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sábado, 13 de novembro de 2010

UM PRESIDENTE PARA OS TUCANOS

Trocar seis por meia dúzia no jargão do futebol é substituir um jogador por outro de perfis e características semelhantes.
Ao menos hipoteticamente suas entrada e saída mantêm inalterada a forma de jogar do time, e tanto o triunfo quanto a derrota independem da troca realizada.

O PSDB – para variar – viverá situação análoga a partir de março quando escolherá seu novo presidente.
O presidente nacional da legenda derrotada por Dilma Rousseff será eleito em maio de 2011.
Os tucanos terão que optar por Tasso Jereissati para assumir o lugar de Sérgio Guerra.
Ou preferir José Serra – de novo – em detrimento de Aécio Neves.

Deve ser terrível ter um leque tão pífio de opções.

Diferentes alas tucanas tentam, cada qual a sua maneira, identificar pseudas vantagens naquilo que seria positivo ao partido a escolha de Tasso ou Aécio.
O Serra, a despeito dos 44 milhões de votos que recebeu na eleição para Presidência da República, não aglutina, não agrega, não soma e em nada engrandece nem qualifica o PSDB enquanto oposição.

Ao contrário.

Por sua arrogância e caráter conservador, burguês, elitista e exarcebado radicalismo José Serra só poderá ser presidente do PSDB por pura necessidade de não sucumbir ao ostracismo.
Pensando em nível de legenda, o melhor seria que sucumbisse.

Tudo leva a crer que o micróbio da presidência que alucina o utópico José Serra resistirá ao tempo, de maneira que em 2014 ele, outra vez, atropelará quem estiver a sua frente para levar a terceira surra numa disputa presidencial.
Isto equivale dizer que Serra não medirá esforços nem baixarias para ser o presidente dos tucanos e mandar para a linha do escanteio o senador eleito por Minas Gerais e seu companheiro de partido, Aécio Neves.

O ex-governador mineiro é tido por alguns como adepto do que poderá vir a ser uma oposição moderadora à Presidente Dilma, contrastando com Serra que prega abertamente o ódio e especializou-se em falar mal do Governo e denegrir a imagem do Brasil até no exterior.

Sou de opinião de que nem Serra nem Aécio são dignos de nada que não seja a desconfiança nacional.
Sendo que, no que se refere a José Serra, a este reputo, também, o meu desprezo.

O PSDB permanece aquele time medíocre que vai perdendo o terceiro jogo consecutivo, tecnicamente é um desastre, peca pela falta de talento e seus jogadores são exímios distribuidores de pancadas em campo.
O PSDB observa com justiificada apreensividade as nuvens opacas que se aproximam de seu horizonte.

A previsão é de que a chuva que encharcará a plumagem das aves bicudas comece a cair em Março, quando se inicia o processo sucessório nas executivas municipais culminando com a eleição do presidente do diretório nacional, em maio.
Ela trará um dilúvio de dificuldades e, de novo, a divisão entre Serra e Aécio.

Fica evidente que os ex-governadores – um paulista e outro mineiro – são o que restou do PSDB que, ao que parece, ainda insiste na ilusão de ver Serra eleito presidente.

Enquanto isso, o time não muda.
E o treinador continua trocando seis por meia dúzia.





















sexta-feira, 5 de novembro de 2010

COMO PARTIDO POLÍTICO O PSDB PRECISA SER REFUNDADO

O ALMANAQUE da crônica republica postagem do Vermelho:
Na contramão de Serra, Aécio fala em “oposição generosa” a Dilma

O PSDB perdeu sua “identidade” e praticamente morreu como partido político. É o que sustenta o ex-governador de Minas Gerais e senador eleito, Aécio Neves, em entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo ele, os tucanos precisam promover a "refundação do PSDB" e devem refazer, até maio de 2010, um novo programa partidário, que defenda sem "constrangimentos" as privatizações do governo FHC — mas também defenda estatais como o Banco do Brasil e a Petrobras.

“Vou sugerir um grupo de três notáveis do partido para coordenar essa refundação do PSDB, conduzir conversas com setores da sociedade, instituições organizadas, para que nesse período possamos construir um novo programa partidário”, declara Aécio. Os três nomes a quem ele classifica como "notáveis" são o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o candidato derrotado nestas eleições, José Serra, e o ex-presidente do PSDB Tasso Jereissati.

No Senado, Aécio promete uma "oposição generosa" à presidente Dilma Rousseff nas discussões sobre as grandes reformas. “Devemos estar dispostos a sentar à mesa na busca de construção de consensos em torno dessas reformas”, diz. “Só uma oposição frágil e insegura se negaria a discutir temas com o governo essenciais à vida nacional.”

É um discurso que vai na contramão do tom agressivo adotado por Serra — que, tão logo perdeu, pela segunda vez, a disputa à Presidência, já se comprometia a atazanar a vida de Dilma. E é mais contraditória ainda em relação às inúmeras escaladas golpistas da oposição demo-tucana nos dois governos de Lula.

Aécio, no entanto, tenta supor que o exemplo negativo é “aquela oposição raivosa exercida pelo PT ao governo FHC, votando contra tudo”. Quer dizer que a oposição a Lula não foi raivosa? “O Brasil está maduro para ter outro tipo de oposição. Não me sentirei diminuído, ao contrário, se for convidado a sentar à mesa com outras lideranças para discutir questão previdenciária, política, tributária, reforma do Estado”.

