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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

PARA QUEM DIZ QUE NÃO HOUVE DITADURA...

O ALMANAQUE da crônica publica post do Azenha, no seu blog.

Sader: Quanto vale a palavra de torturadores?


por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

O Superior Tribunal Militar abriu o processo da Presidenta eleita, Dilma Rousseff, que um órgão da imprensa – aquele cuja executiva disse que a mídia é o partido político da oposição – buscava afoitamente na reta final da campanha eleitoral.

O que teremos nesse processo? A versão que os torturadores davam das suas vítimas, dos torturados. Essa mesma imprensa que reclamava, com razão, da censura, vai agora acreditar no que os verdugos diziam do crime monstruoso da tortura, que praticavam? E do comportamento das vitimas indefesas desse crime hediondo?

É como se levassem a sério o que os censores devem ter escrito sobre as publicações que censuravam e os jornalistas. Nós nunca os tomaríamos a sério, utilizamos os documentos da censura para denunciar ainda mais o obscurantismo da ditadura.

O processo tem que ser mais um instrumento de denúncia da tortura – crime imprescritível – e não instrumento de manipulação política justo do jornal que emprestou carros para que a órgãos da ditadura, disfarçados de jornalistas, cometessem suas atrocidades. O mesmo órgão que considerou que não tivemos uma ditadura, mas uma “ditabranda”.

O processo é um testemunho dos agentes do terror, daqueles que assaltaram pela força o Estado, destruíram a democracia e se apropriaram dos bens públicos para transformá-los em instrumentos dos crimes hediondos que cometeram – em nome da “democracia”.

Nas mãos de democratas, se transformará em mais uma prova da brutalidade dos crimes cometidos pela ditadura militar contra seus opositores. Nas mãos dos que foram complacentes e se beneficiaram da ditadura, será instrumento político torpe. A mídia que acreditar no que diziam os torturadores, será conivente com eles, ao invés de denunciar os crimes que eles cometeram.

Para os que se sujaram com a ditadura é insuportável que houve gente que se comportou com heroismo e dignidade. Querem enlamear a todos, porque se houve tanta gente que resistiu à ditadura, mesmo em condições limites, havia alternativa que não a conciliação e a conivência com a ditadura.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FICHA DA DILMA: ARMAÇÃO DA FOLHA

A respeito do direito à Folha de examinar o processo da presidente eleita Dilma Ropusseff, concedido pela Justiça, publico postagem do jornalista Paulo Henrique Amorim, no seu blog Conversa Afiada.

O que a Folha quer com a ficha da Dilma ?

A Folha (*) comemora na primeira página: STM concede à Folha o direito de examinar o prcoesso da Dilma no regime militar.


Primeiro, o que a Folha (*) queria ?

A Folha queria abrir o passado da Dilma durante a campanha presidencial e ajudar o Serra e o índio a pendurar nas costas da Dilma o estigma de matar adultos, além de matar criancinhas.

O capítulo das criancinhas foi aberto pela Grande Estadista chileno-brasileira Mônica Serra.

O STM não deixou a Folha ajudar o Serra nesse aspecto.

Com a surra que a Dilma aplicou no Serra – 56% a 44% – o que a Folha agora quer ?

Primeiro, ir à forra da ficha falsa.

A Folha publicou uma ficha falsa da Dilma, que se tornou uma das notáveis “barrigas” da Imprensa Mundial.

A Folha vai tentar demonstrar que a ficha falsa é verdadeira.

Segundo, a Folha quer pegar a Dilma na mentira.

A Dilma e inúmeros colegas de militância asseguram que a Dilma não participou de nenhuma ação armada.

A Folha vai querer mostrar que a Dilma pegou em armas, roubou o cofre do Ademar, matou criancinhas, e derrubou as Torres Gêmeas.

Terceiro, a Folha quer desmoralizar a Dilma e reproduzir declarações e situações nascidas no processo de tortura.

Quarto, a Folha quer dar legitimidade a uma máquina repressiva e judicial construída no regime militar.

Quinto, a Folha quer re-instalar o regime militar e seus mecanismos no regime democrático que a Dilma respeitou e no qual se tornou vitoriosa.

Sexto, a Folha quer reestabelecer a legitimidade das práticas do regime militar a que ela, a Folha, serviu com devoção e fidelidade.

Serviu de diversas maneiras.

Serviu quando cedeu os carros de reportagem para transportar torturadores e vítimas de torturadores.

Serviu ao transformar seus jornais em instrumentos da repressão e da ocultação de crimes hediondos.

Sétimo, a Folha quer constranger a Dilma.

A Folha quer fazer o que o senador Agripino Maia não conseguiu: transformar o Regime Militar num regime constitucional inglês e a Dilma numa terrorista.

Oitavo, a Folha avisa a presidente eleita que a combaterá sem tréguas.

Nono, a Folha quer impedir que a Dilma faça uma Ley de Medios.

Décimo, para a Folha, a Dilma é o Marighella, que será abatido num cruzamento dos Jardins, entre a Avenida Paulista e a Rua Estados Unidos.

