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terça-feira, 6 de julho de 2010

EM PROCESSO DE LIQUEFAÇÃO

Ninguém mais acredita no que vê e ouve dela
A velha mídia está derretendo
Pesquisa aponta que quase 60% das pessoas acham que as notícias veiculadas pela imprensa brasileira são tendenciosas. Oito em cada dez brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula. Quanto maior o nível de renda e de escolaridade do brasileiro, maior o senso crítico em relação ao que a mídia veicula.

Por Antonio Lassance, na Carta Maior

Como um iceberg a navegar em águas quentes e turbulentas, a velha mídia está derretendo. O mundo está mudando, o Brasil é outro e os brasileiros desenvolvem, aceleradamente, novos hábitos de informação.
Um retrato desse processo pode ser visto na recente pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom-P.R.), destinada a descobrir o que o brasileiro lê, ouve, vê e como analisa os fatos e forma sua opinião.

A pesquisa revelou as dimensões que o iceberg ainda preserva. A televisão e o rádio permanecem como os meios de comunicação mais comuns aos brasileiros. A TV é assistida por 96,6% da população brasileira, e o rádio, por expressivos 80,3%. Os jornais e revistas ficam bem atrás. Cerca de 46% costumam ler jornais, e menos de 35%, revistas. Perto de apenas 11,5% são leitores diários dos jornais tradicionais.

Quanto à internet, os resultados, da forma como estão apresentados, preferiram escolher o lado cheio do copo. Avalia-se que a internet no Brasil segue a tendência de crescimento mundial e já é utilizada por 46,1% da população brasileira. No entanto, é preciso uma avaliação sobre o lado vazio do copo, ou seja, a constatação de que os 53,9% de pessoas que não têm qualquer acesso à internet ainda revelam um quadro de exclusão digital que precisa ser superado. Ponto para o Programa Nacional da Banda Larga, que representa a chance de uma mudança estrutural e definitiva na forma como os brasileiros se informam e comunicam-se.
A internet tem devorado a TV e o rádio com grande apetite. Os conectados já gastam, em média, mais tempo navegando do que em frente à TV ou ao rádio. Esse avanço relaciona-se não apenas a um novo hábito, mas ao crescimento da renda nacional e à incorporação de contingentes populacionais pobres à classe média, que passaram a ter condições de adquirir um computador conectado.

O processo em curso não levará ao desaparecimento da TV, do rádio e da mídia impressa. O que está havendo é que as velhas mídias estão sendo canibalizadas pela internet, que tornou-se a mídia das mídias, uma plataforma capaz de integrar os mais diversos meios e oferecer ao público alternativas flexíveis e novas opções de entretenimento, comunicação pessoal e “autocomunicação de massa”, como diz o espanhol Manuel Castells.

Ainda usando a analogia do iceberg, a internet tem o poder de diluir, para engolir, a velha mídia.

A pesquisa da Secom-P.R. dá uma boa pista sobre o grande sucesso das plataformas eletrônicas das redes sociais. A formação de opinião entre os brasileiros se dá, em grande medida, na interlocução com amigos (70,9%), família (57,7%), colegas de trabalho (27,3%) e de escola (6,9%), o namorado ou namorada (2,5%), a igreja (1,9%), os movimentos sociais (1,8%) e os sindicatos (0,8%). Alerta para movimentos sociais, sindicatos e igrejas: seu “sex appeal” anda mais baixo que o das(os) namoradas(os).
Estes números confirmam estudos de longa data que afirmam que as redes sociais influem mais na formação da opinião do que os meios de comunicação. Por isso, uma informação muitas vezes bombardeada pela mídia demora a cair nas graças ou desgraças da opinião pública: ela depende do filtro excercido pela rede de relações sociais que envolve a vida de qualquer pessoa. Explica também por que algo que a imprensa bombardeia como negativo pode ser visto pela maioria como positivo. A alta popularidade do Governo Lula, diante do longo e pesado cerco midiático, talvez seja o exemplo mais retumbante.

Em suma, o povo não engole tudo o que se despeja sobre ele: mastiga, deglute, digere e muitas vezes cospe conteúdos que não se encaixam em seus valores, sua percepção da realidade e diante de informações que ele consegue por meios próprios e muito mais confiáveis.
É aqui que mora o perigo para a velha mídia. Sua credibilidade está descendo ladeira abaixo. Segundo a citada pesquisa, quase 60% das pessoas acham que as notícias veiculadas pela imprensa são tendenciosas.

Um dado ainda mais grave: 8 em cada 10 brasileiros acreditam muito pouco ou não acreditam no que a imprensa veicula. Quanto maior o nível de renda e de escolaridade do brasileiro (que é o rumo da atual trajetória do país), maior o senso crítico em relação ao que a mídia veicula - ou “inocula”.
A velha mídia está se tornando cada vez mais salgada para o povo. Em dois sentidos: ela pode estar exagerando em conteúdos cada vez mais difíceis de engolir, e as pessoas estão cada vez menos dispostas a comprar conteúdos que podem conseguir de graça, de forma mais simples, e por canais diretos, mais interativos, confiáveis, simpáticos e prazerosos. Num momento em que tudo o que parece sólido se desmancha... na água, quem quiser sobreviver vai ter que trocar as lições de moral pelas explicações didáticas; vai ter que demitir os pit bulls e contratar mais explicadores, humoristas e chargistas. Terá que abandonar o cargo, em que se autoempossou, de superego da República.

