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terça-feira, 1 de maio de 2012

TÓPICOS DE HISTÓRIA NO 1º DE MAIO


Via de regra, as grandes datas, como o 1º de Maio, eclodem a partir do luto e da luta subscrita com sangue e suor das classes organizadas.

A redução da jornada de trabalho, o fim da violência ou do preconceito; a busca pelo respeito e o direito à justiça e isonomias foram e serão, sempre, o aporte, o caule e a seiva dessas manifestações que visam conduzir à conquistas de quem produz a riqueza da sociedade ou de quem dela é excluído.

A História foi generosa com o 1º de Maio.

Dos fatos que o marcaram merecem destaque a greve geral ocorrida nas ruas de Chicago, nos EUA, em 1886.
Os eventos que se seguiram motivaram a criação do Dia do Trabalhador ao redor do Mundo.

Principiava-se as batalhas reinvidicatórias por melhores condições de trabalho e maior salário sob o patrocínio das combatidas centrais trabalhadoras.

No Brasil o 1º de Maio começa a ser escrrito pelas mãos do Trabalhista-Mor, Getúlio Vargas.
Em 1940, ele institui o salário mínimo.

Passado um ano após, Getúlio cria a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.
O mestre de Leonel Brizola sanciona o Decreto-lei nº 5452 unificando as leis do trabalho existentes no Brasil.
Está crianda e estatuída a Consolidação das Leis do Trabalho no País de Lula e Dilma.
E, mais do que nunca, agora, do Brizola Neto!

A humanidade já estava à bordo deste primeiro século do Terceiro Milênio quando o presidente boliviano, Evo Morales, decreta a nacionalização dos hidrocarbonetos (gás natural) e petróleo, tropas do exército boliviano ocupam uma das instalações da Petrobrás.
Para o delírio da mídia tupiniquin – camuflada de azul e amarelo. Prendominando o amarelo...
Claro! O dia era 1º de Maio. O ano, 2006.
E o governo Lula não caiu.

De volta à Europa, no dia 1º de Maio de 1934, foi abolida a escravatura nas colônias inglesas
Muito antes (1707), entrava em vigor o Tratado de União que unia o Reino da Inglaterra ao da Escócia para formar o Reino da Grã-Bretanha.

Corria o ano de 1865 quando os império do Brasil, Argentina e Uruguai se uniram para assinar o que se chamou Tratado da Tríplice Aliança.

A história obsequiou o Brasil com um 1º de Maio singular. E fez nascer, em 1829, José de Alencar.
Não o empresário boa gente e vice duas vezes do Lula.
Mas um dos mairores escritores - e também político – brasileiro.

O 1º de Maio ficou marcado também por fatos de ordem religiosa e eclasiástica.
A elevação das dioceses de Mariana/MG e Belém/PA à categoria de arquidioceses, feitas pelo Papa São Pio X, atratavés da bula Sempiternam humani generis é um desses.

Em 1906.

Contrariando todas as bulas e catecismos da Igreja, a Suécia legaliza, em 2009, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Passados dois anos, em 1º de Maio de 2011, é feita a Beatificação de João Paulo II, em celebração dirigida pelo Papa Bento XVI, no Vaticano.

Em 1º de Maio de 1961, o então primeiro-ministro de Cuba, Fidel Castro, proclama o país como nação socialista e vira o inimigo implacável dos Estados Unidos Americanistas – a epiderme do mundo.

Ayrton Senna sofre acidente grave no Grande Prêmio de San Marino, na Itália.
Morre no mesmo dia. 1º de Maio.
E nem o Massa nem o Barrichello o viram correr...
Ao menos isso é deduzível...

Em 1º de Maio, os Estados Unidos pensavam ter reinventado a roda.
Só que mais (ainda mais) redonda!
E redescoberto a penicilina.
A cura da Aids era irrelevante.
A crise financeira que rebocou alguns milhares de norteamericanos às classes C, D e E estava suprimida.

O mundo são e salvo.

Os deuses se curvavam ao pavilhão imperialista listrado.
Nos parvosos editoriais piguistas. Sobre tudo os daqui.

Barack Obama, anuncia, em um pronunciamento, a morte do terrorista saudita Osama Bin Laden, da Al-Qaeda.
Nada disso, além do assassinato de Osama por Obama aconteceu, à exceção do aumento do ódio, da contumaz arrogância, da sede inominavelmente sangrenta americana.









quinta-feira, 3 de março de 2011

CLASSE C VAI PARA B. LOGO, LOGO

O PIG só fala nos 200 mil



Em palesta na LG, Lula diz: pelo que conheço da companheira Dilma, … a classe C logo vai para a classe B

Do site Os Amigos do Presidente Lula

Na palestra para a LG, Lula foi apresentado por um executivo da empresa afirmando que o bom momento da empresa devia-se ao resultado da política econômica conduzida por Lula em oito anos.
A palestra teve 15 minutos iniciais aberto à imprensa, quando Lula leu alguns números da empresa. Uma das exigências de Lula foi que os jornalistas não ficassem até o final sob o argumento de que só voltará aos holofotes depois do carnaval. Após a saída dos jornalistas, o presidente incluiu improvisos em sua palestra.

