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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FAZ TEMPO



Faz tempo que o tempo
Me deu um tempo
E nesse tempo te encontrei

Faz tempo que desencontros
Marcam nosso tempo

Sem tempo passo o tempo
Pensando no tempo
De encontrar com tempo
O tempo para vivermos
Um tempo somente nosso

Faz tempo que descobri, porém
Que não opero o tempo
Mas posso fazer de todo o tempo
Uma móvel espera
Porque o tempo é
Imóvel como a eternidade

E, ainda que nela, haverei
De ter tempo para viver
O tempo todo contigo

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TRIBUTO A LEONARDO ARAÚJO


E lá se vai um anjo
Fazendo zig-zag entre as nuvens
Num céu azul de setembro
Faz dois anos que é assim
De óculos escuros no rosto
Ele dribla os raios ultravioletas
Do sol que lhe deu cor às asas
Dourou-lhe o sorriso ledo
E lhe crispou o olhar silente
E lá se vai um anjo saltitante
Ora numa moto voadora
Ora num carro alado
Faz dois anos que é assim
Ele vai em traje esporte
Sofrendo com o Flamengo
Bailando entre as estrelas
E contando piadas pra elas
Fazendo rir os planetas

E lá se vai um anjo
Sem cerimônia
Levando a minha saudade
Faz dois anos que é assim
Sem avisar se foi de repente
Botou a alegria sob as asas
E partiu pra aquela abóboda blue
Tão longe e tão aqui dentro
O vejo com olhos da alma

E lá se vai um anjo
Livre, lépido, ditoso
Tomando coca-cola
Faz dois anos que é assim
Seus olhos são um colírio
Duas estrelas azuladas
Sinais de um anjo bom
Saudades por ti deixadas
Leonardo, meu querido Leonardo

(Leonardo Mota Araújo nos deixou no dia 06 de setembro de 2009)











terça-feira, 6 de setembro de 2011

GUARDE-ME


Eu vou estar sempre aqui
Com você ou
Onde quer que você esteja

Guarde-me
Assim como
O fruto guarda a semente
E o dia as estrelas

Guarde-me
Pois eu sorrirei quando você sorrir
E se você partir
Eu vou estar presente
Na sua ausência e na dor
Na distância inclemente
Na atemporalidade do amor

Guarde-me
Porque viajarei nas asas do vento
E nascerei de um sonho
Materializado de luz
Numa manhã azul de sol
Na criança de olhar risonho

Guarde-me
Na chuva que canalizará meus sussurros
E na metamorfose da folha onde respirarei

Guarde-me
Na brisa noturna que orvalheia os campos
No principiar de cada dia
Eis que quando a aurora se fizer passar
Lá estarei

Guarde-me
Em cada gotícula de cristalina alegria
E na alvura da paz
No silêncio das horas e no
Alvoreço do tempo
Na paixão tão fugaz

Guarde-me
Como a rocha esconde
O diamante nela incrustado

Guarde-me
No abraço apertado
No beijo dado
No olhar trocado

Guarde-me
E não duvide
Nem aposte para ver
Em qualquer dimensão
Eu vou estar no seu coração
Sem trauma e sem alarde

Guarde-me


terça-feira, 21 de junho de 2011

LIÇÕES


Aprendi que os que partem de nossas vidas levam pouco ou quase nada de nós...
Aprendi que eles simplesmente deixam em nós profundas - e fecundas - lembranças...

De um olhar insinuante,
De um abraço apertado,
De um sorriso trocado,
De uma piada contada.
E uma saudade cortante...

Aprendi que a dor é uma metáfora do amor quando este nos dá a dimensão da dor em razão de uma perda sentida...
Aprendi que ela (a dor) tem a faculdade de sulcar no coração da gente a lágrima que chega até (e se derrama de) nossos olhos...
E a lágrima pode ser a expressão de uma palavra que não pôde ser dita...

Do sorriso que os lábios não souberam mostrar,
Da tristeza silenciosa que fez eco na alma,
Da indignação amargamente engolida,
Da felicidade encontrada,
E da alegria perdida...

Aprendi que o tempo não tem tempo de passar quando percebe que podemos deixar para trás as lembranças deixadas por um amor que nos fez seguir adiante mesmo depois que o perdemos...
Aprendi que o amor é dos sentimentos o mais intransigente: ele não tem a menor noção do quanto pode machucar um coração.
Aprendi que a saudade não é símbolo somente da perda irreparável nem da falta de uma presença: ela tanto pode ser objeto dos sentidos sentida pela distância, quanto pela vã tentativa de gritarmos por um nome sabendo que, ainda de perto, não seremos ouvidos...

domingo, 12 de junho de 2011

UM ANJO CHAMADO DANIEL

Com suas asas de cristal ele baila num céu de luz

DANIEL PIRES, UM ANJO

Eu jamais te vi...
Mas sempre te amei
Eu nunca te escutei a voz
Mas minha alma ouvia a melodiosa canção que a tua alma cantou...
Tu compunhas versos de amor à vida através do teu doce e terno olhar - que não morreu...
Teus amigos, em outras dimensões, te auxiliavam na dura tarefa de transmitir afeto pelo teu angélico sorriso...