Ao fim da entrevista, Aécio diz que seu “destino”, com ou sem candidatura, “é no PSDB”. E enaltece Lula, ao ser questionado sobre quem foi o “personagem da eleição de 2010”. Conforme as palavras do novo senador mineiro, Lula “venceu as eleições e temos de reconhecer essa vitória — não nos fragilizarmos a partir dela”.


Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SERRA: DE TRAIDOR A PERDEDOR

Como José Serra traiu Aécio Neves e o PSDB

Na primeira metade de 2009, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso selou um acordo entre José Serra e o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Garantidos alguns compromissos, o mineiro seria vice de Serra, que governava São Paulo naquela época.

Por Kennedy Alencar, na Folha.com

Fiador dos compromissos, FHC testemunhou Serra rompê-los. O primeiro deles: Serra não quis participar de reuniões prévias pelo país, nas quais o PSDB ouviria seus dois pré-candidatos e depois decidiria quem disputaria o Palácio do Planalto.
 
Líder disparado nas pesquisas, Serra julgava a ideia uma forma de miná-lo politicamente. Mas Aécio queria uma saída para dizer ao eleitorado de Minas por que aceitaria ser vice do governador paulista.
Outro compromisso era afirmar com todas as letras que, se eleito, Serra patrocinaria novas mudanças constitucionais para que Aécio fosse o próximo da fila. Pelo acordo, Serra articularia a aprovação de projetos no Congresso para acabar com a reeleição e reinstituir o mandato de cinco anos.

Aécio sempre demonstrou pouca crença na capacidade de, sentado no Planalto, Serra abrir mão da possibilidade de se reeleger. Mas FHC dizia a Serra que era importante que ele se comprometesse com essas alterações a fim de tranquilizar Aécio e Minas. O final dessa história é sabido.
 
Entre setembro de 2009 e fevereiro de 2010, a folga sobre Dilma nas pesquisas deu a Serra a ilusão de que poderia ignorar os apelos para assumir a candidatura e fazer concessões a Aécio. Ele não aceitou as cobranças do PSDB e do DEM para admitir que era candidato e montou uma estrutura de campanha centralizada e distante dos aliados.
 
Esticou a corda até junho para tentar obter a companhia de Aécio em sua chapa, mas estava tão fraco que não teve como enfrentar a resistência dos democratas à escolha do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para vice. Ao explicar as razões de aceitar o pouco conhecido deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) como companheiro de chapa, Serra admitiu que a questão estava encaminhada em outro sentido, mas não havia dado certo.
 
A biografia respeitável, a tenacidade com a qual se jogou na disputa e a assimilação de um discurso conservador que destoa de suas próprias ideias não foram suficientes para levar o tucano à vitória. Serra quis ganhar sozinho. Colheu o que plantou.
 

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DEPOIS DA HEGEMONIA, A ELEIÇÃO

Olha a quem o Serra submete seus caprichos. É o fim.
Conversa Afiada: PSDB perdeu a hegemonia, porque é de São Paulo

José Serra não teve peito de enfrentar os DEMOS e entregou a vice-presidência a um ilustre desconhecido.

(Desconhecido, não da vereadora tucana do Rio, Andrea Gouvêa Vieira, que, hoje, no Globo, volta a dizer que Indio do Brasil favoreceu a Milano, uma vendedora de merendas superfaturadas – merendas e, não, ambulâncias amigo navegante)

José Serra não teve peito para fazer a chapa puro sangue com Aécio ou Álvaro Dias.
Por que ?

Por que ele teve que cair no colo do DEMO mais retrógrado, o da família Maia, do Rio ?
Por que ele não conseguiu seguir o caminho do meio do espectro político e fazer um vice do PSDB ?
Por que o PSDB não conseguiu ser PSDB ?
Com um vice do PSDB ou com Aécio na cabeça da chapa ?

Numa ou noutra hipótese, o PSDB não teria ido para a direita, mas ficaria no centro.
Aécio seria pós-Lula sem rancor, sem despotismo.
Um PSDB/PSD.
Serra é o PSDB/UDN.
Como diz um mineiro ilustre: Serra é o último autoritário.
Mais do que isso.
Serra é de São Paulo.

E, para o resto do Brasil, tucano de São Paulo significa “direita”, significa “arrogância”, significa “pavor de nordestino”, significa “elite”: o Brasil é São Paulo e o resto é o resto.
Como diz Fernando Lyra, sábio pernambucano: São Paulo não pensa o Brasil.
São Paulo dos tucanos não precisa do Brasil.
O Brasil é que precisa deles.
E eles não devem satisfação a ninguém.
Fazem o que bem entendem.
O PiG (*) é deles.
O PiG (*) é a oposição quando eles não querem ser.

Os tucanos de São Paulo (com o PiG) jogaram o Brasil no colo do neoliberalismo, como fez o Farol de Alexandria.
Compraram um segundo mandato.
E governaram com e para o PiG.
Serra é tudo isso e mais vinte.
Porque Serra é um neoliberal por dentro e um Putin por fora.
Serra é São Paulo na veia.
Serra é tucano de São Paulo na veia.
Serra e FHC jogaram o PSDB na direita.

