagem para cobrir o evento, talvez não tanto pelo conteúdo da manifestação, mas pelo fato de ser inusitado. Já haviam se passado quase dez anos das últimas manifestações estudantis de rua, ocorridas ao final do governo Collor e essa, de 2001, era uma novidade.

Constatei na avenida Paulista o constrangimento dos repórteres, operadores de câmara e auxiliares da Globo. De todas as emissoras, eram os únicos que escondiam os seus crachás, colocando-os por baixo das camisas e dos casacos. Temiam hostilidades, conscientes da existência de uma imagem fortemente negativa da empresa junto à população.

O incômodo provocado pela Globo na sociedade brasileira, sentido por alguns de forma mais concreta, por outros mais difusa, não encontra muitos caminhos para se manifestar. Através da mídia é impossível diante do controle quase monopolista da própria Globo sobre a comunicação no Brasil.

As respostas da sociedade, até o episódio Dunga, se davam de forma artesanal, em protestos de rua – como na greve do ABC – ou em faixas, cartazes, vaias e bordões vistos e ouvidos de forma cada vez mais constante nos estádios de futebol.

A internet deu uma nova dimensão aos protestos. É impressionante o número de manifestações contrárias ao poder global que circula na rede. Além do protesto em si, essas mensagens vão aos poucos constituindo comunidades, cujos integrantes descobrem, nesses contatos, que os seus sentimentos não são isolados e pessoais. Ao contrário, são coletivos e sociais, fortalecendo suas convicções.

Curiosas são as reações da empresa, talvez surpresa com o abalo de sua soberba. De forma errática ataca o técnico da seleção em editorial procurando manter a empáfia, de outro assimila o refrão “cala a boca Galvão” tentando minimizá-lo e ainda coloca funcionários para dizer que as pessoas falam dela mas assistem aos seus programas, como se audiência fosse adesão.

O público sintoniza a Globo por absoluta falta de alternativa, dentro e fora da TV. Dentro, porque o que há de concorrência ou é semelhante à Globo ou ainda pior. Fora, pela falta de opções de cultura e lazer acessíveis a maioria da população brasileira. Não há amor pela Globo. Ninguém a chama de “tia”, como os britânicos fazem com a BBC, numa demonstração de afeto resultante de uma relação aberta e honesta.

Mas é preciso ressaltar que a combinação Dunga-internet está prestando um serviço inestimável à nossa sociedade. Permitiu que o grito reprimido na garganta durante tanto tempo ganhasse novos caminhos e, acima de tudo, encontrasse eco tornando-o cada vez mais forte. São caminhos sem volta.

Acesse: www.cartamaior.com.br para ler a matéria.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

sábado, 26 de junho de 2010

O CALA A BOCA FEZ A GLOBO CRIAR O BONECO DO GALVÃO. FALTOU O DO TADEU E O DO ESCOBAR


A Fátima Bernardes e equipe da Globo. É fantástico!
A internáutica campanha “CALA A BOCA GALVÃO” mexeu com as estruturas da Globo.
E obrigou a até então privilegiada EMISSORA OFICIAL a imprimir ajustes e mudanças na sua cobertura – antes exclusiva – da Copa do Mundo.
A Globo já fora para a África do Sul com o saudosista gostinho da era pré-Dunga, quando a Fátima Bernardes era “eleita” a musa da Seleção Brasileira num processo seletivo organizado não se sabe por quem e onde ela a única “candidata”.
Naqueles tempos idos a mulher do William Bonner tinha um prestígio tão grande quanto injustificado junto a CBF.
Ao ponto de mostrar os jogadores na sua intimidade.
No avião durante os vôos.
Nos refeitórios.
E até na intimidade de seus dormitórios.
Algo que ficou memorialmente para trás.
E que só existe agora no CEDOC da Globo.
Enquadrada pelo técnico brasileiro, com altos índices de rejeição no Brasil e sem alternativa, restou à Globo apelar.
Primeiro com o editorial do Tadeu Schmidt no Fantástico após a vitória brasileira sobre a Costa do Marfim e depois com a carranca de seus demais repórteres.
Isso somente piorou a situação e deu origem a uma nova campanha no twitter, o CALA A BOCA TADEU SCHIMIDT.
A Globo se viu apeada de um poder que por direito não lhe pertencia e que, ainda assim, jamais imaginava perdê-lo.
Para piorar, a voz da ex-musa quase desapareceu sob as gélidas noites africanas.
Ela “entrava” no Jornal Nacional, com aquela expressão sorumbática e ar desmotivado acompanhada do próprio Tadeu.
Mandado calar a bocha por milhões de twitteiros a Globo teve que tirá-lo às pressas do JN deixando sozinha a Fátima que rápida e coincidentemente reencontrou a voz perdida.
Para compensar o desgaste sofrido, a emissora dos marinhos apelou para “botar” algumas pessoas como se fossem torcedores brasileiros por trás da murcha Fátima Bernardes no Jornal Nacional.
São figurantes aos quais é vedada maiores manifestação de entusiasmo.
Pois é.
O pessoal da Globo não ultrapassa os umbrais da porta de entrada que dá acesso ao hotel da nossa delegação.
A Globo não engole o fato de não mais filmar os aposentos e fazer entrevistas com os jogadores as duas horas da manhã.
A Fátima Bernardes daria um sorvete para quem dissesse a cor das poltronas daquele ônibus que transporta os jogadores brasileiros na África do Sul.
Entretanto, nada feito pela Globo na sua tentativa de reaproximação do público foi pior do que aqueles três bonecos tipo os de Olinda representando Nelson Mandela, Pelé e o Galvão Bueno.
Eles surgiram no intervalo e após o jogo desta sexta, quando o Brasil empatou com os portugueses.
Aquilo foi de um inominável mau gosto.
Dificilmente a Globo repetirá a dose.
Quem é o Galvão Bueno para merecer uma homenagem dos pernambucanos em plena Copa do Mundo?
Se o povo do Recife tivesse tanto carinho pelo Galvão o óbvio seria que o manifestasse ao longo dos quase quarenta dias de carnaval quando milhares de bonecos vão às ruas.
É muita cara de pau!
Uma vez que não dá para disfarçar o fato de que a Globo, ela mesma mandou confeccionar os bonecos, seria menos hipócrita e dissimulada se, ao invés de Mandela e Pelé, tivesse feito o do Tadeu e do Alex Escobar, este escorraçado pelo Dunga e aquele mandado se calar pelo Brasil, via twitter.
Acho que essa era a real intenção da Globo.
Pegou mal.
Muito mal.