Falar de ti e de ti ouvir falar me faz ser diferente e melhor...
Eu imagino...
Mas não entendo a razão...
De onde vem – e por que vem – a emoção que teima em fazer brotar essa lágrima em mim?
Eu me pego a perguntar a mim mesmo o motivo de ter por ti um amor tão grande assim.
Procuro saber e não encontro resposta que me satisfaça...

Sei apenas que sinto tua falta como o pai do filho que saiu em partida.
Ocorre que não partiste!
Ocorre que não deixastes de sorrir!

Porque eu sinto!
Sim! Eu posso sentir:
Tem um anjo aqui, agora...
Um anjo de luz...
Um ser iluminado...
Ele me sorri enquanto choro...

É o Daniel Pires – que veio lá da Terra das Palmeiras...
Lá aonde canta o Sabiá...
E se fez anjo em Belém...

Não! O osteossarcorma pélvico não te levou do nosso meio...
Um anjo de Deus não abandona os humanos.

Daniel permanece entre nós...
A nos proteger...

Sempre!
Para sempre...

(Daniel Pereira Brito Pires, 11 anos, tinha câncer. Ampuntaram-lhe uma perna, mas Deus lhe deu duas asas... no dia 08 de junho ele virou Anjo... e se foi (?)).

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

LEONARDO: UM ANO DE SAUDADE... E LIBERDADE

Quero crer que a saudade não é um sentimento egoísta, nem tampouco mesquinho.
Saudade é ausência suave, é solidão contida a refletir o amor que devotamos a alguém.
Saudade é um substantivo abstrato, mas a que sentimos de ti é concreta.
Saudade é a lapidar tradução da falta que faz a tua presença.

Da lembrança que vivamente trazemos do teu sorriso cativante.

Saudade é recordação dos momentos que partilhamos juntos, como as festas de fim de ano.

Inesquecíveis.
Memoráveis.

Saudade é o que sentimos da pessoa, do amigo, do filho, do irmão e do tio que um dia, mesmo sabendo ser impossível, ousamos querer reviver e rever.

Alguém definiu a saudade como a “dor de quem encontrou e nunca mais encontrará, de quem sentiu e nunca mais voltará a sentir”.
Todavia, tão concreta quanto a certeza de que haveremos de nos encontrar é a saudade que, de certa forma, jamais deixou de nos unir.

Na sua insondável sabedoria Deus designou esta data para o que se tornou o teu encontro com Ele.
Os teus planos, como os nossos, não eram os planos d’Ele.

Tu! que tanto ansiavas por ser livre.
Tu! que buscavas a “independência” material.
Algo que, erroneamente imaginamos, o dinheiro propicie.
Tu! que, como o colibri procurava em cada flor o néctar da felicidade.
Tu só vivias para ser livre e feliz.
Então, quando em nosso País comemora sua emancipação política, Deus acolhe na Pátria Celeste um majestoso anjo de luz.
Independente, livre e feliz: o teu espírito.
E nós contemplamos essa acolhida com a resignação dos que confiam nos desígnios divinos.
Com a certeza de que da tua dimensão estás em paz.

Dizem que a saudade se combina com outros sentimentos e procria-se.
E que a soma da saudade com a solidão é igual a Dor.
Se somarmos o resultado da saudade com a Esperança teremos a Motivação.

Talvez todo esse embaralhado de palavras faça algum sentido e acabemos por concluir que a esperança no reencontro é o combustível que nos sustenta.
Que mantém acesa a chama da nossa fé.
Um ano sem a tua presença parece um dia.
Por isso estás tão vivo em nossos corações.