 
Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

TIRIRICA: A VITÓRIA CONTRA O PRECONCEITO E A DESMORALIZAÇÃO DA JUSTIÇA

O pior crime cometido pelo Tiririca foi ele ter nascido no Nordeste.
E ser de origem pobre.
Como o Lula.
Um retirante que conheceu o flagelo da fome nos confins do agreste pernambucano.

Tiririca não teria sido acusado de ser analfabeto e sofrido a humilhação que sofreu a ponto de ver ameaçada sua diplomação se fosse paulista ou paulistano.
Se tivesse olhos azuis, diploma de nível superior e falasse inglês.
Tiririca é vítima do preconceito e da arrogância que corroi por dentro a elite brasileira.
Uma elite abominavelmente conservadora para qual trabalha e serve – de forma escandalosa – grande parte da Justiça.

O deputado federal mais votado do país foi obrigado a fazer um teste realizado pela Justiça Eleitoral de São Paulo para provar que sabe ler e escrever.

E provou que sabe.
Mas nem precisava provar.

Porque diz a Constituição Federal Brasileira que todos são iguais perante a Lei.

Isto quer dizer que, ainda que fosse analfabeto, isso não impediria Tiririca de ser candidato.
A própria Carta Magna preconiza a todo e qualquer cidadão brasileiro o direito de votar e ser votado.
O branco e o preto; o rico e o pobre; o bonito e o feio e alfabetizado e o analfabeto.

Caso quisessem barrar a candidatura do Tiririca que o tivessem feito quando de seu registro e não depois do resultado das urnas.
Aí é jogo baixo, jogo sujo e rancoroso, mesmo.
Por não ter sido acusado de corrupção ativa nem passiva, estelionato, evasão de divisas ou tráfico de drogas ou influência antes, durante nem após a eleição o mínimo que se pode concluir é que Tiririca está pagando o preço de ser um “abestado”.
Tiririca tem a cara do povo, o jeito do povo, o sentimento do povo brasileiro.
Um povo que congrega em si um misto de pureza e de sensibilidade, uma mistura de humildade e solidariedade extrema e extremada.
Um povo demasiadamente bom, que extrapola, por vezes, seus próprios limites e beira a ingenuidade.
Tiririca recebeu 1.300 mil votos da população do maior estado brasileiro.
Sua votação ajudou eleger mais cinco deputados de sua coligação.

A elite imaginava que derrubando o palhaço Tiririca derrubaria também os demais deputados que ele elegeu.
Entre estes deputados estaria o Delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
O delegado Protógenes mandou prender duas vezes o banqueiro Daniel Dantas por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Ocorre que Queiroz teve votos suficientes que garantiram a sua eleição.
Ele é do PC do B, partido da base de apoio do Presidente Lula.
Assim como Tiririca e todos os parlamentares que tiveram sua ajuda, apoiarão a Presidente Dilma no Congresso.

Está devidamente explicada a razão de tantas e vexatórias manobras para prejudicar um deputado cujo pecado maior é não trabalhar na Globo.

Agora, me responda, você que me acompanha:

De quem é mesmo a palhaçada nessa lambança toda? Do Tiririca é que não é porque ele provou que sabe ler, escrever e até interpretou um texto ditado pelo juiz.
Como fica a cara do Promotor que o acusou sem provas e sem base legal?

Isto sim, é uma palhaçada.
E o deputado Francisco Everardo, o Tiririca, definitivamente, não é o palhaço.





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PORQUE ELES ODEIAM O ENEM

Conversa Afiada: O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.
Uma desmoralização arrasadora.
É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.
0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.
Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.
Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.
Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?
Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.
O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.
Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !
30 vezes, amigo navegante.
Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.
O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.
O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.
O que é o ENEM ?
É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.
Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.
Fica com mania de grandeza, de autonomia.
Pensa que pode mandar no seu destino.
E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.
Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.
Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.
Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.
Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).
Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?
O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !
Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.
Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …
“Público” quer dizer “de todos”.
Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?
Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !
Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?
Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?
Nordestina pobre com diploma de médica ?
Vai faltar pedreiro.
Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A FOLHA - COMO O JORNALISMO BRASILEIRO - CHEGOU AO FUNDO DA POÇA

A expressão “chegou ao fundo do poço” nos remete a chegada de alguém no ponto final da caminhada.
O “fundo do poço” é o “podium” dos que sucumbiram à derrota, é o “sub-altar” onde são sacrificados os parciais que faltaram à isenção e à verdade.
Chegar ao “fundo do poço” é ver fechadas todas as saídas, é olhar para os lados e dá de cara com as paredes do fosso.
Quem chega ao “fundo do poço” perde contato com a realidade e a noção do tempo porque só vislumbra o crepúsculo.