Ele recebeu um valor estimado de R$ 200 mil pela palesta (ninguém divulgou o valor exato).

Segue alguns trechos da fala de Lula:

Apoio e confiança em Dilma

“Esse é o país que nós queremos continuar construindo… Confio plenamente na integridade, no compromisso, na ideologia da companheira Dilma… E tenho certeza, pelo que conheço da companheira Dilma, esse país vai permitir que a classe C logo vá para a classe B.” – disse Lula.

Marolinha

“As pessoas diziam nos jornais: ‘Quero ver se o Lula agora vai conseguir governar com a crise’. O mundo até então estava crescendo, eles diziam que era sorte. Quando [então] veio a crise, eu disse que era uma marolinha. Por conta da marolinha, eu fui achincalhado, diziam que eu estava menosprezando a crise”, afirmou Lula.

Lula disse ainda que foi um ato de “coragem” ter feito em rede pública de televisão o que chamou de “apologia do consumo”. “Eu fiz uma coisa que poucos políticos tiveram coragem de fazer. Quando começou essa história de que o povo estava com medo de comprar, eu chamei o Franklin (Martins, ex-ministro da Comunicação Social), e disse: ‘Se prepara que eu vou à TV fazer pronunciamento fazendo apologia do consumo’.”

Ele disse então que foi criticado dentro do próprio governo. “Tinha gente que não queria que eu fosse porque era arriscado. Mas eu acho que ajudou a resolver.”

Para Lula, a política de “diminuição da desigualdade e distribuição de renda foram importantes para reduzir os impactos [da crise]. (…) Não foi por força de qualquer mágica que superamos a crise.”

História de bastidores da crise provoca risos na platéia

Lula relatou um momento durante a crise que arrancou risos da plateia. “Quando vi que as montadoras estavam entrando em crise, chamei o Banco do Brasil e disse: ‘Preciso que o banco financie carro’. Me disseram: ‘Mas o BB não tem expertise’. Falei: ‘Mas quanto tempo precisa para que a gente forme essa tal expertise?’. E me responderam que em uns dois anos. Eu falei: ‘Então vamos comprar essa tal expertise. E compramos o Votorantim.”

Acesso ao consumo de eletro-eletrônicos

Lula destacou a importância do crescimento econômico do país, a criação de 15 milhões de empregos com carteira assinada, os 20 milhões de pessoas saíram da pobreza, os 36 milhões entraram para a classe média, o Luz para todos, como indutores para a indústria eletrônica.

“É mais gente trabalhando e consumindo”, disse, para defender o acesso de todos aos eletro-eletrônicos, como os da LG. “Não basta a gente ter um terço da população com acesso à tecnologia, é preciso que a gente tenha toda a população brasileira”, afirmou.

Fim da submissão colonial demo-tucana

Lula disse também como era antes de seu governo (no governo FHC): “O Brasil sempre teve problema de autoestima. Havia quem dissesse que tinha complexo de inferioridade. Nelson Rodrigues dizia que tinha complexo de vira-lata… Como diz Chico Buarque, a gente não fala grosso com a Bolívia, mas também não fala com os Estados Unidos como os outros faziam. A gente fala manso e respeitosamente com todos”, completou.

Antes de encerrar, usou o slogan muito usado durante seu governo: “sou brasileiro e não desisto nunca”. (Com informações do Ig, G1, Ag. Estado)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A VELHA E A NOVA MÍDIA: NÃO TEM COMPARAÇÃO


Não é o programa do PT, é o Casal 20... da Globo


A primeira de uma série de reportagens sobre o crescimento do emprego no Brasil e seus números espetaculares mostrada pelo JN parecia excertos do Programa do PT e da então candidata Dilma Rousseff, no ano passado.
O estaleiro Atlântico Sul, a construção dos navios e a soldadora dekassegui.
Por pouco não vi o Lula e a Dilma de capacetes no alto do magestoso e imponente "João Cândido".
Mas isso já seria querer demais.
A Globo fala de crescimento do emprego, da construção civil e o financiamento de imóveis em 2010 como se tudo fosse obra e consequencia do ocaso.
Mas não é.
O Brasil que gerou emprego e renda como nunca antes, que tirou milhões da miséria e fez ascender outros tantos às classe "B'" e "C" nos últimos oito anos é o Brasil de Lula.
O Brasil que Lula passou à Dilma.
E que Dilma o fará continuar no rumo certo.

Por Emir Sader, na Carta Maior

Lula, Dilma e a velha mídia

O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4%b de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado.

Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra.

Como se o modelo econômico e social – âmago do governo – fosse distinto. Como se a composição do governo fosse substancialmente outra, como partidos novos tivessem ingressado e outros saído do governo. Apelam para o refrão de que “o estllo é o homem” (ou a mulher), como se a crítica fundamental que faziam ao Lula fosse de estilo.