Saudades imorredouras dos seus amigos e familiares.
Estamos bem.
Esteja em paz, Leonardo!

domingo, 8 de agosto de 2010

HAVIA UM HOMEM (DEUS DÁ UM JEITO)

Pai é tudo
Havia um homem que para mim era o maior e mais importante entre todos os homens.
Um homem cuja fé que devotava removia todas as minhas montanhas.
Não havia obstáculos na vida que aquele grande homem não me ensinasse a superá-los.
Ele carregou até enquanto pode o meu fardo.
E caminho ao meu lado até o fim na viagem que fizemos juntos.
Na sua e na nossa passagem por um mundo que já não lhe pertence.
Com ele eu transpus barreiras e escalei as íngremes ladeiras da vida. E subi degrau após degrau até ver o Sol se abrindo no meu horizonte.
Havia um homem que me ensinou a viver.
Havia um homem que me mostrou a vida.
Um homem que me deu a vida.
Um homem que viveu em mim e por mim.
Lúcido e forte e invencível.
Objetivo e capaz e imbatível.
Como um herói.
Um verdadeiro herói.
Havia um homem que refletia luz no olhar e nele e por ele eu podia enxergar o caminho.
Havia um homem cuja voz me dizia lições.
Um homem que me ensinou a não perder a esperança.
A acreditar sempre na Vida e em Deus - seu autor.
Nem mesmo nas horas extremas aquele homem perdia a calma dos que tem fé.
E quando eu imaginava que não havia uma saída.
E que a curva da estrada se fechara em seu final.
Ele me fazia avistar um mundo verdejante entrecortado de caminhos que levavam ao futuro.
Havia um homem que me dizia coisas simples e nem por isso menos bonitas e verdadeiras.
Havia um homem que passou a vida me ensinando que “Deus não dorme”.
- Para me dizer que Ele vê, dia e noite, as minhas dificuldades.
Um homem que afirmava que “Deus dá o frio conforme a roupa”.
- Para que eu soubesse que Ele sabe das minhas limitações humanas físicas e espirituais.
Havia um homem que me ensinou isso tudo e que me deu mais do que eu merecia. Formou-me, me informou e me fez gente.
Até que um dia ele se foi.
Foi para perto do seu Pai... lá aonde oscila o brilho das estrelas e as nuvens passeiam tangidas pelas correntes de vento.
Lá aonde a paz se faz silêncio sob o soar dos hinos em vozes angelicais.
Até hoje – e, sobretudo no dia de hoje – eu sinto a sua falta.
Vejo o seu olhar e escuto a sua voz.
Porém, me conforta saber que ele estará comigo, sempre.
Por isso haverei de dizer convictamente que receberá sorrindo esta homenagem.
E é nesse misto de alegria e de saudade que lhe digo:
O motivo de eu sobrevir a sua ausência e superar a lancinante dor da separação... é porque, como você me falou tantas e tantas vezes, “DEUS DÁ UM JEITO.”
É do meu jeito, e graças ao jeito que Deus foi me dando que eu vou vivendo aqui sem você.
Porque é inarredável a certeza de que haveremos de nos encontrar novamente – e, para isto, Deus dará um jeito.
Feliz Dia dos Pais!
Te amarei para sempre!



sábado, 6 de março de 2010

SE A ESPERANÇA MORRE POR ÚLTIMO VAI DURAR PARA SEMPRE ESTA SAUDADE

Bicho! Já fazem seis meses da tua viagem.
Tu gostavas mesmo de viajar, não era?
Era a tua vida.
Viajavas para ganhá-la.
Dignamente.
Mas tu voltavas, sempre.
Todas as vezes.
De todas as tuas viagens.
Só que naquela de seis de setembro...
Pô, meu!!!
A gente não esperava...
Mas ficamos te esperando...
E continuamos como a te esperar.
Ainda...
Cara! Parece até que nada disso é verdade.
Tu continuas por aqui... como agora...
Nesse instante.
Eu vejo.
Eu sinto.
O teu olhar.
A tua presença.
A saudade doi pra caramba, sabe!?
O meu coração a reconhece pelo nome de melancolia.
Esse sentimento tem ligação com a tua lembrança.
Por mais que eu tente, a tristeza insiste em me roer por dentro.
Não é por vontade própria, quem sabe me falte uma das virtudes teologais? É possível.
A fé, suponho, está a me fazer falta.
Como me faz a tua imagem, a tua serenidade, a tua amizade.
Há seis meses a gente convive com a tristeza.
As alegrias são incompletas pois falta a tua que contagiava a tudo e a todos.
Passaram-se o Natal e o Ano Novo.
E não se falou em karaokê. Esse negócio de cantar lendo num monitor tinha a tua cara.
Veio o teu aniversário (30 de janeiro), teve bolo e orações para ti.
Tu sabes.
As vitórias – quatro – da Ila... claro que tu acompanhas-te... faltava mesmo só o teu sorriso, pois, eis que a brasa acesa e a tua “coca” gelada estavam lá...
Moleque! Escuta só:
Eu não posso mais continuar fazendo de conta que vais voltar daquela tua viagem.
Ainda que isso só faça aquecer essa saudade que me queima a alma.
Por isso, vou levar a vida e esta vai me levar...
Nos levando...
Só quero que saibas que no Brasil o Dia da Saudade é 30 de Janeiro.
Porém, no território do meu coração todo dia é dia de sentir saudades de ti, Leonardo.