Pior, porém não menos humilhante e sintomático que o fundo do poço é chegar ao fundo da poça.
Os fatores de diferenciação entre o poço e a poça são, respectivamente, ÁGUA e LAMA.
É certo que o poço até pode está seco ou entupido de lixo.
Mas sempre que pensarmos no poço nos lembraremos da água existente em suas profundezas.
Já não se pode dizer (nem pensar) o mesmo da poça de lama.
Quem chega ao fundo da poça de lama não apenas foi por esta infectado e tragado, mas nela metamorfosicamente se materializou e tomou sua forma nas suas substâncias e odores.
Não está somente no fundo, mas na superfície, no centro, nas margens e em todas as dimensões da poça: é a própria lama.

A Folha de São Paulo é exemplo típico e fétido de um jornal que chegou ao fundo da poça.
A matéria deste domingo da repórter Fernanda Odilla “Enviada Especia ao RS” é uma catástrofe do ponto de vista do jornalismo ético, apartidário, independente e imparcial.
E um hino de exaltação ao jornalismo pernóstico, de esgoto e da sarjeta.

É lama na sua real essência.

A Folha envia especialmente uma jornalista a Porto Alegre em mais um episódio da série “os desesperados” que objetiva “fuçar” a todo custo e em qualquer circunstância o passado e a vida da candidata à Presidência Dilma Rousseff.
O que denota despreparo e incompetência ou por outra que há um déficit de”bons” repórteres na capital gaúcha.
A pseuda matéria tem o patético título “Dilma já vendeu bugigangas e “Cavaleiros do Zodíacos” no RS”.
A Folha está à “reboque” do resultado das pesquisas – inclusive das de seu próprio instituto – que dão como favas contadas a surra de seu candidato, José Serra.
A Folha sabe – como sabe o Carlos Augusto Montenegro – que o Brasil já tem uma Presidente.

Que essa eleição acabou.
Já está no papo.
E que o Serra já era.
O Folha não faz nada diferente do que sempre fez.
A política do Serra e do PSDB.
A política da baixaria, da truculência, do preconceito, da arrogância e da infâmia.

Querer atribuir a alguém a pecha de incompetente por não ter obtido êxito empresarial associando isto ao plano político é de uma pobreza jornalística sádico e um ridículo contumaz.
É tentar diminuir o caráter e a integridade ética e moral dessa grande mulher, obscurecer o presente pelo seu passado.
A Folha se contorce e se retorce, faz malabarismos e rapa-pés para encontrar na lama onde fuça algo que ofusque a vida de Dilma Rousseff.

Até onde se sabe, vender artigos de brinquedos e tudo o que estiver no ramo comercial e dentro da lei não desabona a honra de ninguém.
Enquanto Dilma vendia brinquedos, Serra e FHC brincavam de vender a Petrobras e Vale.
Parece obvio o fato de Dilma não ter “quebrado” como empresário sob um governo que QUEBROU o Brasil três vezes e o botou de joelho aos pés do FMI.

É melhor vender brinquedos que simbolizam os sonhos e a alegria de uma criança do que vender mentiras e trair o sonho de uma Nação.

O material da Folha é de uma apelação tão vulgar quanto eticamente pobre e evidencia a bestial necessidade da repórter em associar o nome da empresa “Pão & Circo” à política romana de calar os insatisfeitos Roma Antiga.
A pujante economia do fenomenal Lula nos assegura afirmar que Dilma não precisaria fechar sua “Pão & Circo” se tivesse esperado para abri-la depois de 2002.
E estaria vendendo suas flores, perfumes, tapeçarias, livros, eletrônicos e bebidas feito água.
Não há paralelos na economia do Serra e de Lula.

A economia do Serra era a da falência, do pires na mão e do desemprego.
A de Lula é a economia do desenvolvimento sustentável, do crescimento para todos, da inserção de classes e de 14 milhões de emprego.

Fechar empresa não denigre a imagem de um empresário.
A aminética Folha não lembra o nome do Presidente da República em 1996.

É compreensível. Quem está no fundo da poça e chafurda na lama perdeu mesmo a noção do real, que dirá do passado.
E cai abobalhadamente e tão naturalmente assim no ridículo.







quarta-feira, 25 de agosto de 2010

DAATAFOLHA, VEXAME E FANTASIA


Dilma em "disparada" na TV



Marcos Coimbra: a "disparada" de Dilma e o vexame do Datafolha

Pesquisas nas quais não se pode confiar são um problema. Elas atrapalham o raciocínio. É melhor não ter pesquisa nenhuma que tê-las. Ao contrário de elucidar e ajudar a tomada de decisões, confundem. Quem se baseia nelas, embora ache que faz a coisa certa, costuma meter os pés pelas mãos.

Por Marcos Coimbra*, no Correio Braziliense

Isso acontece em todas as áreas em que são usadas. Nos estudos de mercado, dá para imaginar o prejuízo que causam? Se uma empresa se baseia em uma pesquisa discutível na hora de fazer um investimento, o custo em que incorre?

Na aplicação das pesquisas na política, temos o mesmo. Ainda mais nas eleições, onde o tempo corre depressa. Não dá para reparar os erros a que elas conduzem.