Jogaram o PSDB no colo do DEMO.
E lá morrerão.

(Mas, os Maia, não.)
O Brasil cansou do paulistismo.

Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 28 de junho de 2010

TOALHA JOGADA

O Serra é um caso perdido
Carta Maior: CESAR MAIA DÁ A ELEIÇÃO COMO PERDIDA

Na reunião de cúpula dos DEMOS, realizada domingo, no Rio, para discutir a crise aberta com a decisão de Serra de impor uma chapa puro-sangue à coalizão demotucana, Cesar Maia jogou a toalha e admitiu a derrota como favas contadas.
O desalento do ex-governador do Rio não é um caso isolado e já transpira até nas colunas de aguerridos colunistas tucanos. Na avaliação de Cesar Maia, segundo o jornal O Globo, a eleição foi perdida no momento em que o candidato escolhido foi Serra, e não o ex-governador mineiro Aécio Neves.
Os DEMOS têm uma reunião com Serra nesta 2º feira, naquela que seria a última tentativa de reverter a escolha de Alvaro Dias para vice na chapa de oposição a Lula e Dilma. A intenção é dar um ultimato: ou o cargo será ocupado por um representante do partido, ou a agremiação romperá a aliança.
Dois minutos e 90 segundos de propaganda eleitoral estão em jogo. Ainda que a ruptura não ocorra oficialmente fica difícil imaginar uma adesão mais que formal de lideranças ressentidas, como é o caso de Cesar Maia, à campanha de Serra, que desfruta igual empenho entre as fileiras tucanas de MG, após o passa-moleque aplicado em Aécio Neves.
O agora indisfarçável mal-estar entre DEMOS e PSDB reavivou uma tese curiosa.
Há tempos, circula nos meios acadêmicos, sobretudo em franjas que ainda enxergam em Serra um ‘desenvolvimentista’ (‘de boca’, retrucaria Maria da Conceição Tavares) um mito eleitoral: Serra teria como plano concorrer à presidência com o apoio da direita e da extrema-direita acantonadas nos DEMOS para --se vencer o pleito-- dar um golpe, alijando os apoiadores incômodos de qualquer influencia em um hipotético governo.
O tratamento dispensado ao ex-PFL na questão da vice reforçaria essa tese, segundo alguns amigos do ex-governador de SP.
O raciocínio generoso dos academicos esbarra, porém, num pequeno detalhe: desde quando Alvaro Dias é sinônimo de ruptura progressista?

sábado, 5 de junho de 2010

DOSSIÊ DO SERRA: O FEITIÇO VIROU CONTRA O FEITICEIRO


Ele sabe tudo de baixaria, de feitiçaria e dossiês
Leandro Fortes: o dossiê do dossiê do dossiê
No modorrento feriado de Corpus Christi, os leitores dos jornais foram inundados com informações sobre uma trama que envolveria a fabricação de dossiês contra o candidato tucano à Presidência, José Serra, produzidos por gente ligada ao comitê da adversária Dilma Rousseff. O time de espiões teria sido montado pelo jornalista Luiz Lanzetta, dono da agência Lanza, responsável pela contratação de funcionários para a área de comunicação da campanha petista.

Por Leandro Fortes, na CartaCapital

O primeiro desses documentos seria um relatório sobre as ligações de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, com Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Uma história tão antiga quanto os dinossauros e já relatada inúmeras vezes na última década, inclusive por CartaCapital.

A notícia sobre o suposto dossiê, que ninguém sabe dizer se existe de fato, veio a público em uma reportagem confusa da revista Veja e ganhou lentamente as páginas dos jornais durante a semana até ser brindada com uma forte reação do PSDB e de Serra.

Na quarta-feira 2, o pré-candidato tucano acusou Dilma Rousseff de estar por trás da “baixaria” e cobrou explicações. A petista disse que a acusação era uma “falsidade” e o presidente do partido, José Eduardo Dutra, informou que a cúpula da legenda havia decidido interpelar Serra na Justiça por conta das declarações.

Os boatos sobre a fábrica de dossiês parecem ser fruto de uma disputa interna entre dois grupos petistas interessados em comandar a estrutura de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, um ligado a Lanzetta, outro ao deputado estadual Rui Falcão. A origem dessa confusão era, porém, desconhecida do público, até agora.

CartaCapital teve acesso a parte do tal “dossiê” que gerou toda essa especulação. Trata-se, na verdade, de um livro ainda não publicado com 14 capítulos intitulado Os Porões da Privataria, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

O livro descreve com minúcias o que seria a participação de Serra e aliados tucanos nos bastidores das privatizações durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. É um arrazoado cujo conteúdo seria particularmente constrangedor para o pré-candidato e outros tantos tucanos poderosos dos anos FHC.

Entre os investigados por Ribeiro Jr. estão também três parentes de Serra: a filha Verônica, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Está sendo produzido há cerca de dois anos e nada tem a ver com a suposta intenção petista de fabricar acusações contra o adversário.