No essencial, a participação do Estado na economia está consolidada e, se diferença houver, é para estendê-la. Os ministérios econômicos e sociais são mais coerentes entre si, tendo sido trocados ministros de pastas importantes – como comunicação, saúde e desenvolvimento – para reafirmar a hegemonia do modelo de continuidade com o governo Lula.

A política externa de priorização das alianças regionais e dos processos de integração foi reiterada na primeira viagem da Dilma ao exterior, à Argentina, assim como no acento no fortalecimento dos processos latino-americanos, como a ênfase na aproximação com o novo governo colombiano e a contribuição ao novo processo de libertação de reféns comprova.

O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.

Muda o estilo, ênfases, certamente. Mas nunca o Brasil teve um governo de tanta continuidade como este, desde que se realizam eleições minimamente democráticas. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

LULA, O MENOS IGUAL DOS POLÍTICOS

Isso depois de apenas 8 anos de governo


Dou uma passada no melhor site da esquerda brasileira - o Vermelho - e me deparo com uma das melhores, mais brilhante e irretocável postagens publicadas do dia 1º do ano até aqui.
É a descrição fiel e comovente de um emocionado agradecimento da população ao seu Presidente - o retirante de Caités.
Um texto lapidar e histórico.
Como o mandato de Lula.
Lula, o cara, o que fez a diferença.
O menos igual entre os milhares de políticos iguais.
Vá logo ao antológico texto do João Peres.

"Valeu, Lula"

Poucas dores são tão dilacerantes quanto a da despedida. Poucos arrepios são tão imediatos e intensos quanto o do contato com o ídolo. O segundo sistema nervoso, aquele que a rua cria em alguns dos humanos, dá vazão rápida às emoções.

por João Peres, para a Rede Brasil Atual

A mão de Lula parece ter ligação direta com o cérebro alheio e, uma a uma, abrem-se as bocas, inundam-se de lágrimas os rostos apoiados na grade em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para a despedida do presidente. São roubados quatro ou cinco minutos da posse de Dilma Rousseff, tão históricos quanto todas as horas que as antecederam e as que vão suceder este momento.

Lula, mais uma vez, rompe protocolos e coloca em xeque o lugar comum de que não há espaço para ídolos na política brasileira. Se todos os políticos são iguais, Lula é menos igual que os outros. Faz menos de uma hora que deixou a Presidência da República e já é o ex-presidente mais querido do Brasil dos últimos 50 anos – colocá-lo acima ou abaixo de Getúlio Vargas seria temerário e o melhor é deixar que a história faça esse ranking, se é que se faz necessário.

Sua última cena no Planalto é, também, uma das grandes cenas de sua vida. Não há notícia de um presidente que tenha chegado e saído do poder nos braços do povo. Quando Lula desceu a rampa do Palácio, deveria ter entrado no carro e ido direto ao aeroporto, de onde embarcaria para o patinoso terreno da vida de ex-chefe de Estado. Mas o chamado do povo, o mesmo feito há pouco mais de três décadas, foi mais forte e seria impossível ignorar a existência de uma massa clamorosa por seu líder.

As estatísticas mostram que Lula foi o presidente mais popular, tendo deixado o poder com apenas 3% de rejeição. O que estatística alguma será capaz de dimensionar é a adoração a este homem. A cena da capital federal deste 1º de ano será mais fiel aos fatos que qualquer medição.

O leitor que não teve como visualizar poderia imaginar o seguinte: Roberto Carlos colado na grade do Maracanã abraçando os fãs na antiga Geral. Troque-se o cantor por Lula e o mítico estádio por Brasília e se terá uma visão daquilo a que parte do país assistiu nesse sábado. Não se pode saber se o rosto de Lula está molhado por suor, lágrimas ou a chuva desta tarde quente. Nos olhos, guarda mistério, entre a tristeza, a ternura e o agradecimento.

O povo

Quiseram as regras que o dia consagrado mundialmente à ressaca fosse também a celebração da vontade de um povo – o congraçamento, usando as palavras da nova presidente. Não se pode dizer que essas milhares de pessoas vieram a Brasília simplesmente pela posse: quem apoia Dilma é, via de regra, um apoiador de Lula. Tampouco seria justo afirmar que tenham vindo apenas por Lula: quem o admirou ao longo de oito anos assumiu o pacto de transferir a admiração a Dilma.

Quis a política que essa data fosse, ao mesmo tempo, a assunção da primeira mulher a comandar o país e a saída do presidente mais popular de sua história. Brasília, oito anos depois, é tomada pelo povo, repleta de bandeiras vermelhas e verde-amarelas.

Diz a regra jornalística que os personagens apresentados em uma reportagem devem ser identificados pelo nome e, se necessário, por idade e profissão. Mas, na grade do Planalto, cada pergunta era respondida coletivamente, a fala de um era a fala dos outros, todas dadas ao mesmo tempo, neste mosaico de cabeças e neste jogral de vozes ansiosas por demonstrar fraternidade. Aqueles que têm voz nesta matéria, portanto, serão apresentados sob uma denominação genérica, escolhida ao acaso, como, por exemplo, o povo.