Pense-se o que seria a formulação de uma estratégia de campanha baseada em pesquisas de qualidade duvidosa. Por mais competente que fosse o candidato, por melhores que fossem suas propostas, uma candidatura mal posicionada não iria a lugar nenhum.
Com a comunicação é igual. Boas pesquisas são um insumo para a definição de linhas de comunicação que aumentam a percepção dos pontos fortes de uma candidatura e que explicam suas deficiências. As incertas podem fazer que um bom candidato se torne um perdedor.

E na imprensa? Nela, talvez mais que em qualquer outra área, essas pesquisas são danosas. Ao endossá-las, os veículos ficam em posição delicada.

A primeira página

Neste fim de semana, a Folha de S.Paulo divulgou a pesquisa mais recente do Datafolha. Os problemas começaram na manchete, que se utilizava de uma expressão que os bons jornais aposentaram faz tempo: “Dilma dispara...”. “Dispara..”, “afunda...” são exemplos do que não se deve dizer na publicação de pesquisas. São expressões antigas, sensacionalistas.
Compreende-se, no entanto, a dificuldade do responsável pela primeira página. O que dizer de um resultado como aquele, senão que mostraria uma “disparada”?
Como explicar que Dilma tivesse crescido 18 pontos em 27 dias, saindo de uma desvantagem para Serra de um ponto, em 23 de julho, para 17 pontos de frente, em 20 de agosto? Que ganhasse 24 milhões de eleitores no período, à taxa de quase um milhão ao dia? Que crescesse 9 pontos em uma semana, entre 12 e 20 de agosto, apenas nela conquistando 12,5 milhões de novos eleitores?

O jornal explicou a “disparada” com uma hipótese fantasiosa: Dilma cresceu esses 9 pontos pelo “efeito televisão”. Três dias de propaganda eleitoral (nos quais a campanha Dilma teve dois programas e cinco inserções de 30 segundos em horário nobre), nunca teriam esse impacto, por tudo que conhecemos da história política brasileira.
Aliás, a própria pesquisa mostrou que Dilma tem mais potencial de crescimento entre quem não vê a propaganda eleitoral. Ou seja: a explicação fornecida pelo jornal não explica a “disparada” e ele não sabe a que atribuí-la. Usou a palavra preparando uma saída honrosa para o instituto, absolvendo-o com ela: foi tudo uma “disparada”.
É impossível explicar a “disparada” pela simples razão de que ela não aconteceu. Dilma só deu saltos espetaculares para quem não tinha conseguido perceber que sua candidatura já havia crescido. Ela já estava bem na frente antes de começar a televisão.

Mas as pesquisas problemáticas não são danosas apenas por que ensejam explicações inverossímeis. O pior é que elas podem ajudar a cristalizar preconceitos e estereótipos sobre o país que somos e o eleitorado que temos.
Ao afirmar que houve uma “disparada”, a pesquisa sugere uma volubilidade dos eleitores que só existe para quem acha que 12,5 milhões de pessoas decidiram votar em Dilma de supetão, ao vê-la alguns minutos na televisão. Que não acredita que elas chegaram a essa opção depois de um raciocínio adulto, do qual se pode discordar, mas que se deve respeitar. Que supõe que elas não sabiam o que fazer até aqueles dias e foram tocadas por uma varinha de condão.

Pesquisas controversas são inconvenientes até por isso: ao procurar legitimá-las, a emenda fica pior que o soneto. Mais fácil é admitir que fossem apenas ruins.


* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

quinta-feira, 8 de julho de 2010

DILMA NÃO É ROSEANA. DILMA NÃO É LUNUS. DILMA É LULA

Não deu mais para ler
Saiu na Folha: Receita apura se dinheiro "no colchão" de candidatos tem origem lícita

Segundo afirma Ciro Gomes, José Serra numa campanha é certeza de baixaria.
Se for preciso, Serra passa com um trator por cima da própria mãe, diz Ciro.
Na eleição de 2002 Serra tirou de seu caminho a então candidata à Presidência da República e governadora do Maranhão pelo PFL, Roseana Sarney.
Roseana era líder disparada nas pesquisas de opinião.
O episódio ficou conhecido como o Caso Lunus, onde grampos telefônicos ilegais, um dossiê armado e uso político da Polícia Federal levaram Roseana a renunciar sua candidatura.
Sem querer, José Serra deu a maior contribuição ao candidato pelo PT, Luís Inácio Lula da Silva.
Com a campanha polarizada entre petistas e tucanos Lula aplicou uma estrondosa surra em Serra, fato improvável se Roseana estivesse no páreo.
Nesta quarta feira, eu disse aqui no Almanaque da crônica que está em curso na mídia conservadora outra campanha: a de levantar fatos e factóides que incriminem a candidata petista Dilma Rousseff.
Publicações independentes dão como certa que a ordem a chafurdar a vida passada de Dilma, sobretudo sua atuação no período da ditadura militar.
Vinculadas no Jornal Nacional nos sábados, as notícias fomentariam os jornais do domingo e repercutiriam no Congresso Nacional ao longo da semana.
No mesmo e surrado script de sempre.