Arapongas contra Aécio

É essa a origem das informações sobre a existência do tal “dossiê” contra a filha de Serra. E a razão de os tucanos terem lançado um ataque preventivo às informações que constam do livro. De fato, Ribeiro Jr. dedicou-se a apurar os negócios de Verônica. Repórter experiente com passagens em várias redações da imprensa brasileira, Ribeiro Jr. iniciou as apurações a pedido do seu último empregador, o Grupo Diários Associados, que congrega, entre outros, os jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas.

O livro narra, por exemplo, supostos benefícios obtidos por Marin Preciado em instituições financeiras públicas, entre elas o Banco do Brasil, na época em que outro ex-tesoureiro de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, trabalhava lá. Para quem não se lembra...
Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

sábado, 29 de maio de 2010

OS DOIS DESAFIOS DE SERRA

Quem me quer? quem me quer?
Leio no Portal Vermelho e meu estado de êxtase é inevitável.
Serra continua à cata de um vice.
Não há quem queira compor uma chapa de um inacabado.
O risco de acabar no limbo é astronômico.
Serra tem pela frente dois grandes desafios.
Chegar à convenção marcada para 12 de junho com um vice ou, na pior das hipóteses, registrá-lo até 5 de julho, data fatal fixada pela lei para o registro de candidaturas.
E – o quase impossível e improvável dos dois – evitar uma derrota antecipada, levando a disputa com Dilma Rousseff para o segundo turno.
Serra espera reunir 4.500 em Salvador onde será realizada a convenção dos demotucanos, dia 12.
Tudo leva a crer que pelo menos uma ausência será registrada. A do vice dele.
Essa caçada nervosa por um vice virou uma coisa meio insana para os tuca-midi-demos.
Não à-toa, Zé Inacabado está cada vez mais histérico e truculento.
Ele e a mídia conservadora que lhe é simpática e simpatizante.
O tempo fechou na horta da direita com o que parece ser o não definitivo dado por Aécio Neves, o "vice dos sonhos" do ex-governador de SP.
Pela enésima vez, na linguagem do Vermelho, Aécio deu sua negativa e, finalmente, acreditaram nele.

Eu, de minha parte, não acreditei.
Ainda vejo possibilidades num sim de Aécio.
O limbo também o espera.
Desiludidos até a medula com Aécio os tucanos partiram à cata de um coronel e o encontraram no Ceará. Tasso Jereissati. Mas deram com os burros n’água. Ele também lhes disse não.
Imagino quanto deve ser horrível uma situação dessas.
Aí, levados pelo desespero caranl, bateram na porta de outro brucutu que atende pelo sugestivo nome de Sérgio Guerra.
Mas este prefere a paz do Congresso Nacional.
Talvez a Câmara – e não mais o Senado – o salve também do limbo.
A mídia demotucanada e os próprios tucanos até chegaram a apelar com o termo "impatriótico" para definir a recusa do tucano mineiro.
Na verdade, a Folha de S. Paulo – sempre ela – foi quem fez o arranjo ao atribuir a “empresários” – sem nomes nem setores, logicamente – a opinião de que seria impatriótica a recusa de Aécio Neves.

Se aceitar, será por um ato humanitário e não patriótico. Uma ação partilhada de solidariedade.
Porque, como o fez o Cristo, se oferecerá em holocausto e “dará” a própria vida por uma causa.
Só que a de Aécio não vale apena, não faz sentido algum.
E ele não terá a recompensa merecida.
Veja, você que me acompanha, a que ponto chegou o desespero tucano.
Rejeitado pelos próprios pares, só lhe resta os demos, fieis aliados e o PPS do “ex-comunista e hoje serrista de carteirinha”.

Este, inclusive, já manifestou desinteresse em ser vice do seu grande líder.
Já no que diz respeito ao PFL, o partido de Agripino Maia tem na ponta da língua uma relação de nomes que vão desde Demóstenes Torres, passando pelo do próprio Agripino, do deputado José Carlos Aleluia ao da “Musa da Motosserra”, Kátia Abreu.
A situação não é nada boa.
Ela foi sintetizada pelo neo-eleitor e futuro candidato derrotado de São Paulo, por onde deve concorrer à uma vaga na Câmara dos Deputados, Roberto Freire: “o que poderia ser uma solução agora começa a ser um problema. Não sei que alternativa temos".
É de fazer rir.
Ou de dar dó.
Fico com a primeira alternativa.

terça-feira, 18 de maio de 2010

AGORA SÓ FALTA SÃO PAULO

O Serra não ganha em Minas nem rezando

Não ter o ex-governador de Minas como seu vice já foi um desastre para Serra.
Não poder contar sequer com o voto dos mineiros, aí vai ser a hecatombe final.
Com essa os demo-tucanos não contavam.
Sem Minas Serra perde até para a Marina Silva.
E os mineiros indicam que não embarcarão na canoa furada serrista.

É o que diz a Carta Maior.