– De onde você veio?

– Macapá. Amazonas. Mato Grosso. Viajei quarenta e duas horas de ônibus. Paraná. Bahia. São Paulo. Foram dois dias na estrada. Sou daqui de Brasília. Fortaleza. Maranhão.

– E o que Lula representa para você?

– Lula, a gente não vai esquecer nunca. É o cara. É o guerreiro. É saúde, é comida, é Bolsa Família. É o símbolo da nossa democracia. Diziam que ele não sabia ler, que não ia conseguir governar, e agora fez até a sucessora.

– E do governo Dilma, o que você espera?

– Vai ser melhor porque ela já sabe tudo o que fizeram de errado com ele. Agora é pensar em segurança e educação. A Dilma já pegou a cama arrumada, é mais fácil. Complicado foi o Lula que pegou a cama toda quebrada.

O ex-presidente, conhecido pelo calor dos discursos, desta vez prefere falar pela boca do povo. Quando abre a sua, acompanhada pelos olhos marejados, fita pela última vez para a equipe que o acompanhou ao longo de oito anos e consegue emitir apenas uma palavra: “obrigado.”

Que nada. O povo é que diz: "Valeu, Lula."

domingo, 2 de janeiro de 2011

NÃO HÁ LIMITES NEM O IMPOSSÍVEL PARA QUEM SONHA

Sonhos não são impossíveis



Nem ao menos haveria vestígio da passagem da humanidade pela terra não fosse a sua indeclinável capacidade de sonhar e de acreditar nos seus limites.
De superar desafios e vencer obstáculos.
De acreditar nos seus sonhos.
E crer que eles podem ser realizados.
Nada é impossível para quem sabe sonhar.
No mundo nada haveria e nada existiria se nós não acreditássemos que o impossível é possível.

A posse de Dilma Rousseff na Presidência da República nos dá a inequívoca certeza disso.
Sua vitória configura a materialização do sonho de seu antecessor.
Aquele que lhe precedeu e que, exitosamente, alicerçou as bases para que o Brasil se tornasse, de modo tão palpável, no País justo e inclusivo no qual se transformou.
O Governo Dilma pode ser considerado uma extensão ou continuidade do de Lula da Silva.
Daí que se compreende o ódio e o preconceito que ultrapassam os limites da arrogância e da mesquinhez de uma gente que se diz aliviada até da voz do maior responsável pela festa ocorrida no Planalto neste primeiro dia de 2011.

Refiro-me àqueles que se incluem nos 4% da população que consideravam o Governo Lula ruim ou péssimo.
Os leitores da Folha, de O Globo e Estadão.
Para eles, o sonho não passa de um interminável pesadelo que apavora.
Para os leitores da grande e preconceituosa mídia nacional que sempre se entrincheirou na tribuna da oposição e que, sem disfarces, se fantasia com as cores tucanas até o possível se transforma em improvável.

Enquanto isso, Dilma entra para os anais da história como a primeira mulher a ter os ombros cingidos pela faixa presidencial.

Sensacional!

Isso graças ao sonho de Luís Inácio Lula da Silva.
Lula não acreditou que houvesse o impossível, disse Dilma em seu discurso de posse.
Entretanto, tão importante quanto a persistência de Lula em acreditar nos seus sonhos foi a esperança do povo brasileiro que por seis eleições o apoio.
E que nas três últimas vezes chegaram, com ele, ao poder.

Em 2002, quando venceu o Serra, a Globo e o medo.
Em 2006, quando mandou de volta ao seu ninho outro tucano – Geraldo Alckmin.
E em 2010, quando, através de Dilma Rousseff, ganhou – de novo – do Serra, que teve como não poderia deixar de ser, a parceria corporativa da Mídia conservadora, fascista e injuriosa e contou com uma forcinha desprezível, vergonhosa e inútil até do Vaticano.

Sem a força de um povo que sonhou e acreditou ser possível um trabalhador na Presidência teria sido impossível Lula ter chegado aonde chegou.
E sem sua precedência a história poderia ter outros contornos.
E seu enredo seria a retomada de um drama.
Um pesadelo do qual o Brasil pode se sentir livre.

A Presidenta Dilma é o resultado dos sonhos de um País que se acostumou a trilhar a estrada segura do crescimento com justiça social.
Um país cujo povo vive mais e melhor.
Que continua sonhando porque sabe que os sonhos podem se transformar em realidade.
Um povo bom e generoso para o qual o impossível é um lugar que não existe.

Que maravilha!

Viva Dilma Rousseff!
Viva o Brasil!

