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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

COISAS DO PARÁ

Um círio de votos para nada


O Pará é protagonista da maior procissão religiosa do Planeta.
O Pará é o único lugar do mundo onde mais de dois milhões de pessoas rezam, cantam e choram atrás de uma berlinda.
Juntas e irmanadas em uníssona e comovente oração.

O Pará dá quase um Círio de votos a um candidato – do latim, cândido, puro – e o elege senador para só depois descobrir que sua ficha não é, como o manto da santinha, nada imaculado.
E a mesma Justiça, que numa demonstração atroz de incompetência e parcimônia permitiu e autorizou o registro de sua candidatura, caçou-a agora.
A Justiça do Pará – ela deve ter um espelho em casa – brinca de rodeio: o peão solta o touro para capturá-lo em seguida.
Uma judiação irracional, abjeta e inominável.

O Pará pode ter uma nova eleição para senador em fevereiro de 2011.

E quem teve a eleição anulada pode ser eleito novamente.
Coisas do Pará.

O Pará elege um governador que antes de sua posse sugere aos deputados que retirem suas emendas sob a inescrupulosa alegação de conter os gastos.

O Pará tem deputados que, legislando em causa própria, criam uma excrescência chamada décimo quarto salário.
Era só o que faltava!

O Pará dá aos seus deputados um salário mensal de aproximadamente treze mil reais.
Não sei bem por quê, confesso, mas isso me faz lembrar as práticas nada incomuns dos nobres congressistas do Planalto Central.
Os senhores de Brasília, mais do que o décimo quarto, tem o até o décimo sexto salário.

Em se tratando dos deputados federais, vejam o que cada um recebe, descontado o salário limpinho de R$ 16.512,00 a cada mês:

Ajuda de Custo para a cobertura de para passagens aéreas, fretamento de aeronaves, cota postal e telefônica, combustíveis, divulgação do mandato, aluguel de escritório político, assinatura de publicações e serviços de TV e internet e contratação de segurança: R$ 35.053,00.

Auxilio Moradia: R$ 3.000,00 (O cara é eleito, recebe uma grana mensalmente e é como se fosse um candango, sem ter uma casinha pra morar. Aí, nós damos uma forcinho... não é?)

Auxilio Gabinete: R$ 60.000,00 (Para contratrar de 5 a 25 funcionários )

Despesa Médica: Ilimitada! (Tá aí o Arthur Virgílio que não me deixa mentir).

Telefone Celular: Ilimitado! (Não existe restrição de uso, então o que gastar é pago. Está explicado por que suas excelências tanto falam ao celular enquanto seus pares discursam em plenário. A conta não é com eles).

Bônus anual: mais dois salários = 33.024,00

Só com os números divulgados são R$ 114.565,00 por mês, sem contar as bonificações anuais e os "ilimitados".
Multiplique-se tudo por 12 X 513 e você não conseguirá fazer a próxima refeição!

Isso é que é bota-fora!

Um desperdício que impressiona, constrange e revolta.
Coisas de Brasília.

Que os deputados paraenses, por extasiante admiração e despudor, querem importá-las.
Coisas do Pará.

Que a Senhora da Berlinda nos abençoe.
Amém!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COISAS QUE SÓ A POLÍTICA EXPLICA

Em situações inversas, mas parecidas, as eleições do dia 3 de outubro para o governo do Pará e presidencial foram generosas em apresentar surpresas.
Se no plano nacional a prorrogação da eleição em um segundo turno foi comemorada pelos tucanos e aliados, no Pará estes, a contragosto, ruminaram, mas tiveram que engolir o resultado obtido pela candidata do PT, a governadora Ana Júlia Carepa.

Ela ressurgiu de um cenário obscurecido pelo que parecia ser uma derrota inadiável logo no primeiro tempo da partida para o que está sendo considerada uma nova eleição.
A vitória de seu adversário Simão Jatene teve gosto de derrota.
Para ele.
A linha tênue que o separa de Ana Júlia é de algo em torno de 450 mil votos.

Quase nada.

Se levarmos em conta as alianças que Ana Júlia poderá fazer.
Sobretudo com o PMDB de Jader Barbalho, cujo candidato a Governador, Domingos Juvenil, teve 10,79% dos votos válidos.
O Psol conquistou 3% do eleitorado paraense.

É evidente que o PSDB também tem o direito de tentar atrair o apoio de Jader à candidatura de Jatene para a disputa de 31 de outubro.

Mesmo porque até o próprio senador tucano eleito, Flexa Ribeiro, fez dobradinha com o cacique peemedebista.
E, igualmente Ana Júlia, pedia votos para Jader.

Jader, um ficha suja!

Hoje com sua candidatura cassada.
Nessa o Flexa foi astuto, argucioso. Enquanto o Jader...