“MINAS ABANDONA SERRA:

Nova Vox Populi constata acelerada erosão da candidatura Serra em Minas Gerais. Em janeiro, o candidato da coalizão demotucana tinha 43% dos votos dos mineiros, contra 28% para Dilma, uma vantagem de 15 pontos. No levantamento de 12 de maio agora, Serra caiu para 39% das preferências e Dilma saltou para 35%, uma diferença de apenas 4 pontos. A mesma pesquisa
mostra o ex-ministro Hélio Costa (PMDB), liderando a disputa do Estado, com 45% das intenções de voto, contra 17% do atual governador, Antonio Anastasia (PSDB). Com esse resultado, Costa seria eleito no 1º turno. A nova Vox Populi torna mais distante o sonho tucano de trazer Aécio para vice de um Serra em espiral descendente”.
O processo erosivo da candidatura Serra em Minas minará São Paulo.
No quesito “vamos abandonar o Serra e os tucanos se não a gente se ferra e entre pelo cano” só falta a adesão de São Paulo.
O Brasil já o fez há muito tempo.
Em 2002.
Pra ser mais exato.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

SERRA VAI À MINAS EM BUSCA DE SEU VICE E PARA TENTAR JUNTAR OS CACOS

Depois da quele beijo...
O Serra está muito bem.
No Datafolha.
Porque, como ficou visto, o Datafolha fez Serra um vencedor.
Em São Paulo.
A manipulação da pesquisa regional Databranda foi descoberta. Só o PT não percebeu.
Por isso Serra vai à Minas Gerais nesta segunda, 19.
Porque 65% dos mineiros preferiram Lula em 2002 e 2006.
Depois da truculência com que tratou Aécio Neves para tirá-lo do seu caminho e se tornar o pré-candidato tucano à Presidência, Serra tenta convencer a mineirada a lhe dar um voto de confiança.
Não acho que Serra impeça novo tropeço e outro vexame em outubro na terra de Aécio.
Porém, algo me recomenda não crer piamente na reticência demonstrada pelo neto de Tancredo.
Eu não apostaria um centavo nessa insatisfação de Aécio Neves com Serra.
E acho que ele aceitará ser o vice do Zé Inacabado.
Que aceite. Mesmo perdendo o Senado e ficando sem mandato durante algum tempo, seu prejuízo será consideravelmente menor do que o de seu colega (e cabeça de chapa).
O tucanato insiste em fingir que tem alguma certeza de vitória com Serra.
Porque não tem. E sabe disso.
O PSDB teve um sonho e nesse sonho uma voz dizia que se Aécio fosse o vice de Serra, este ganharia da Dilma em Minas.
E se ganhasse em Minas, ganharia no Brasil.
Porque o Brasil começa em São Paulo e termina em Minas.
Para o PSDB.
Em linhas gerais é isso.
Simples assim.
Serra + Aécio = vitória no primeiro turno.
Só falta combinar com 51% do eleitorado.
De Minas.
É que dos municípios que concentram os maiores colégios eleitorais de Minas, 22 prefeitos apoiarão Dilma Rousseff.
Apenas 13 dizem apoiar José Serra, dois trabalharão para Marina Silva e outros treze ainda não definiram seu candidato.
O que chama a atenção mesmo é o fato de Serra não ter sequer o apoio nem dos prefeitos da base de sustentação ao Governo Mineiro. Pelo menos quatro prefeitos, sendo um do PSDB, dois do PPS e um do DEM estão indecisos entre apoiar Serra ou Dilma.
As informações são do Vermelho.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

O BEIJO INTRAGÁVEL

Que beijinho doce...
Blogueiros de todo o Brasil classificaram como insólita uns e demagógica outros, a cena do beijo dado pelo Zé Alagão em Aécio Neves.
Um gesto nauseante jamais visto no meio político.
Uma profanação aos reais sentidos que pode ter um beijo.
E um aviso funesto da chegada de uma pesarosa carga de azar dado à vítima beijada, o governador mineiro.
Estudos indicam que um beijo pode ser doce, lento, rápido, suave, simples, quente.
Contudo, nem a Ciência foi capaz de atribuir outra denominação que classifique o beijo do tucano. Frio e falso.
Como o de Judas Escariotes.
Não há vocabulário capaz de dizer o que os lábios transmitem em um beijo. Imagine o bico de uma ave.

O beijo, dizem, é uma arte.
O do Serra, um desastre.
Serra deve ser adepto do Kama Sutra.
Porque seu beijo expressou o maior e mais forte dos sentimentos que carrega por trás de suas horrendas olheiras: o do desprezo pelas pessoas, em especial a quem beija.

Beijar é protagonizar um ato no qual paladar, tato e o olfato se combinam.
O beijo vindo das dilatadas gengivas vampirescas de Zé Serra tem o sabor amargo da derrota.
Sem tato nem pudores, Serra apelou feio.
Quem viu o esforço de Aécio para se livrar das embaraçosas garras serranas, pode imaginar que o beijo pegajoso do vampiro paulista tem inomináveis propriedades de matar pelos fortes odores.
O beijo libera uma carga de reações emocionais que podem transportar a pessoa para o “céu”
Se isso fosse verdade, é possível que o do Serra leve qualquer um para o inferno – o astral, quando nada dá certo.