Obrigado, Lula!














quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ASSANGE É O HOMEM DO ANO DO MUNDO


Ele deu uma sonora goleada no Obama



Folha Uol: Jornal francês "Le Monde" elege criador do WikiLeaks como "homem do ano"

A imprensa internacional - ao contrário da nossa tupiniquim - se rendeu,  ao homem perseguido e preso a mando da maior democracia do mundo.
Aquele a quem Lula defendeu ao questionar o silêncio dos meios de comunicação sempre tão vorazes na defesa da liberdade de expressão.
A mídia brasileira que criou o "golpe democrático" em Honduras para justificar seu apoio à derrubada de Manoel Zelaya é a mesma que agora se revela a favor do cerceamento da liberdade de informação, da prisão de Assange e do fechamento do seu site.
O correspondente da Globo em Londres, mediocramente cunhou a expressão "excesso de informação" para acusar o dono do WikiLeaks de violar a lei por ter divulgado e-mails da diploacia americana, como se a publicação de fatos e verdades de interesse público fosse uma violação ao estado democrático de direito.
A mídia brasileira só não esperava levar pela cara o tapa que Lula lhe deu ao cobrar o mesmo rigor na defesa intrasigente da liberdade de expressão por esta suscitada ao longo da campanha eleitoral.
A eleição de Assange como "homem do ano" por um dos maiores jornais do mundo, não pode deixar de conferir honras ao Presidente Lula pela sua clareza e coragem ao defender Assange e desmascarar a hipocrisia de uma mídia combalida e parcial que usa dois pesos e duas medidas, de acordo com seus interesses e conveniências.
Julian Assange foi escolhido o "homem do ano" pela redação do prestigiado jornal francês "Le Monde", que dedicará a capa e um artigo biográfico ao fundador do site WikiLeaks em seu suplemento semanal a ser publicado nesta sexta-feira (24).

O diário é uma das publicações de grande circulação que se associou com o WikiLeaks para publicar milhares de documentos secretos da diplomacia americana.

Assange, que passou nove dias em uma prisão britânica no início de dezembro, encontra-se atualmente em liberdade condicional com a ameaça de ser extraditado à Suécia, país que o acusa por supostos crimes de agressões sexuais contra duas mulheres, que o processam por ter supostamente imposto a prática de relações sexuais sem preservativo.

Os internautas do "Le Monde" também elegeram Assange como "homem do ano", com 56,2% dos votos, na frente do Prêmio Nobel da Paz Liu Xiaobo (22,3%) e do americano Mark Zuckerberg (6,9%), fundador do Facebook.

REVISTA "TIME"

A revista americana "Time" nomeou na última semana Mark Zuckerberg como "homem do ano", apesar dos leitores da publicação terem escolhido Assange.

Assange bateu personalidades como Lady Gaga, o presidente americano, Barack Obama, e os 33 mineiros resgatados no Chile.

Segundo a "Time", Assange recebeu 382.024 dos 1.249.425 votos, em um primeiro lugar folgado. O segundo lugar ficou com o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, com 233.639 votos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

FREI BETO - PORTA-VOZ DOS BRASILEIROS

Nele, o sorriso do brasileiro


Obrigado, Lula

Republico postagem do Jornal do Brasil de autoria do Frei Beto. O teólogo presta um dos mais comoventes gesto de agradecimento e reconhecimento ao Presidente Lula pelo ineditismo que configurou seu governo ao longo desses frutíferos oito anos de mandato.

Lula conclui o mandato mais exitoso de um presidente brasileiro

Nunca antes na história deste país um metalúrgico havia ocupado a presidência da República. Quantos temores e terrores a cada vez que você se apresentava como candidato! Diziam que o PT, a ferro e fogo, implantaria o socialismo no Brasil.

Quanta esperança refletida na euforia que contaminou a Esplanada dos Ministérios no dia de sua posse! Decorridos oito anos, eis que a aprovação de seu governo alcança o admirável índice de 84% que o consideram ótimo e bom. Apenas 3% o reprovam.

O Brasil mudou para melhor. Cerca de 20 milhões de pessoas, graças ao Bolsa Família e outros programas sociais, saíram da miséria, e 30 milhões ingressaram na classe média. Ainda temos outros 30 milhões sobrevivendo sob o espectro da fome e quem sabe o Fome Zero, com seu caráter emancipatório, a tivesse erradicado se o seu governo não o trocasse pelo Bolsa Família, de caráter compensatório, e que até hoje não encontrou a porta de saída para as famílias beneficiárias.

Você resgatou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e, através dos programas sociais e da Previdência, promoveu a distribuição de renda que aqueceu o mercado interno de consumo. O BNDES tornou as grandes empresas brasileiras competitivas no mercado internacional. Tomara que no governo Dilma seja possível destinar recursos também a empreedimentos de pequeno e médio porte e favorecer nossas pesquisas em ciência e tecnologia.

Enquanto os países metropolitanos, afetados pela crise financeira, enxugam a liquidez do mercado e travam o aumento de salários, você ampliou o acesso ao crédito (R$ 1 trilhão disponíveis), aumentou o salário mínimo acima da inflação, manteve sob controle os preços da cesta básica e desonerou eletrodomésticos e carros. Hoje, 72% dos domicílios brasileiros possuem geladeira, televisor, fogão, máquina de lavar, embora 52% ainda careçam de saneamento básico.