Coisas que só a política explica.
Nada disso, todavia, quer dizer que os acordos possam estar definidos.
Seria precipitado afirmar que Jader penderá para a candidata que tem o apoio do Presidente Lula ou ficará com quem lhe faz oposição.
Cabe lembrar que Michel Temer é vice na chapa de Dilma Rousseff.
Dilma saiu na frente de Serra com 48% dos votos no Pará.

Temer é do PMDB – partido que fez a segunda bancada na Câmara – amigo e companheiro de Jader.
O que não significa que o fisiologismo do PMDB não possa nos deixar na mão.
E Jader vá de mala e cuia se aninhar com Simão Jatene.
Mas essa é uma possibilidade um tanto quanto improvável.

Não acredito que isso decidiria a eleição em favor da governadora assim como a decisão de Marina Silva não seria fator determinante na eleição para o Planalto – mas convém lembrar que Jader não é Marina e o PMBB não é o PV.
Jader ainda mantém enorme poder de liderança e prestígio sobre os peemedebistas.

O PMDB no Pará - queiram ou não, tem a cara e a voz de Jader.
Jader é o PMDB.
O PMDB é o Jader.

Tudo o que for dito não será nada além de meras especulações.
Como o resultado da votação de 3 de outubro, as eleições para o segundo turno ainda trarão muitas surpresas.
Como uma nova eleição para Senador.

Sem Jader e Paulo Rocha, evidentemente.
Uma janela salavadora que se abriria para o deputado derrotado Gerson Peres.















segunda-feira, 6 de setembro de 2010

POR QUE ANA JÚLIA VAI GANHAR A REELEIÇÃO

As pesquisas de opinião que dão a apoteótica vantagem da candidata do PT à Presidência sobre o seu principal concorrente mais do que um afago é uma incontida carícia no ego de quem por ela tem preferência.

Quem ousar negar esse sentimento de prazer é porque está faltando com a verdade.

Até o mais discreto dos discretos dos eleitores de Dilma Rousseff já não se contém em demonstrar sua convicção na vitória logo no dia 3 de outubro.

Muitos são os que dizem que pesquisa não ganha eleição.

Antes de adentrar a barca das pesquisas o bom senso recomenda que se analisem as tendências.

São as tendências que confirmam e homologam a lógica das pesquisas indicando a inclinação do eleitor.
No caso da eleição presidencial pesquisas e tendências apontam uma hecatombe: a vitória irreversível de Dilma Rousseff logo no primeiro tempo de jogo.

No Pará a única pesquisa Ibope/TV Liberal mostra o tucano Simão Jatene à frente da governadora Ana Júlia.
Trata-se tal levantamento de um retrato momentâneo da eleição no Estado e seria querer demais que o resultado fosse diferente.
A tendência é que o quadro mude de configuração para o segundo turno.

E mudará.
Em favor de Ana Júlia.
Sem dúvida.

Porque a governadora paraense é a candidata de Lula e “filha” da virtualmente eleita Presidente, Dilma Rousseff, a Mãe do PAC... e dos brasileiros.
Esse fator deve ser levado em conta a partir de 4 de outubro e quem não o fizer se esborrachará.

Ana Júlia tenderá a crescer deixando Jatene para trás. Na lona.
Explica-se: O tamanho da surra de Dilma no Serra é de 52% a 31% e ainda tem 9% dos votos da candidata verde, Marina Silva que deve voltar para o anonimato em Rio Branco.

A vantagem de 10% do tucano Simão Jatene não dá nem pra saída no segundo turno.
Ana Júlia vai colar de vez em Dilma e Lula.
E olhem que esses 10% do Ibope são absolutamente questionáveis.

É tão possível quanto provável que Jatene não tenha nem 5%.
Assim como tudo indica que Dilma Rousseff esteja na casa dos 60%.

Como se nada disso bastasse, temos ainda o candidato do PMDB, Domingos Juvenil.
Pelo menos 6% dos eleitores declaram que votarão nele para governador.
Importa lembrar que Juvenil é do partido do vice na chapa de Dilma, o Deputado Michel Temer.

E não se falou nem de Jader Barbalho ainda.
Jader terá uma votação estrondosa para o Senado.
Se será eleito e se eleito tomará posse, isso depende do STF.
Nada mudará a vontade do eleitor jardista de votar em Ana Júlia.
Ou vocês acham que Jader vai pregar o voto no Jatene, contra o Vice Presidente eleito e seu próprio Partido?

Jamais.

Simão Jatene não resiste a um comício de Ana Júlia com Dilma e Lula.

Fico a imaginar o Serra, com seus humilhantes 18% - é o quanto ele terá em 3 de outubro – pedindo votos para algum candidato, quanto menos pro Simão Jatene.