Quando o assunto é beijo, segundo o Kama Sutra, existem lugares recomendados para iniciar a "batalha" (para Serra a “batalha” é política), como: a testa, os olhos, as bochechas, o peito, os seios, a zona abaixo da boca, a cabeça, a nuca e o pescoço junto com a clavícula.
Serra escolheu as bochechas mineiras de Aécio. O beijou de peito aberto e com um sorriso sínico.
Uma cabeçada abaixo da linha da cintura desferido na esperança.
Serra é um desesperado.
Pra ele é tudo ou nada.
Terá a segunda alternativa.
Sem que seja possível comprovar, conta-se que o beijo entre um homem e uma mulher foi dado pela primeira vez, entre 500 a.C a 1500 a. C.
Sabe-se mesmo é que o dia internacional do beijo é 13 de abril.
Os tucanos escolheram mal a data para lançar Serra candidato.
Erraram por três dias.
Mas acertaram no sentido e no gesto: o beijo de Serra é flagrante demagogia e desesperada tentativa de demonstrar unidade entre os tucanos. E mais: uma cartada decisiva na espera de que Aécio Neves mude de idéia e aceite ser o vice de sua chapa.
No mais, serviu o beijo do emplumado vampiro, para avivar nossas mentes para o fato de que Judas entregou Jesus com um beijo. E com um beijo, Serra não trai apenas seu correligionário, mas, sobretudo, o povo brasileiro.
Talvez Aécio Neves se aperceba disso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ESCONDER FHC SEMPRE NÃO CAI BEM

Ninguém quer ele por perto.
O Almanaque publica o seguinte post do Luís Nassif:

FHC discursará no lançamento de Serra
Do Estadão

FHC fará discurso em lançamento de Serra
Lista de oradores do encontro não está definida, mas os três partidos de oposição já bateram o martelo em relação ao nome do ex-presidente
07 de abril de 2010 0h 00

Christiane Samarco / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Ausência mais notada na cerimônia em que José Serra despediu-se do governo de São Paulo na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não será “escondido” na festa, em Brasília, para lançamento da pré-candidatura do tucano à Presidência.
O encontro nacional que reunirá o PSDB, o PPS e o DEM será no próximo sábado. Embora líderes dos três partidos ainda não tenham “batido o martelo” sobre o formato do evento, está decidido que FHC terá a palavra como presidente de honra do PSDB.

O tucanato avalia que, em encontros desse tipo, a regra geral é muito barulho, dispersão e pouca atenção aos oradores. Por isso, os organizadores estão empenhados em realizar uma cerimônia que não dure além de quatro horas. Esse modelo não comporta mais do que meia-dúzia de oradores – todos orientados a fazer discursos curtos até que Serra tome o microfone para apresentar sua candidatura. A ideia é fazer com que a estrela da festa comece a discursar ao meio-dia. Só o pré-candidato terá tempo franqueado para falar sem pressa.

“O Serra ficou muito calado esse tempo todo”, diz o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). “Como ele tem falado pouco, os brasileiros querem ouvir muito mais sobre o que ele fez, o que faz e o que fará pelo Brasil.” O foco da cerimônia é criar um espaço político para que Serra possa apresentar suas ideias sem infringir a Lei Eleitoral, que não permite campanha até o lançamento oficial das candidaturas nas convenções partidárias de junho.

Vozes. Além de FHC, também terão direito a voz os presidentes nacionais das três legendas. Vice dos sonhos da aliança, o ex-governador de Minas Aécio Neves, falará em nome dos governadores. E os partidos avaliam a conveniência de convidar uma prefeita da aliança para falar como representante das mulheres.
Também estarão presentes líderes e dirigentes de outros dois partidos, o PTB e o PSC, que os tucanos querem incluir na aliança, além de dissidente da base do governo, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), que deve disputar o governo de Pernambuco para dar mais um palanque forte a Serra no Nordeste.

A programação incluirá exibição de um vídeo sobre Serra, preparado pelo publicitário Luiz Gonzales, que deverá cuidar do marketing da campanha.

Guerra não arrisca palpite sobre o conteúdo do discurso de Serra, que está sendo alinhavado pelo próprio pré-candidato. Ele avalia que a adversária petista Dilma Rousseff subiu o tom e exibe postura mais agressiva, mas não se queixa: “O discurso da Dilma é ótimo para nós. Quanto mais brava ela estiver, melhor”. O tucanato acredita que Serra se apresente exibindo serenidade.

No Twitter

Ontem, depois de contar que passou o feriado empacotando coisas, José Serra confidenciou que um de seus seriados preferidos é Monk, um detetive hipocondríaco e que sofre de TOC.

terça-feira, 23 de março de 2010

UM VICE. DESESPERADAMENTE PROCURA-SE

Do blog do PCdoB, o vermelho

Em busca de um vice, Serra esbarra em muitas encrencas

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), demorou meses para revelar seu segredo de polichinelo e confirmar que seria candidato à Presidência da República. Agora, corre contra o tempo para tentar arranjar um candidato a vice que sustente suas pretensões. Nesta busca, Serra tem enroscado em muitas encrencas e pode acabar tendo que engolir um companheiro ou companheira de chapa com potencial para tirar mais votos do que agregar.


Charge de Alves para. A Charge Online

Antes de explodir o escândalo político no Distrito Federal, Serra namorava a idéia de convidar o então único governador do Democratas, José Roberto Arruda, para ser seu vice. Mas agora Arruda está preso e, de quebra, arrastou para o buraco a credibilidade do seu antigo partido, o DEM, causando um tremendo mal estar para a aliança demo-tucana.