Seu governo multiplicou o emprego formal, sobretudo no Nordeste, cuja perfil social sofre substancial mudança para melhor. Hoje, numa população de 190 milhões, 105 milhões são trabalhadores, dos quais 59,6% possuem carteira assinada. É verdade que, a muitos, falta melhor qualificação profissional. Contudo, avançou-se: 43,1% completaram o ensino médio e 11,1% o ensino superior.

Na política externa o Brasil afirmou-se como soberano e independente, livrando-se da órbita usamericana, rechaçando a ALCA proposta pela Casa Branca, apoiando a UNASUL e empenhando-se na unidade latino-americana e caribenha. Graças à sua vontade política, nosso país mira com simpatia a ascensão de novos governantes democráticos-populares na América Latina; condena o bloqueio dos EUA a Cuba e defende a autodeterminação deste país; investe em países da África; estreita relações com o mundo árabe; e denuncia a hipocrisia de se querer impedir o acesso do Irã ao urânio enriquecido, enquanto países vizinhos a ele, como Israel, dispõem de artefatos nucleares.

Seu governo, Lula, incutiu autoestima no povo brasileiro e, hoje, é admirado em todo o mundo. Poderia ter sido melhor se houvesse realizado reformas estruturais, como a agrária, a política e a tributária; determinado a abertura dos arquivos da ditadura em poder das Forças Armadas; duplicado o investimento em educação, saúde e cultura.

Nunca antes na história deste país um governo respaldou sua Polícia Federal para levar à cadeia dois governadores; prender políticos e empresários corruptos; combater com rigor o narcotráfico. Pena que o Plano Nacional dos Direitos Humanos 3 – quase um plágio dos 1 e 2 do governo FHC –tenha sido escanteado por preconceitos e covardia de ministros que o aprovaram previamente e não tiveram a honradez de defendê-lo quando escutaram protestos de vozes conservadoras.

Espero que o governo Dilma complemente o que faltou ao seu: a federalização dos crimes contra os direitos humanos; uma agenda mais agressiva em defesa da preservação ambiental, em especial da Amazônia; a melhoria do nosso sistema de saúde, tão deficiente que obriga 40 milhões de brasileiros a dependerem de planos de empresas privadas; a reforma das redes de ensino público municipais e estaduais.

Seu governo ousou criar, no ensino superior, o sistema de cotas; o ProUni e o ENEM; a ampliação do número de escolas técnicas; maior atenção às universidades federais. Mas é preciso que o governo Dilma cumpra o preceito constitucional de investir 8% do PIB em educação.

Obrigado, Lula, por jamais criminalizar movimentos sociais; preservar áreas indígenas como Raposa Serra do Sol; trazer Luz para Todos. Sim, sei que você não fez mais do que a obrigação. Para isso foi eleito. Mas considerando os demais governantes de nossa história republicana, tão reféns da elite e com nojo do “cheiro de povo”, como um deles confessou, há que reconhecer os avanços e méritos de sua administração.

Deus permita que, o quanto antes, você consiga desencarnar-se da presidência e voltar a ser um cidadão militante em prol do Brasil e de um mundo melhor.




sexta-feira, 5 de novembro de 2010

COMO PARTIDO POLÍTICO O PSDB PRECISA SER REFUNDADO

O ALMANAQUE da crônica republica postagem do Vermelho:
Na contramão de Serra, Aécio fala em “oposição generosa” a Dilma

O PSDB perdeu sua “identidade” e praticamente morreu como partido político. É o que sustenta o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, Aécio Neves, em entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo ele, os tucanos precisam promover a "refundação do PSDB" e devem refazer, até maio de 2010, um novo programa partidário, que defenda sem "constrangimentos" as privatizações do governo FHC — mas também defenda estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

“Vou sugerir um grupo de três notáveis do partido para coordenar essa refundação do PSDB, conduzir conversas com setores da sociedade, instituições organizadas, para que nesse período possamos construir um novo programa partidário”, declara Aécio. Os três nomes a quem ele classifica como "notáveis" são o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o candidato derrotado nestas eleições, José Serra, e o ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati.

No Senado, Aécio promete uma "oposição generosa" à presidente Dilma Rousseff nas discussões sobre as grandes reformas. “Devemos estar dispostos a sentar à mesa na busca de construção de consensos em torno dessas reformas”, diz. “Só uma oposição frágil e insegura se negaria a discutir temas com o governo essenciais à vida nacional.”

É um discurso que vai na contramão do tom agressivo adotado por Serra — que, tão logo perdeu, pela segunda vez, a disputa à Presidência, já se comprometia a atazanar a vida de Dilma. E é mais contraditória ainda em relação às inúmeras escaladas golpistas da oposição demo-tucana nos dois governos de Lula.

Aécio, no entanto, tenta supor que o exemplo negativo é “aquela oposição raivosa exercida pelo PT ao governo FHC, votando contra tudo”. Quer dizer que a oposição a Lula não foi raivosa? “O Brasil está maduro para ter outro tipo de oposição. Não me sentirei diminuído, ao contrário, se for convidado a sentar à mesa com outras lideranças para discutir questão previdenciária, política, tributária, reforma do Estado”.