O que ele teria a dizer?
A batalha está apenas nas preliminares.
A onda vermelha ainda nem começou no Pará.



























quarta-feira, 4 de agosto de 2010

FICHA LIMPA NÃO PEGA UM FICHA SUJA

Uma ficha nada cheirosa
Deu na Folha Online: Jader Barbalho escapa da Ficha Limpa e pode ser candidato ao Senado pelo Pará

Os deputados federais do Pará Jader Barbalho (PMDB) e Paulo Rocha (PT) e o ex-deputado estadual Luiz Sefer (PP) escaparam da Lei da Ficha Limpa e tiveram hoje de manhã suas candidaturas aprovadas pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) paraense.
Para o Ministério Público Federal, os três se enquadram na nova legislação eleitoral por terem renunciado a cargos para escaparem de possíveis cassações.
Barbalho deixou a função de senador em 2001, depois de uma série de denúncias de desvios de verba. Este ano, ele é candidato ao Senado.
Rocha saiu da Câmara dos Deputados em 2005, acusado de participar do esquema do mensalão. Ambos negam as suspeitas e tentam uma vaga no Senado.
Já Sefer renunciou ao cargo na Assembleia Legislativa do Pará no ano passado, para onde quer agora voltar.
O motivo da renúncia: ele foi acusado e depois condenado a 21 anos de prisão pela suspeita de ter abusado sexualmente de uma menina de nove anos, mas conseguiu o direito de responder o processo em liberdade. Sefer nega a acusação.
O placar nos três julgamentos foi de 4 votos a 2. Ganhou o entendimento de que a Ficha Limpa, legislação publicada neste ano, não pode retroagir --o que diverge de avaliação do próprio Tribunal Superior Eleitoral.
Segundo os magistrados, a norma é inconstitucional. O MPF disse que vai recorrer das três decisões.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

O PARÁ É ONDE COMEÇA O FUTURO DO BRASIL


Vermelho: Lula admite 2 palanques pró-Dilma e volta a defender Belo Monte

Após lançar um programa de incentivo à produção de óleo de palma e entregar títulos de licenciamento ambiental para 3,7 mil agricultores em Tomé-Açu (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta (6) aos jornalistas que a unidade da base aliada era o ideal, mas se não for possível haverá dois palanques nos estados a favor da candidatura Dilma. Lula também voltou a defender a construção da Usina Hidrelétrica (UHT) de Belo Monte.

O presidente primeiro negou que havia afirmado que dois palanques nos estados seriam prejudicial à candidatura Dilma. “Isso é o contrário de tudo que eu venho dizendo, desde que nós estamos construindo a nossa candidatura”, alegou.
Segundo ele, o ideal era a unidade da base em torno de um candidato à Presidência e outro no Estado. “Se isso não for possível, nós vamos ter de encontrar um jeito de que as pessoas possam ter um palanque, possam ter dois palanques”, afirmou.

No caso do Pará, onde a governadora Ana Júlia Carepa (PT) pode enfrentar o deputado Jader Barbalho (PMDB) no seu projeto de reeleição, o presidente disse que ainda é cedo para apostar na divisão da base.

“Nós temos até junho para resolver isso. Eu acredito muito na capacidade de discernimento das pessoas, como eu acredito muito na capacidade de articulação política da direção do meu partido, da governadora Ana Júlia. Estou convencido de que a gente pode construir alianças aqui no estado do Pará.”
Sobre a verticalização das alianças no país com o PMDB, Lula afirmou que essa condição não se aplicaria aos peemedebistas. “Eu não diria verticalizar, porque tem estado em que o PMDB é radicalmente contra o governo, como o estado de Pernambuco, por exemplo. Eu não espero nada em Pernambuco. Eu espero que a maioria e que a direção do partido esteja na posição melhor, que é a posição da aliança política”, argumentou.

Defesa de Belo Monte

O presidente também voltou a defender a construção da usina de Belo Monte. Afirmou que as pessoas precisam lembrar que o reservatório atual do lago no projeto “é menos da metade do que era o projeto original” e que o governo tem R$ 3,5 bilhões para serem gastos nas mitigações ambientais e na área social.

“Eu acho que o Pará tem que fazer uma briga nacional. O meu objetivo com a Vale do Rio Doce é de tentar industrializar o Pará. É por isso que nós estamos trazendo a Petrobras para produzir biodiesel aqui, porque nós queremos fazer com que aqui tenha indústria, não apenas levar madeira ou levar minério de ferro, ou levar bauxita, alumínio. Então, eu penso que as pessoas precisam compreender o que pode acontecer com uma hidrelétrica”, disse.

Referindo-se a questão ambiental, o presidente disse que o governo aprendeu a não repetir as mazelas do que foi feito na década de 60 e 70 quando as pessoas eram “simplesmente expropriadas das suas terras e ficavam ao deus-dará”.

“Não! Nós queremos cuidar com carinho, nós fizemos todas as audiências públicas. Mas eu estou convencido de que a maioria do povo do Pará quer a hidrelétrica e quer outras coisas que têm que vir pra cá.”

De Brasília,
Iram Alfaia