Com o DEM enfraquecido, fortaleceu-se entre os tucanos a proposta de formar uma chapa puro sangue, com um vice do próprio PSDB. O nome para ocupar tal posto era incontestavelmente o do governador mineiro Aécio Neves, tido e havido nas rodas oposicionistas como a verdadeira salvação da lavoura. Acontece que o neto de Tancredo só foi cogitado para a vaga de vice pois suas pretensões eleitorais de ser o cabeça da chapa foram simplesmente tratoradas pelo tucanato paulista, que impôs Serra como candidato à sucessão de Lula. Analistas que desfrutam de alguma intimidade com Aécio dizem que a forma como o governador mineiro foi preterido na escolha provocou uma mágoa difícil de ser superada.

Os tucanos ainda tentam convencer Aécio a aceitar o papel secundário de vice de Serra. Mas o governador mineiro já deu todos os sinais de que não vai embarcar nesta canoa. Assim, Serra não apenas perde o seu “vice ideal” como também abre espaço para que parte do eleitorado mineiro dê o troco em outubro, preferindo votar em outra mineira, a pré-candidata petista Dilma Rousseff. Além disso, com Aécio fora da disputa presidencial, o DEM sentiu-se encorajado a reivindicar novamente a vaga de vice.

Demos à disposição
E aí novas encrencas surgem no já nebuloso horizonte eleitoral do tucano. Os nomes cogitados pelo DEM oscilam entre o indesejável e o insosso. Até o momento, a imprensa apresentou três pretensas indicações: a senadora Kátia Abreu (TO), o ex-governador da Bahia Paulo Souto e o senador Agripino Maia (RN).

Destes três nomes cogitados pelo DEM, a senadora Kátia Abreu pode parecer, à primeira vista, ser a melhor opção: é mulher (ajudaria numa disputa em que a principal adversária de Serra também é uma mulher), é de um estado da região Norte-Nordeste do país (onde Serra precisa de mais votos) e preside a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), representando um setor importante do país, o dos produtores rurais. Porém --e este é um grande porém—os interesses que Kátia Abreu defende estão identificados com o que há de mais atrasado na política brasileira. Líder da bancada ruralista, a senadora não se envergonha de defender pessoas, empresas e projetos que flertam com o trabalho escravo, o trabalho infantil, o desmatamento, a poluição, a violência no campo, a grilagem, a concentração de terras e várias outras mazelas praticadas pelo latifúndio. Não bastasse isso, ela também é acusada de desviar verbas da CNA para irrigar suas próprias campanhas eleitorais. Não é à toa que entre os três nomes cogitados pelo DEM, o da senadora é o que José Serra menos gostaria de ter como companheira de chapa, ainda mais numa disputa em que os temas ambientais estarão em evidência.Indiferente à opinião do governador paulista, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), outro arauto dos interesses do latifúndio, defende a senadora. Questionado sobre a resistência de Serra ao nome de Kátia Abreu, ele despista: “Não sei fazer essa análise. Não posso dizer o que o PSDB pensa”.

Segundo Caiado, não é hora de colocar a questão do vice em primeiro plano. “É preciso fazer esse debate como menos paixão e mais racionalidade. O partido tem quadros, vai discutir, não pode ter uma posição 100% rígida. Tem que buscar uma somatória [à candidatura Serra], temos que construir uma chapa vencedora”, disse o deputado em entrevista ao site Terra Magazine.
Apesar do apelo de Caiado por um debate com menos afobamento, dois outros nomes já começam a ser ventilados entre os demos: o do ex-governador baiano Paulo Souto e o do líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN).
Souto insiste na tese de que será candidato ao governo da Bahia, com a missão de ressuscitar o carlismo naquele estado. A escolha de seu nome seria conveniente para Serra por dois motivos: ele é de um estado nordestino e sua saída da disputa pelo governo baiano poderia ampliar o apoio a Serra no estado. “A indicação de Souto poderia ganhar força caso abrisse canal de negociação com o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) na Bahia. O PSDB poderia apoiar Geddel no Estado, se o acordo tirar o PMDB do palanque de Dilma”, especula a Folha de S. Paulo em matéria publicada nesta terça (23). Mas tal especulação parece muito mais a expressão do desejo do tucanato de ter um palanque ampliado na Bahia do que propriamente a intenção dos candidatos ao Palácio de Ondina.

Restaria então o nome de Agripino Maia. O senador potiguar, apesar de também ser do Nordeste, vem de um estado com um eleitorado relativamente pequeno (pouco mais de 2 milhões de eleitores) e seu perfil de coronel conservador não agregaria muita coisa à campanha de Serra. Seria a última opção do DEM.

Nova versão de chapa puro sangue.

Diante de opções pouco entusiásticas, aliados de Serra, especialmente na mídia, começam a ventilar a hipótese de uma nova versão de chapa puro sangue tucana, mas com o prefeito de Curitiba, Beto Richa, na vice. Richa é pré-candidato ao governo do Paraná. Lidera todas as pesquisas até o momento e nada indica que está disposto a trocar uma quase certa eleição ao Palácio Iguaçu (sede do governo paranaense) por uma quase certa derrota ao Palácio do Jaburu (residência oficial do vice-presidente).