Do contrário, obstinados na defesa de seus próprios interesses e na descarga ideológica coletiva de suas raivas particulares, alguns dos mais tradicionais veículos de comunicação serão vítimas de seu próprio veneno. Ao exagerarem no sal, apenas contribuirão para acelerar o processo de derretimento do impávido colosso iceberg que já não está em terra firme.
Leia a íntegra da matéria clicando aqui.

Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O PARÁ POR INTEIRO

VERMELHO: Deputados apostam que a população não aprova divisão do Pará

A aprovação de urgência para votação da matéria que convoca o plebiscito sobre a criação dos estados de Tapajós e Carajás, na noite desta quarta-feira (14), na Câmara, não significa que a maioria dos deputados seja favorável a divisão do Estado do Pará em três. Eles apostam que no plebiscito a proposta será derrotada pela população.

O deputado Zé Geraldo (PT-PA) explicou que o PT votou a urgência “porque esta Casa não pode proibir o povo de se manifestar. É tarefa desta Casa fazer essa autorização, para que o povo tenha a livre manifestação, nós, no Estado, vamos nos preparar para realmente decidir se queremos dividir o Pará em três partes ou mantê-lo unido”, destacando que é contrário à proposta de divisão.

O secretário de Comunicação do PCdoB no Pará, Moisés Alves, diz que o PCdoB é contrário a divisão. Para ele, o Sul do Pará, que é pouco povoado, está sendo ocupado por empresários de fora para exploração da riqueza da região, composta de minerais, madeira e recursos naturais. “São muitos políticos e empresários de fora. A identidade deles não é paraense”, alerta o líder comunista.

O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que defende a proposta, admite que a divisão do estado “é um sonho dos milhares de brasileiros que migraram para a região sul e sudeste do Pará. Lá somos 1 milhão e 400 mil habitantes — capixabas, pernambucanos, mineiros como ele, homens de todo o Brasil, que foram em busca de espaço para melhor construírem a vida.”

Para Moisés Alves, o problema de atraso daquelas regiões não se resolveram com a divisão do Estado. A discussão deve ser em torno de maior atenção do governo naquelas localidades, distribuir a economia para garantir o desenvolvimento do Estado como um todo.

A solução seria aproveitar as riquezas daquelas áreas, agregando valor aos produtos, verticalizando a produção, gerando emprego e renda para o conjunto da população, sugere ele.

Sem medo do plebiscito

Apesar de dizer que é contra a divisão do Estado, ele não demonstra preocupação com a realização do plebiscito – que ainda será votado na Câmara. O que foi aprovado ontem foi apenas o requerimento de urgência para que se vote a consulta popular.

Ele explica que a população, a exemplo da maioria das lideranças do Estado, é contra a divisão e o resultado do plebiscito será favorável a união do Pará, anunciando que fará campanha contra a divisão. Moisés Alves disse ainda que para garantir a vitória, o Pará conta ainda com o fato de as duas regiões que seriam desmembradas serem menos povoadas, portanto terem menos votos.

A manutenção da integridade do Pará em sua área de 1 milhão e 250 mil quilômetros quadrados foi defendida também por líderes da direita. O deputado tucano Zenaldo Coutinho (PA) considerou precipitado a realização do plebiscito, apelando para que antes fosse realizado estudo científico dos impactos econômicos, financeiros, tributários e ambientais da possibilidade ou não da divisão do Estado.

“Um estudo, um diagnóstico feito pelo IPEA mostra que grande parte daquela região não terá condições de suportar o custeio da máquina. Pergunto: quem vai bancar em média de um bilhão e meio para implantação do Estado de Tapajós, um bilhão e meio para a implantação do Estado de Carajás, reduzindo o Estado do Pará em 20% do seu território, deixando 5 milhões de habitantes na Região Norte?

“Só será bom se o for para todos; não há de ser bom se o for para um pedaço do Estado”, alerta o parlamentar tucano.

O líder do PSOL, Ivan Valente (SP) também defendeu estudos preliminares. Ele considera “incorreto fazer votação de urgência de um projeto desta magnitude, sem passar pelas Comissões de Mérito, sem fazer um grande debate de impacto, como foi sugerido, porque, só no Amazonas, há vários pedidos de criação de Estados.”

Prejuízos para o estado

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com a divisão, o Pará perderia cerca de 70% de sua área produtiva, a Hidrelétrica de Tucuruí, três quartos da província mineral e cerca de 11 milhões dos 16 milhões de cabeças de bovino.