Bastou a ex-ministra da Casa Civil declarar que mantem 113 mil reais em espécie para a Folha sensacionalisticamente brandir: Receita apura se dinheiro no “colchão” é crime.
Um ensaio de acusação, um arremedo de denúncia sem pé nem cabeça.
A Folha tenta dar a entender que Dilma está sendo investigada pela Receita.
Que Dilma comete um crime ao manter em casa “elevada soma em espécie”.
Crime cometeu a Folha.
Ao publicar uma ficha falsa de Dilma Rousseff.
Ao transportar agentes torturadores em seus carros de reportagem.
Ao dizer que o regime de exceção não passou de uma “ditabranda”.
Tem o DNA da baixaria de campanhas do Serra nisso aí.

A baixaria do Serra está a penas começando.
Só falta lembrar ao Serra e à Folha que Dilma não é Roseana.
A Dilma não é Lunus.
Dilma é Lula.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.


terça-feira, 29 de junho de 2010

O DESEJO DO PIG SE CONCRETIZOU QUANDO A FOLHA "ELIMINOU" O BRASIL

Quem vai sair de circulação é a Folha
'Lamentamos o erro', diz Folha sobre anúncio que 'eliminou' Brasil da Copa
Anúncio do Extra, do Grupo Pão de Açúcar, 'eliminava' país da competição.
Jornal diz que próxima edição terá 'anúncio-errata' sobre o assunto.
Até as pedras sabem.
O real desejo do PIG é o fracasso do técnico Dunga na África do Sul.
Querem enterrar Dunga e a Seleção Brasileira.
Este "erro" da Folha é uma evidência da vontade que domina as entranhas da grande imprensa nacional.
Quem deve ser eliminado é o PIG.
Como o seu candidato Zé Pedágio será.
Outubro os espera.
Vão se dar mal.


Seleção brasileira é 'eliminada' em anúncio da rede Extra

Diniz diz que culpados vão responder por anúncio que 'eliminou' BrasilO jornal "Folha de S. Paulo" afirmou no início da noite desta terça-feira (28) que lamenta a publicação de anúncio da rede de supermercados Extra que destacava a "eliminação" da seleção brasileira da Copa do Mundo na edição desta terça do jornal. Na segunda-feira (28), o Brasil venceu o Chile por 3 a 0 nas oitavas-de-final da competição.

"A Folha de S.Paulo esclarece que no dia 29/6/2010, no Caderno 'copa 2010', pág D11, foi publicado equivocadamente um anúncio do Hipermercado Extra, devido a problema ocorrido na área de inserção de anúncios. A publicidade insinua que o Brasil não teria se classificado para a próxima fase da copa. Lamentamos o erro", diz a nota enviada ao G1.

Segundo o jornal, a edição de quarta-feira trará um "anúncio-errata" sobre o assunto.

O texto publicado erroneamente na "Folha" nesta terça era o seguinte: "A I qembu le sizwe (que significa seleção, no idioma africano zulu) sai do Mundial. Não do coração da gente. Valeu, Brasil. Nos vemos em 2014."

Mais cedo, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, afirmou na sua página no Twitter que o grupo "tomará providências" e que serão responsabilizados os culpados pelo anúncio.

Em seu microblog, o empresário publicou a seguinte declaração numa sequência de posts, por volta das 15h desta terça:

" Estou ao lado dos que se indignaram com o anuncio publicado erroneamente pelo jornal.

Ontem o Brasil fez seu melhor jogo na #Copa. Infelizmente, a Folha de SP cometeu um grave erro com o anúncio do Extra, o que é inadmissível.

Não compartilhamos com a impunidade e tomaremos as providências, que não eliminarão o erro, mas irá responsabilizar os culpados

Como Pres. do Conselho de Adm. do GPA (sic) peço desculpas, em meu nome e do Grupo, aos brasileiros e, principalmente, aos jogadores da seleção".

Versão correta

Ainda nesta terça, a rede Extra publicou em sua página no Twitter a versão correta do anúncio. A peça publicitária diz: " Que venha a próxima. Wafa wafa, Brasil. Na África, no idioma zulu, Wafa wafa é VAI QUE DÁ. Força Extra nas quartas de final, Brasil. Faz o Penta virar Hexa".

Mais cedo, o Grupo Pão de Açúcar disse, em nota, lamentar o ocorrido, atribuindo ao jornal um erro na seleção do material para a publicação. "E (o jornal) irá se retratar publicamente com a correção do material visto que, como patrocinador da seleção, a rede Extra tem sido um entusiasta do time brasileiro", diz a empresa em nota.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

TRISTE SÃO PAULO

Em SP mesmo, só se for o Seminário



SP desiste de projeto para a abertura da Copa-2014

São Paulo, o maior e mais importante centro urbano do país.
São Paulo, a principal cidade da América Latina.
São Paulo, a terceira maior metrópole do mundo.
São Paulo gera cerca de 20% do PIB nacional.
São Paulo, 16 anos sob o domínio demo-tucano, deu nisso.
São Paulo não reúne meios de, sequer, abrir a Copa do Mundo em 2014.