Ao fim da entrevista, Aécio diz que seu “destino”, com ou sem candidatura, “é no PSDB”. E enaltece Lula, ao ser questionado sobre quem foi o “personagem da eleição de 2010”. Conforme as palavras do novo senador mineiro, Lula “venceu as eleições e temos de reconhecer essa vitória — não nos fragilizarmos a partir dela”.


Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SERRA: DE TRAIDOR A PERDEDOR

Como José Serra traiu Aécio Neves e o PSDB

Na primeira metade de 2009, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso selou um acordo entre José Serra e o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Garantidos alguns compromissos, o mineiro seria vice de Serra, que governava São Paulo naquela época.

Por Kennedy Alencar, na Folha.com

Fiador dos compromissos, FHC testemunhou Serra rompê-los. O primeiro deles: Serra não quis participar de reuniões prévias pelo país, nas quais o PSDB ouviria seus dois pré-candidatos e depois decidiria quem disputaria o Palácio do Planalto.
 
Líder disparado nas pesquisas, Serra julgava a ideia uma forma de miná-lo politicamente. Mas Aécio queria uma saída para dizer ao eleitorado de Minas por que aceitaria ser vice do governador paulista.
Outro compromisso era afirmar com todas as letras que, se eleito, Serra patrocinaria novas mudanças constitucionais para que Aécio fosse o próximo da fila. Pelo acordo, Serra articularia a aprovação de projetos no Congresso para acabar com a reeleição e reinstituir o mandato de cinco anos.

Aécio sempre demonstrou pouca crença na capacidade de, sentado no Planalto, Serra abrir mão da possibilidade de se reeleger. Mas FHC dizia a Serra que era importante que ele se comprometesse com essas alterações a fim de tranquilizar Aécio e Minas. O final dessa história é sabido.
 
Entre setembro de 2009 e fevereiro de 2010, a folga sobre Dilma nas pesquisas deu a Serra a ilusão de que poderia ignorar os apelos para assumir a candidatura e fazer concessões a Aécio. Ele não aceitou as cobranças do PSDB e do DEM para admitir que era candidato e montou uma estrutura de campanha centralizada e distante dos aliados.
 
Esticou a corda até junho para tentar obter a companhia de Aécio em sua chapa, mas estava tão fraco que não teve como enfrentar a resistência dos democratas à escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice. Ao explicar as razões de aceitar o pouco conhecido deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) como companheiro de chapa, Serra admitiu que a questão estava encaminhada em outro sentido, mas não havia dado certo.
 
A biografia respeitável, a tenacidade com a qual se jogou na disputa e a assimilação de um discurso conservador que destoa de suas próprias ideias não foram suficientes para levar o tucano à vitória. Serra quis ganhar sozinho. Colheu o que plantou.
 

sábado, 16 de outubro de 2010

QUEBRAR O SILÊNCIO E SAIR DA INÉRCIA PARA A LUTA

VERMELHO: 'Se nos calarmos, até as pedras gritarão', dizem religiosos pró-Dilma

A exemplo de Dilma - que divulgou ontem uma carta para encerrar ‘a campanha de calúnias’ contra ela -, um grupo de 168 pessoas, na maioria religiosos, além de professores, intelectuais e artistas, também divulgou nesta sexta-feira (15) manifesto contra boatos, pela verdade e a favor da candidatura da petista.

No documento o grupo afirma: “Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude”.

O texto também afirma que uma vitória de Serra significaria “recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira”. Diz ainda que as “gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido”.

Sete bispos encabeçam a lista dos que assinam o documento: dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás Velho (GO); dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Felix do Araguaia (MT); dom Demetrio Valentini, bispo de Jales (SP); dom Luiz Eccel, bispo de Caçador (SC); dom Antonio Possamai, bispo emérito de Rondônia; dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana (MA); e dom Xavier Gilles, bispo emérito de Viana (MA). Leia abaixo:

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras.

Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino.

Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum.

A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COISAS QUE SÓ A POLÍTICA EXPLICA

Em situações inversas, mas parecidas, as eleições do dia 3 de outubro para o governo do Pará e presidencial foram generosas em apresentar surpresas.
Se no plano nacional a prorrogação da eleição em um segundo turno foi comemorada pelos tucanos e aliados, no Pará estes, a contragosto, ruminaram, mas tiveram que engolir o resultado obtido pela candidata do PT, a governadora Ana Júlia Carepa.

Ela ressurgiu de um cenário obscurecido pelo que parecia ser uma derrota inadiável logo no primeiro tempo da partida para o que está sendo considerada uma nova eleição.
A vitória de seu adversário Simão Jatene teve gosto de derrota.
Para ele.
A linha tênue que o separa de Ana Júlia é de algo em torno de 450 mil votos.

Quase nada.

Se levarmos em conta as alianças que Ana Júlia poderá fazer.
Sobretudo com o PMDB de Jader Barbalho, cujo candidato a Governador, Domingos Juvenil, teve 10,79% dos votos válidos.
O Psol conquistou 3% do eleitorado paraense.