Além disso, várias lideranças do DEM continuam defendendo que só se justifica uma chapa puramente tucana se Aécio for o vice. Se não for, o vice teria que ser de outro partido, ou seja, teria que ser do DEM, já que o PPS, que deve compor a coligação que dará suporte à candidatura Serra, não tem sido nem sequer cogitado para indicar um vice na chapa presidencial. E também não tem lideranças à altura do posto para oferecer.

Todas estas incertezas que cercam a escolha de um vice para José Serra revelam que o consórcio oposicionista ainda está sem rumo e se não encontrá-lo em breve poderá tornar ainda mais tormentosa uma campanha que já se desenha bastante difícil para a direita.


Da redação,
Cláudio Gonzalez

domingo, 7 de março de 2010

ZÉ ALAGÃO, O NÁUFRAGO

Deu no blog do Nassif:


Primeiro, conseguiu-se cooptar a mídia. Conseguiu-se o maior espaço que um político já teve na velha mídia, maior até que o de Fernando Henrique Cardoso.
Depois, terceirizou-se para ela o discurso de oposição. Não se cuidou de apresentar idéias-força que permitissem alguma ordem na tropa midiática.
Quais os novos valores pelos quais lutar? Qual o pensamento econômico, social, a visão de Estado do candidato? Qual a sua herança no governo de São Paulo, para se contrapor ao discurso da situação? Nada.
Apenas levantamento de fatos negativos, criação de factóides, ataques sistemáticos, miopia em relação a qualquer avanço registrado. E, do mundo, ecos cada vez mais insistentes de que alguma coisa estava dando certo por aqui.

O candidato Serra não passou o discurso, deixando a tropa solta. E aí, sai de baixo, porque despertou a força cega. E toca o coral a defender um neoliberalismo superado, combater as políticas sociais, insistir na Bolsa Esmola, confrontando tudo o que o PSDB histórico sempre defendeu e o que se pensava que seu candidato defenderia. Os verdadeiros tucanos, órfãos; e uma tropa agressiva tomando seu lugar e trazendo um discurso que, quando do PFL, provocava urticária em todos, da dona Ruth ao jovem militante.
Despertada a força cega, a indecisão de Serra, então, se manifestou em sua plenitude: ficou receoso de confrontar, de conversar com sua tropa para explicar que não era bem isso o que pensava. Tornou-se prisioneiro da sua criatura. O único ponto em comum era passar dicas de personagens que deveriam ser atacados pela banda mais barra-pesada da turma; ou slogans que deveriam ser repetidos pela banda mais leve. Só que a banda mais leve não conseguia avançar um milímetro além da crítica irracional e generalizante ao Estado.

Com essa estratégia monumental de Serra, os políticos profissionais se encolheram. Lá em Minas, Aécio, herdeiro das melhores tradições políticas de Minas, ousava discordar: não é assim, tem que se apresentar como continuidade melhorada, não pode falar mal de quem é popular. Quem ouvia? Toca os colunistas políticos, grandes especialistas em analisar o momento horário, a desancar o Aécio, mostrar que sabedoria política quem tinha era o Serra.
Como o único aliado do PSDB passou a ser a mídia, como enfrentar esse alarido?

O pobre do Saulo Queiroz, deputado do DEM, que sabe tudo de política, arrancava os cabelos meses atrás, vendo o único candidato viável – Aécio – sendo fritado pelos próprios companheiros. Ele imaginava a Dilma recomposta da doença, voltando a ter cabelos, desinibindo-se na campanha e soltando sua prosa mineira. Do outro lado, olhava Aécio, jovem, alegre, carismático; e olhava Serra, carrancudo, pesado, sem poder representar o novo. E arrancava os cabelos!

Em vão! Em Brasília, os estrategistas de Dilma torcendo para que Serra levasse sua indecisão o longe suficiente para impedir Aécio de pular de partido e se lançar candidato. Cada vez que essas notícias vazavam, lá vinham os doutores da alegria contra-argumentar: a situação está lançando esse balão esperando que a gente desista do nosso campeão, o Serra.
O clima ficou tão histérico, o radicalismo dos novos formuladores da política tão exacerbado que se cercasse virava hospício; se cobrisse, virava circo.
Virou uma festa, como nesses jogos de guerra, ou de banco hipotecário: todo jornalista do grupo brincando de fazer política. E, pior, acreditando que seu jogo era sério. Colunistas se tornaram estrategistas políticos, se abandonar a visão de torcedores, cada qual com um trunfo debaixo da manga, com a fórmula salvadora ou desesperada.
Toca o parajornalista daqui a lançar a candidatura Serra-Marina; a brava colunista econômica ordenando à oposição que levantasse tais e tais temas – todos negativos, todos apenas criticando, sem nenhuma proposição. Ou então o coro dos iludidos batendo no Aécio por não ter aceitado a nobre missão de ser… vice. Uma balbúrdia infernal, cada qual com sua fórmula milagrosa para salvar a candidatura Serra. E o pobre do Saulo arrancando os cabelos.
O resultado final está aí. O PSDB ficou refém dessa balbúrdia. E a força cega da mídia impediu que se construísse uma candidatura alternativa, uma bóia capaz de salvar a oposição do naufrágio.