Que dirá uma Olimpíada!
É nisso que os tucanos se notabilizam: arruinar o estado e desconstruir os sonhos do povo.
Triste São Paulo que poderá perder a disputa até para Brasília.
É o choque de gestão deles.
Triste São Paulo.


Vejam o que saiu na Folha.
A reportagem é de EDUARDO OHATA e MARIANA BASTOS

O comitê paulista para a Copa do Mundo de 2014 desistiu de tocar o projeto de reforma do Morumbi aprovado pela Fifa para receber as semifinais e que credenciaria tecnicamente o estádio a ser forte concorrente ao jogo de abertura do Mundial.

Sendo assim, enviará à Fifa um projeto mais modesto, no qual as obras no estádio deverão custar entre R$ 250 milhões e R$ 280 milhões. O projeto anterior, aprovado pela Fifa, previa gastos de R$ 630 milhões, valor considerado economicamente inviável pela cúpula do São Paulo.

Tanto o clube quanto o comitê refutam a tese de que, com esse projeto mais modesto, estariam abrindo mão da abertura da Copa. Nos bastidores, apostam que, no futuro, a Fifa e o Comitê Organizador Local (COL) flexibilizarão as suas exigências.

O novo projeto que será levado à Fifa não apresentará as soluções que foram previstas na versão aprovada. Não haverá, por exemplo, rebaixamento do gramado nem a demolição de dois níveis de arquibancada para a construção de apenas um nível. Eram justamente essas duas intervenções que encareciam tanto o projeto.

A Folha teve acesso a uma nota do comitê paulista na qual o órgão diz que "as exigências da Fifa para um estádio ter direito ao jogo de abertura da Copa são grandes e demandam intervenções excessivamente dispendiosas".

Assim, a entidade continuará a apoiar o Morumbi como sede paulista, "ainda que seu projeto de requalificação não atenda a todas as exigências da Fifa para sediar a partida de abertura".

A Folha apurou que as garantias financeiras que vão ser apresentadas ao Comitê Organizador Local preveem que R$ 60 milhões serão provenientes do financiamento do BNDES e que o resto virá de parceiros do São Paulo.

O clube já firmou parceria com Nestlé, Visa e Volkswagen e está em negociação com mais três empresas.

Quanto à linha de crédito do BNDES, o São Paulo ainda não definiu se usará um banco repassador ou solicitará à Camargo Corrêa que tome o empréstimo em seu lugar.

PIRITUBÃO

Na nota, o comitê paulista mais uma vez refutou a possibilidade de que seja erguido um estádio em Pirituba (zona norte). Segundo o órgão, a construção de uma nova arena habilitada para receber a abertura da Copa consumiria mais de R$ 1 bilhão, quantia que inviabilizaria o projeto.

Concorrentes de São Paulo a receber o jogo de abertura, Belo Horizonte e Brasília trabalham com o cenário de que receberão o primeiro jogo.

domingo, 6 de junho de 2010

FHC É A PEDRA DE MOINHO DO SERRA


Um neoliberal, como ele. Amigo e parceiro dele.
Do Conversa Afiada: Serra só tem uma saída:pendurar o FHC no pescoço

À medida que Dilma dispara nas pesquisas, ele despenca nas baixarias.
Serra tem o DNA dos "dossiês" no sangue.

Parece que é coisa de tucano.
Toda eleição é assim. Os tucanos viram vítimas de "espionagem" do PT.

É uma sina.
Nasceram pra isso.

São uns predestinados a perder por antecipação.
O jeito é partir para as apelações.

Pro vale-tudo.


A última bala na agulha do Serra é a baixaria.

Só que, na era da internet, a baixaria – Lunus (para desconstruir Roseana Sarney) e aloprados do PT (para mandar as ambulâncias superfaturadas para o Inferno) – não tem o mesmo efeito do passado.

É o caso dos aloprados do tal dossiê que ele vai ter que explicar na Justiça.

Clique aqui para ler “Livro desnuda relação Serra/Dantas e alopra Serra”

Serra, aí, deu com os burros n’água.
Quem manda ir atrás da Veja, a última flor do Fascio (cadê o áudio do grampo ?).

No caso, o episódio teve a vantagem de tirar do armário a relação da filha dele, Verônica Serra, com a irmã de Dantas, Verônica Dantas.
E, de quebra, colocou Dantas no centro da campanha presidencial.

Clique aqui para ler “Dantas e Valério: ele não escapa do Joaquim Barbosa”

Depois de fechar o Mercosul e invadir a Bolívia.
Depois de prometer programas que Lula pôs em curso, como o “Próximo Passo”.

E atacar jornalistas (do gênero feminino).

(Clique aqui para ler um manual sobre como entrevistar o Serra)

Depois de até o Globope dizer que ele empatou e não sai dos 30% há oito anos – clique aqui para ler a analise da “pesquisa” do Globope pelo Tijolaço.
Depois de tudo isso, aproxima-se aquele momento triunfal em que se comprovará a tese de que o Vesgo tem mais chance do que ele.

