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quinta-feira, 13 de maio de 2010

O TEOR PROGRAMÁTICO DO SERRA É UM TERROR

Se deixar, ele ferra o Brasil
Serra: vários pregos, sempre a mesma ferradura

Fica evidente que o teor programático das intervenções do candidato tucano é não ter teor algum. Serra não pode expor o “verdadeiro” programa que se trama no seu bastidor.

Flávio Aguiar, na Carta Maior

O incômodo de Serra com a entrevista de dois de seus agentes econômicos revelando como a coligação tuco-dema vai ferrar o Brasil, impondo-lhe uma recessão como a que o FMI e UE agora fazem cair sobre a Grécia é muito expressivo.
Mas não só do passa-moleque que se está preparando para o eleitor. É claro que a função do candidato, nessa altura, fica sendo mais a de espalhar uma cortina de cinzas sobre o verdadeiro Cavalo de Tróia que querem por de volta na economia brasileira, além do freio nos dentes do povão brasileiro – essa eterna “fonte de inflação” para os economistas desse grupo.

Também fica evidente que o teor programático das intervenções do candidato é não ter teor algum. Serra não pode expor o “verdadeiro” programa que se trama no seu bastidor, ou até nas suas costas. Então suas frases e intervenções ficam assim como desossadas, sem esqueleto que as sustente, como uma geléia exposta ao sol e sem prato que a sustente pelas laterais.

O candidato vai a Minas e desqualifica o Mercosul. Diante da grita dos nossos vizinhos, mais a que certamente ouviu de alguns empresários de seu apoio, apressa-se a correr para a Folha de S. Paulo para dizer que pretende “flexibilizar” o Mercosul para permitir mais acordos bilaterais. Quer dizer: diz e não diz, sofisma, tergiversa, quer convencer os ouvintes/leitores que vinho, vinagre, e ainda água e azeite são a mesma coisa.

Depois vai a um “programa policial” e anuncia que vai criar um Ministério da Segurança. A declaração – estapafúrdia em si – provoca mal-estar em suas hostes, pois vêm nisso um estado a inchar. Ele vai logo corrigindo, dizendo que em contrapartida vai fechar a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Bom, há algum sentido nisso, porque para a visão tuco-dema o Brasil não precisa de uma SAE. Já temos o Departamento de Estado em Washington, o FMI, o Banco Mundial e os Chicago Boys para nos orientar, para que mais? Além disso, o que a coligação tuco-dema talvez queira fechar mesmo são as bocas dos ministros Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães.
Mas a única comparação numérica que se pode fazer entre as duas entidades citadas, uma projetada e a outra existente, é a da quantidade de letras que compõem os seus nomes. Agora já não se trata de introduzir um Cavalo de Tróia, mas um Elefante Branco. É algo como dizer: “eu vou construir um novo edifício de dez pisos na Esplanada dos Ministérios, com trinta escritórios por andar, mais o bar, o restaurante, o cafezinho, a segurança, e ainda o anexo que sem dúvida virá depois, criando uma certa confusão redundante com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Secretaria de Assuntos Penitenciários, talvez o Ministério da Defesa também. Em contrapartida, vou fechar esses três andares no Bloco O da mesma Esplanada, onde funciona a SAE, e redirecionar seus funcionários não sei bem para onde ainda, mas isso se arranjará”.

Quer dizer, sem plano consistente ou inconsistente que seja, a que se referir como horizonte ou moldura, a fala do candidato fica ao sabor da sua circunstância. Está certo que Ortega y Gasset nos disse que “o homem é o homem e suas circunstâncias”. Mas nos disse também que “o que não é destino é frivolidade”. Sem destino manifesto, a fala do candidato fica dispersa em sua circunstância, como a biruta dos aeroportos, ao sabor dos ventos. E quem nasceu para biruta de aeroporto jamais chegará a galo de campanário.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A BELEZA DA VIDA ESTÁ NO FATO DE A VIDA SER UMA GANGORRA

Não sou dos que tem por hábito falar direta e abertamente da minha vida particular, muito menos costumo abordar assuntos que exponham a intimidade familiar.
Todavia, vocês sabem que, assim como não existiria a sequência dos dias se as noites não fossem escuras, também as regras não seriam regras se não houvessem as excessões.
Vem daí a argumentação de que o que agora faço já o fizera em tempos idos – na verdade, não tão idos assim – ocasião na qual expus o meu sofrimento mais venal, e vocês, generosamente me suportaram, uns até me compreenderam, outros manifestaram amor e solidariedade pelo quê sou eternamente grato.
Eu vivi – e os que me acompanham aqui devem estar lembrados – a experiência de um dia que, repentinamente mergulhou numa noite cujo fim parecia não chegar nunca mais.
Na gangorra da vida em desci à superfície íngrime e escura, lá aonde se encontra a dor voraz e assaz.
Num giro de 360º eu saí da luz para o crepúsculo sob um céu inundado pela absoluta ausência de luz.
A minha gangora não era um brinquedo de um parque infantil, mas ela desceu e me conduziu ao pântano onde a vida não se encontra e a tristeza mostra vivamente a sua alegria de nos fazer os seres mais tristes daquele mundo inabitável.

A maior característica de uma gangorra reside no fato de que ela gira e, ao girar, sobe e desce de modo que aquele que está em baixo num determinado ponto, não tardará a subir.
Quem desce perde a visão da linha do horizonte e pode deixar de vez o sol por atrás de uma baixa colina.
Quem sobe tem a propababilidade de vislumbrar o mar azul, o sol dourado que adentra as retinas e contemplar o céu infinito oculto pela montanha por mais elevada que ela possa ser.

Pois é, amigos.
Eu desci... mas a minha gagorra contiunou a girar... e girando também subiu!
E eu contemplei o semblante dos vitoriosos.
Vivi na pele a alegria arrebatadora e portentosa dos exitosos.
E mais do que nunca percebi que perder uma batalha faz parte, mas vencer a guerra – sobretudo quando esta é do bem e não existia um mal que fosse necessário vencê-lo – é de um prazer indescritível.

O dia era 14.01.2010.
A Ila Iandara, minha doce e querida filha passava no vestibular da Uepa (Universidade do Estado do Pará).
A Ila é Tri (venceu a guerra do CESUPA, da UNAMA e agora, da UEPA.
É caloura no curso para Terapia Ocupacional.

Um investimento humano que se sobrepõe a anos-luz ao financeiro e que valeu muito a pena.
Uma luta sem guerra e uma vitória com as digitais da eficiência, da inteligência dela e do empreendedorismo dos seus pais, no caso, o nosso caso (olha que modéstia, né?!)

Eu e a Francy, minha mulher, estamos... digamos, simplesmente f-e-l-i-z-e-s e orgulhosos da Ila, pela Ila.
Se preciso fosse, faríamos tudo novamente.
Mas agora é só mais uma etapa vencida.

Que venham outras mais para que sejam igualmente superadas.
Não há dúvida de que a Ila vencerá todas as etapas e que nós estaremso todos os dias ao seu lado, ajundando-a a superar qualquer barreira.
Afinal, a gangorra que desceu um dia, agora subiu e me mostrou a face maravilhosa da vitória.

É bom viver. É bom demais vencer.
Parabéns, Ila! Você é a grande vencedora!
Nós apenas torcemos e acreditamos em você!

Nós te amamos.