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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COISAS QUE SÓ A POLÍTICA EXPLICA

Em situações inversas, mas parecidas, as eleições do dia 3 de outubro para o governo do Pará e presidencial foram generosas em apresentar surpresas.
Se no plano nacional a prorrogação da eleição em um segundo turno foi comemorada pelos tucanos e aliados, no Pará estes, a contragosto, ruminaram, mas tiveram que engolir o resultado obtido pela candidata do PT, a governadora Ana Júlia Carepa.

Ela ressurgiu de um cenário obscurecido pelo que parecia ser uma derrota inadiável logo no primeiro tempo da partida para o que está sendo considerada uma nova eleição.
A vitória de seu adversário Simão Jatene teve gosto de derrota.
Para ele.
A linha tênue que o separa de Ana Júlia é de algo em torno de 450 mil votos.

Quase nada.

Se levarmos em conta as alianças que Ana Júlia poderá fazer.
Sobretudo com o PMDB de Jader Barbalho, cujo candidato a Governador, Domingos Juvenil, teve 10,79% dos votos válidos.
O Psol conquistou 3% do eleitorado paraense.

É evidente que o PSDB também tem o direito de tentar atrair o apoio de Jader à candidatura de Jatene para a disputa de 31 de outubro.

Mesmo porque até o próprio senador tucano eleito, Flexa Ribeiro, fez dobradinha com o cacique peemedebista.
E, igualmente Ana Júlia, pedia votos para Jader.

Jader, um ficha suja!

Hoje com sua candidatura cassada.
Nessa o Flexa foi astuto, argucioso. Enquanto o Jader...

Coisas que só a política explica.
Nada disso, todavia, quer dizer que os acordos possam estar definidos.
Seria precipitado afirmar que Jader penderá para a candidata que tem o apoio do Presidente Lula ou ficará com quem lhe faz oposição.
Cabe lembrar que Michel Temer é vice na chapa de Dilma Rousseff.
Dilma saiu na frente de Serra com 48% dos votos no Pará.

Temer é do PMDB – partido que fez a segunda bancada na Câmara – amigo e companheiro de Jader.
O que não significa que o fisiologismo do PMDB não possa nos deixar na mão.
E Jader vá de mala e cuia se aninhar com Simão Jatene.
Mas essa é uma possibilidade um tanto quanto improvável.

Não acredito que isso decidiria a eleição em favor da governadora assim como a decisão de Marina Silva não seria fator determinante na eleição para o Planalto – mas convém lembrar que Jader não é Marina e o PMBB não é o PV.
Jader ainda mantém enorme poder de liderança e prestígio sobre os peemedebistas.

O PMDB no Pará - queiram ou não, tem a cara e a voz de Jader.
Jader é o PMDB.
O PMDB é o Jader.

Tudo o que for dito não será nada além de meras especulações.
Como o resultado da votação de 3 de outubro, as eleições para o segundo turno ainda trarão muitas surpresas.
Como uma nova eleição para Senador.

Sem Jader e Paulo Rocha, evidentemente.
Uma janela salavadora que se abriria para o deputado derrotado Gerson Peres.















segunda-feira, 6 de setembro de 2010

POR QUE ANA JÚLIA VAI GANHAR A REELEIÇÃO

As pesquisas de opinião que dão a apoteótica vantagem da candidata do PT à Presidência sobre o seu principal concorrente mais do que um afago é uma incontida carícia no ego de quem por ela tem preferência.

Quem ousar negar esse sentimento de prazer é porque está faltando com a verdade.

Até o mais discreto dos discretos dos eleitores de Dilma Rousseff já não se contém em demonstrar sua convicção na vitória logo no dia 3 de outubro.

Muitos são os que dizem que pesquisa não ganha eleição.

Antes de adentrar a barca das pesquisas o bom senso recomenda que se analisem as tendências.

São as tendências que confirmam e homologam a lógica das pesquisas indicando a inclinação do eleitor.
No caso da eleição presidencial pesquisas e tendências apontam uma hecatombe: a vitória irreversível de Dilma Rousseff logo no primeiro tempo de jogo.

No Pará a única pesquisa Ibope/TV Liberal mostra o tucano Simão Jatene à frente da governadora Ana Júlia.
Trata-se tal levantamento de um retrato momentâneo da eleição no Estado e seria querer demais que o resultado fosse diferente.
A tendência é que o quadro mude de configuração para o segundo turno.

E mudará.
Em favor de Ana Júlia.
Sem dúvida.

Porque a governadora paraense é a candidata de Lula e “filha” da virtualmente eleita Presidente, Dilma Rousseff, a Mãe do PAC... e dos brasileiros.
Esse fator deve ser levado em conta a partir de 4 de outubro e quem não o fizer se esborrachará.

Ana Júlia tenderá a crescer deixando Jatene para trás. Na lona.
Explica-se: O tamanho da surra de Dilma no Serra é de 52% a 31% e ainda tem 9% dos votos da candidata verde, Marina Silva que deve voltar para o anonimato em Rio Branco.

A vantagem de 10% do tucano Simão Jatene não dá nem pra saída no segundo turno.
Ana Júlia vai colar de vez em Dilma e Lula.
E olhem que esses 10% do Ibope são absolutamente questionáveis.

É tão possível quanto provável que Jatene não tenha nem 5%.
Assim como tudo indica que Dilma Rousseff esteja na casa dos 60%.

Como se nada disso bastasse, temos ainda o candidato do PMDB, Domingos Juvenil.
Pelo menos 6% dos eleitores declaram que votarão nele para governador.
Importa lembrar que Juvenil é do partido do vice na chapa de Dilma, o Deputado Michel Temer.

E não se falou nem de Jader Barbalho ainda.
Jader terá uma votação estrondosa para o Senado.
Se será eleito e se eleito tomará posse, isso depende do STF.
Nada mudará a vontade do eleitor jardista de votar em Ana Júlia.
Ou vocês acham que Jader vai pregar o voto no Jatene, contra o Vice Presidente eleito e seu próprio Partido?

Jamais.

Simão Jatene não resiste a um comício de Ana Júlia com Dilma e Lula.

Fico a imaginar o Serra, com seus humilhantes 18% - é o quanto ele terá em 3 de outubro – pedindo votos para algum candidato, quanto menos pro Simão Jatene.

O que ele teria a dizer?
A batalha está apenas nas preliminares.
A onda vermelha ainda nem começou no Pará.