Ele tem alternativa ?
Aparentemente, não.

Até o notável colonista (*) Elio Gaspari – ele faz parte daquele grupo seleto de jornalistas que chama o Serra de “Serra” – , hoje, na pág. A12 da Folha, (**), revela apreensão diante do fato de o Zé Ladeira (abaixo) estar sem rumo.

O Zé Ladeira (abaixo) só tem um rumo.
Voltar à sua origem mais profunda, mais entranhada no seu DNA político.

A subalternidade ao Fernando Henrique.
Zé Ladeira é o filhote do Farol de Alexandria, sentenciou o Ciro Gomes.

(Que também disse que Serra numa campanha é garantia de baixaria.)

Zé Ladeira (abaixo) é neoliberal até a raiz dos cabelos.
Ele é privatista.

Ele não produziu um único programa social relevante, enquanto foi prefeito (e disse que cumpriria o mandato até o fim – clique aqui para ver o vídeo) e governador.

Um único.

Não ficou cinco minutos no Jardim Romano alagado, sua Katrina.
Ele gosta muito de “migrante” nordestino, tanto que atribuiu a ele o péssimo desempenho da educação em São Paulo.

Ele disse que mantinha uma “relação normal” com os nordestinos, quando era menino na Mooca.

“Normal”.

Como diz aquele meu amigo mineiro: o que seria “anormal” ?
Usar uma estrela amarela no peito ?

Zé Ladeira (abaixo) faz o jogo dos Estados Unidos, quando ataca a Bolívia e o Mercosul (***).

Ele é a quintessência do neoliberalismo.
Só que ele é a versão autoritária – é o nosso Putin – do neoliberalismo.

Tem os neoliberais bonzinhos, como o Salinas e o Farol, e os truculentos, como o Fujimori (que está na cadeia) e o Serra.
Mas é tudo farinha do mesmo saco.

Serra não tem saída.

Esse joguinho de morde-assopra com o Lula não leva a lugar nenhum.
A única forma de reduzir a rapidez da queda é voltar ao que ele é: pendurar o FHC no pescoço.

Clique aqui para ler uma comparação entre os oito anos do Farol e os sete do Lula.

É devastador.


Paulo Henrique Amorim

sábado, 29 de maio de 2010

OS DOIS DESAFIOS DE SERRA

Quem me quer? quem me quer?
Leio no Portal Vermelho e meu estado de êxtase é inevitável.
Serra continua à cata de um vice.
Não há quem queira compor uma chapa de um inacabado.
O risco de acabar no limbo é astronômico.
Serra tem pela frente dois grandes desafios.
Chegar à convenção marcada para 12 de junho com um vice ou, na pior das hipóteses, registrá-lo até 5 de julho, data fatal fixada pela lei para o registro de candidaturas.
E – o quase impossível e improvável dos dois – evitar uma derrota antecipada, levando a disputa com Dilma Rousseff para o segundo turno.
Serra espera reunir 4.500 em Salvador onde será realizada a convenção dos demotucanos, dia 12.
Tudo leva a crer que pelo menos uma ausência será registrada. A do vice dele.
Essa caçada nervosa por um vice virou uma coisa meio insana para os tuca-midi-demos.
Não à-toa, Zé Inacabado está cada vez mais histérico e truculento.
Ele e a mídia conservadora que lhe é simpática e simpatizante.
O tempo fechou na horta da direita com o que parece ser o não definitivo dado por Aécio Neves, o "vice dos sonhos" do ex-governador de SP.
Pela enésima vez, na linguagem do Vermelho, Aécio deu sua negativa e, finalmente, acreditaram nele.

Eu, de minha parte, não acreditei.
Ainda vejo possibilidades num sim de Aécio.
O limbo também o espera.
Desiludidos até a medula com Aécio os tucanos partiram à cata de um coronel e o encontraram no Ceará. Tasso Jereissati. Mas deram com os burros n’água. Ele também lhes disse não.
Imagino quanto deve ser horrível uma situação dessas.
Aí, levados pelo desespero caranl, bateram na porta de outro brucutu que atende pelo sugestivo nome de Sérgio Guerra.
Mas este prefere a paz do Congresso Nacional.
Talvez a Câmara – e não mais o Senado – o salve também do limbo.
A mídia demotucanada e os próprios tucanos até chegaram a apelar com o termo "impatriótico" para definir a recusa do tucano mineiro.
Na verdade, a Folha de S. Paulo – sempre ela – foi quem fez o arranjo ao atribuir a “empresários” – sem nomes nem setores, logicamente – a opinião de que seria impatriótica a recusa de Aécio Neves.