O Estado do Pará, como integrante da região amazônica, possui problemas semelhantes ao dos demais estados que, apesar de possuírem muitas riquezas, ainda existe muita pobreza. Os estados da região precisam de muitos recursos para serem investidos em obras estruturantes. A criação de novos estados representaria investimentos na construção de estrutura da burocracia estatal, como a construção de palácios de Governo, de assembléias legislativas etc, lembraram os parlamentares contrários a proposta.

O Ipea diz ainda que serão cerca de 1,5 bilhão de reais para a implantação do Estado e muitos outros bilhões para manutenção da estrutura burocrática, destaca o deputado Zenaldo Coutinho, acrescentando que, em vez disso, “poderíamos melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH daquela gente, que clama e reclama por obras estruturantes, como as que precisamos no sul e no nordeste do Estado, no Baixo Tocantins, no Baixo Amazonas e na Transamazônica.”

Da sucursal de Brasília
Márcia Xavier

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

FIM DA POBREZA SERIA O FIM PARA MUITOS. DO PIG, INCLUSIVE

Sempre que uma entidade menciona, a partir de levantamentos estatísticos, a possibilidade de redução ou a erradicaçao da pobreza percebe-se um mal estar no PIG.
Um misto de incredulidade e torcida para que nada venha se concretizar fica pairando bem na cara de seus membros.
A Mirian Leitão e o Willian Wack, pelo menos, não conseguem, se quer,disfarçar a sua contrariedade.

Hoje o G1 publicou o resultado de um estudo realizado pelo Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que certamente deixará o Wack mal humorado e aporrinhado no JG da noite.
Ele levará à bancada seu ajudante-mó, o Sardenbergue – aquele das estatísticas cujos índices só apontam para baixo, sobretudo quando se referem ao desempenho das ações do Governo na Economia.
O Sardenbergue é outro desastre na arte de fazer previsões. É possível que ele tenha pego algumas “aulas” da Mirian. Não acerta uma.
Porque enquanto seus gráficos se projetam verticalmente para baixo, os índices da política de desenvolvimento social e econômico do Governo Lula só fazem subir.

O aumento do número de emprego com carteira assinada, a venda de veículos e bens duráveis como geladeira, fogão e Tv, o poder de compra, a melhoria da qualidade do serviço de saúde e da educação, a redução do analfabetismo, a melhoria da distribuição e a queda nos níveis de desigualdade de renda bem como a redução dos índices de pobreza são fatores que Sardenbergue nenhum pode contestar.
Não há como indicá-los com as suas “pesadas” setas...

O Ipea aponta que, a continuar no ritimo em que está a economia brasileira, a “pobreza extrema” poderá acabar em 2016.
O presidente Lula vem dizendo algo nesse sentido há algum tempo.
Lula sabe o que diz e por que diz.

O Brasil praticamente se igualará aos índices de igualdade de renda dos países desenvolvidos.

Nos quase oito anos do Governo Lula a desigualdade caiu 9,2% e se continuar nessa proporção de queda durante os próximos cinco anos o País terá reduzido a zero a pobreza e a desigualdade de renda.
Nos dois governos tucanos o índice de redução dos extremamente pobres foi de apenas 0,8% ao ano.
No governo Lula esse índice (de redução na taxa nacional de pobreza extrema) é da ordem de 2,1% ao ano.
Fernando Henrique – ainda que o G1 tente mascarar os dados – reduziu a mísera escala de 0,9% ao ano o índice de pobreza absoluta no País, enquanto no Governo do PT essa redução anual é de 3,1%.

O Ipea aponta também que a redução na desigualdade de renda nos oito anos da tucanada não ultrapassou a casa de 1% por ano, ao passo que Lula a reduziu aos 4,5% a cada doze mezes.

“Se projetados os melhores desempenhos brasileiros alcançados recentemente em termos de diminuição da pobreza e da desigualdade para o ano de 2016, o resultado seria um quadro social muito positivo.
O Brasil pode praticamente superar o problema de pobreza extrema, assim como alcançar uma taxa nacional de pobreza absoluta de apenas 4%, o que significa quase sua erradicação", diz trecho do estudo.
Para o Ipea pobreza extrema é caracterizado pela população com renda per capita de até um quarto de salário mínimo, enquanto pobreza absoluta se refere a quem recebe até meio salário mínimo per capita ao mês.

Do jeito que vai e a julgar pelas alternativas do PIG e do PSDB/DEM as quais são inexistente, uma vez que não tem discurso nem candidato para presidente e, se considerarmos que a vitória de Dilma Rousseff caracteriza a continuação da administração Lula o Brasil chegará ao ano das Olimpíadas em uma situação de dar inveja – ao PIG.

A final, o que será do PIG se continuarmos nessa escalada crescente?
Com um país desenvolvido e um povo que saiba escolher melhor seus representantes, mais consciente e bem informado quem assistirá aos vexames do PIG e quem os patrocinará?

A derrocada da imprensa de quinta que habita nos esgotos e lamaçais da desinformação passa, inapelavelmente pelo fim da pobreza, seja esta extrema ou absoluta.

Daí a resistência aos números.