É evidente que o PSDB também tem o direito de tentar atrair o apoio de Jader à candidatura de Jatene para a disputa de 31 de outubro.

Mesmo porque até o próprio senador tucano eleito, Flexa Ribeiro, fez dobradinha com o cacique peemedebista.
E, igualmente Ana Júlia, pedia votos para Jader.

Jader, um ficha suja!

Hoje com sua candidatura cassada.
Nessa o Flexa foi astuto, argucioso. Enquanto o Jader...

Coisas que só a política explica.
Nada disso, todavia, quer dizer que os acordos possam estar definidos.
Seria precipitado afirmar que Jader penderá para a candidata que tem o apoio do Presidente Lula ou ficará com quem lhe faz oposição.
Cabe lembrar que Michel Temer é vice na chapa de Dilma Rousseff.
Dilma saiu na frente de Serra com 48% dos votos no Pará.

Temer é do PMDB – partido que fez a segunda bancada na Câmara – amigo e companheiro de Jader.
O que não significa que o fisiologismo do PMDB não possa nos deixar na mão.
E Jader vá de mala e cuia se aninhar com Simão Jatene.
Mas essa é uma possibilidade um tanto quanto improvável.

Não acredito que isso decidiria a eleição em favor da governadora assim como a decisão de Marina Silva não seria fator determinante na eleição para o Planalto – mas convém lembrar que Jader não é Marina e o PMBB não é o PV.
Jader ainda mantém enorme poder de liderança e prestígio sobre os peemedebistas.

O PMDB no Pará - queiram ou não, tem a cara e a voz de Jader.
Jader é o PMDB.
O PMDB é o Jader.

Tudo o que for dito não será nada além de meras especulações.
Como o resultado da votação de 3 de outubro, as eleições para o segundo turno ainda trarão muitas surpresas.
Como uma nova eleição para Senador.

Sem Jader e Paulo Rocha, evidentemente.
Uma janela salavadora que se abriria para o deputado derrotado Gerson Peres.















segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SEM ESSA DE APONTAR CULPADOS POR UMA DERROTA QUE NÃO EXISTIU

A princípio, pensei em desferir meu arsenal de críticas contra quem nem mesmo eu saberia dizer.
Apontar culpados na campanha petista pelo segundo turno que as oposições forçaram – a despeito das injúrias, mentiras e baixarias via-mídia e de outros meios – seria como reconhecer uma derrota que não houve.

Ao longo de quase dois anos fui projetando no meu cérebro a opção praticamente única e obrigatória de vitória logo em primeiro turno da ministra Dilma.
Não desejo ser redundante, tampouco repetitivo, mas faz sentido lembrar o fato de que Lula ganhou duas eleições consecutivas.
E nem uma delas no primeiro turno.

Na de 2006 temos até hoje a nítida constatação de que nem mesmo o caseiro Francenildo tiraria de Lula a reeleição no primeiro turno.

Seria necessária uma hecatombe política de proporções ainda mais destrutivas ou a ocorrência de algum desastre que pudesse ser ligado ao Governo.

Aí a Globo descobriu os aloprados petistas com suas malas e cuecas abarrotadas de dinehiro e levou uma eleição dada como certa para o segundo turno.
Em 2010, nem o sigilo do EJ nem a Erenice surtiram o efeito esperado.
O efeito atende pelo nome de Marina Silva.
Falsa, traíra, usada ou não.
Ela fez a difeença

Haverá nova votação no dia 30 de outubro.
E Dilma terá que vencer o candidato tucano José Serra.
Não tem outra escolha.

Se erros existiram, não foram dos eleitores que votaram em Dilma Rousseff.
Culpar Marina Silva pelos vinte milhões de votos por ela obtidos é negar a democracia.
Méritos dela e para ela.

Marina fez o que deveria ser feito, pouco importando se foi ou não um joguete usado pela direita.
Sem apelar para a baixaria.
E, se disse algo que tirou votos de sua concorrente e esta não os reconquistou, paciência.

Que trate de fazê-lo agora enquanto há tempo.
Não é criticando Marina Silva que o PT conseguirá fazer a sucessão de Lula.

Dilma teve nesse primeiro turno a mesma média dos votos que Lula obteve nas duas últimas eleições ganhas por ele no segundo.
Dá perfeitamente para repetir, com acréscimo, a vitória de 3 de outubro.

Dilma Rousseff não perdeu.
O grande perdedor foi a oposição.
Essa, sim, saiu desmilinguida e massacrada nacionalmente.
O brasileiro foi impiedoso e eliminou da política o que de pior havia no Congresso.
Mandar ao ostracismo um Arthur Virgílio da vida e o raivoso Tarso Jereissate somado-se gente do quilate do Mão Santa, Heráclito e Companhia é um fato digno de entrar para os anais da história.

Dilma terá uma base de apoio no Congresso sólida e aprovará folgadamente, todas as emendas constitucionais pondo em prática as mudanças que se fizerem necessárias.
E isso é o que contará.
Sua vitória foi apenas adiada pela vontade soberana dos brasileiros até 30 de outubro.

Faz parte.