Se aceitar, será por um ato humanitário e não patriótico. Uma ação partilhada de solidariedade.
Porque, como o fez o Cristo, se oferecerá em holocausto e “dará” a própria vida por uma causa.
Só que a de Aécio não vale apena, não faz sentido algum.
E ele não terá a recompensa merecida.
Veja, você que me acompanha, a que ponto chegou o desespero tucano.
Rejeitado pelos próprios pares, só lhe resta os demos, fieis aliados e o PPS do “ex-comunista e hoje serrista de carteirinha”.

Este, inclusive, já manifestou desinteresse em ser vice do seu grande líder.
Já no que diz respeito ao PFL, o partido de Agripino Maia tem na ponta da língua uma relação de nomes que vão desde Demóstenes Torres, passando pelo do próprio Agripino, do deputado José Carlos Aleluia ao da “Musa da Motosserra”, Kátia Abreu.
A situação não é nada boa.
Ela foi sintetizada pelo neo-eleitor e futuro candidato derrotado de São Paulo, por onde deve concorrer à uma vaga na Câmara dos Deputados, Roberto Freire: “o que poderia ser uma solução agora começa a ser um problema. Não sei que alternativa temos".
É de fazer rir.
Ou de dar dó.
Fico com a primeira alternativa.

domingo, 9 de maio de 2010

GOLPE E BARBÁRIE SÃO TERMOS QUE O PIG DOMINA BEM

As cansadas da Abril e do PIG. O cansaço está na "caras"



Folha e Veja querem erigir em espantalho um jornalzinho do PT

Os dois veículos que tentam preencher a lacuna de cérebro na direita brasileira assestaram suas baterias contra o jornal Movimentos, editado pelas secretarias nacionais do PT que atuam nos movimentos sociais (Sindical, Mulheres, Cultura, Combate ao Racismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento, Juventude e Movimentos Populares).

Por Celso Lungaretti*, no Portal Vermelho

O alerta foi lançado pela Folha de S.Paulo (“Em jornal, PT vê risco de um novo golpe militar”) e o reaça-mor da Veja, Reinaldo Azevedo, logo aproveitou a deixa em seu blogue, num artigo com o sugestivo título de O PT quer dar um golpe na democracia: confessa isso em um jornal. Em tom de guri pirracento, ele contrapõe ao título do artigo "Dilma ou barbárie" um slogan que a malta direitista virtual com certeza trombeteará ad nauseam: “Dilma É a barbárie”.

Deixando de lado o alarmismo e as baixarias da direita, vale propor uma reflexão aos dirigentes do PT. É forçada a igualação que a segunda edição do jornal Movimentos procura estabelecer, entre o maior adversário eleitoral e a ditadura militar.

José Serra resvalou algumas vezes para o autoritarismo — e eu lhe fiz as mais pesadas críticas nesses momentos —, mas nem de longe sua vitória implicará automaticamente a volta dos genocídios e atrocidades da Era Médici. A direita que queria isso era a do Cansei, tentativa de reedição da Marcha da Família, Com Deus, Pela Liberdade que fracassou rotundamente.

Aí, sem ver possibilidade imediata de êxito, o núcleo radical da direita recuou, passando a travar apenas escaramuças para manter o moral da tropa (papel cumprido, principalmente, pelo Supremo Tribunal Federal da dupla Gilmar Mendes/Cezar Peluso).

Quanto ao principal da direita (os grandes capitalistas, os banqueiros, os magnatas do agronegócio), não teve seus interesses afetados pelo governo do PT a ponto de se direcionar para soluções golpistas. A política econômica, xis da questão, não está sendo ruim para essa gente — que, portanto, prefere deixar como está pra ver como fica.

Uma vitória da coligação DEM/PSDB certamente contemplará melhor seus interesses. Mas, isso não é caso de vida e morte para ela. Ainda.

Então, na eventualidade de um triunfo de Serra, haverá recuos em políticas sociais e uma reconfiguração conservadora/reacionária do governo federal — mas não, pelo menos de imediato, uma ditadura. A direita só dará tal passo se perder o controle da situação, seja em decorrência de nova recessão capitalista, da resistência dos movimentos sociais ou da conjugação de ambas.

Então, não vale a pena utilizarmos coisas sérias como mote para eleições. O ovo da serpente está mesmo impacto e a barbárie é mesmo um dos cenários possíveis. Mas, gritando “lobo!” antes da hora, poderemos não ser ouvidos no momento decisivo. Melhor fará o PT se despertar esperanças, ao invés de insuflar o medo.

E tratar, desde já, de ir organizando o povo para respaldar um eventual mandato de Dilma contra as tentativas golpistas que decerto começarão a ser tramadas no instante seguinte ao da proclamação do resultado eleitoral.

Mal começou o segundo governo do Lula, a direita troglodita já quis virar a mesa, mas ficou falando sozinha e acabou cansando... A reação ao terceiro mandato do PT (com o consequente reforço da perspectiva de uma volta do Lula em 2014) será, necessariamente, bem mais abrangente e contundente — o que não significa que prevalecerá.

Enfim, ganhar a eleição talvez venha a ser bem menos problemático do que garantir o respeito ao veredicto das urnas.

* Celso Lungaretti é jornalista e escritor