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quinta-feira, 8 de julho de 2010

DILMA NÃO É ROSEANA. DILMA NÃO É LUNUS. DILMA É LULA

Não deu mais para ler
Saiu na Folha: Receita apura se dinheiro "no colchão" de candidatos tem origem lícita

Segundo afirma Ciro Gomes, José Serra numa campanha é certeza de baixaria.
Se for preciso, Serra passa com um trator por cima da própria mãe, diz Ciro.
Na eleição de 2002 Serra tirou de seu caminho a então candidata à Presidência da República e governadora do Maranhão pelo PFL, Roseana Sarney.
Roseana era líder disparada nas pesquisas de opinião.
O episódio ficou conhecido como o Caso Lunus, onde grampos telefônicos ilegais, um dossiê armado e uso político da Polícia Federal levaram Roseana a renunciar sua candidatura.
Sem querer, José Serra deu a maior contribuição ao candidato pelo PT, Luís Inácio Lula da Silva.
Com a campanha polarizada entre petistas e tucanos Lula aplicou uma estrondosa surra em Serra, fato improvável se Roseana estivesse no páreo.
Nesta quarta feira, eu disse aqui no Almanaque da crônica que está em curso na mídia conservadora outra campanha: a de levantar fatos e factóides que incriminem a candidata petista Dilma Rousseff.
Publicações independentes dão como certa que a ordem a chafurdar a vida passada de Dilma, sobretudo sua atuação no período da ditadura militar.
Vinculadas no Jornal Nacional nos sábados, as notícias fomentariam os jornais do domingo e repercutiriam no Congresso Nacional ao longo da semana.
No mesmo e surrado script de sempre.

Bastou a ex-ministra da Casa Civil declarar que mantem 113 mil reais em espécie para a Folha sensacionalisticamente brandir: Receita apura se dinheiro no “colchão” é crime.
Um ensaio de acusação, um arremedo de denúncia sem pé nem cabeça.
A Folha tenta dar a entender que Dilma está sendo investigada pela Receita.
Que Dilma comete um crime ao manter em casa “elevada soma em espécie”.
Crime cometeu a Folha.
Ao publicar uma ficha falsa de Dilma Rousseff.
Ao transportar agentes torturadores em seus carros de reportagem.
Ao dizer que o regime de exceção não passou de uma “ditabranda”.
Tem o DNA da baixaria de campanhas do Serra nisso aí.

A baixaria do Serra está a penas começando.
Só falta lembrar ao Serra e à Folha que Dilma não é Roseana.
A Dilma não é Lunus.
Dilma é Lula.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.


sábado, 10 de abril de 2010

SERRA É HERANÇA DE FHC QUE É HERANÇA DE COLLOR

Na imagem, Serra confirma que é de direita

Emir Sader: Serra é o candidato da direita
10/04/2010

Emir Sader, no seu blog

Fracassado Collor – em cujo governo os tucanos se preparavam para entrar -, FHC assumiu a heranca do projeto neoliberal no Brasil. Norteou-se por seus mentores, Mitterrand e Felipe Gonzalez, e achou que se daria bem sendo seu continuador no Brasil, que era a a via que lhe restava para realizar seu sonho de ser presidente.

Assumiu com todo o ímpeto, achando que ia se consagrar. A ponto de ter proferido um conjunto de besteiras, como, entre outras, a de que ”A globalização é o novo Renascimento da humanidade”. E lá foi ser “droit” na vida.

Vestiu a carapuça que Roberto Marinho procurava. Se atribui a ele a frase, diante da queda tão chorada do Collor: “Foi o último presidente de direita que conseguimos eleger”. Se supunha que tinham de buscar em outras hostes o continuador de Collor. E acharam FHC.

Que teve a audácia de chamar o PFL, partido nascido da ditadura, com ACM, Marco Maciel, Jorge Bornhausen, como seus dirigentes pára- representativos, que tentavam se reciclar para a democracia, buscando apagar seu passado. Tucanos e pefelistas foram a base de sustentação firme do governo, que agregou o PMDB (governista, como sempre) e outros partidos menores.

Esse foi o eixo partidário do projeto neoliberal de FHC. Que pretendia ser para o Collor o que o Toni Blair foi para a Thatcher: deixar que Collor fizesse o trabalho mais sujo do neoliberalismo – privatizações, abertura da economia, enfraquecimento substancial do Estado, precarização das relações de trabalho -, para que ele aparecesse como a “terceira via”. Como Collor fracassou, FHC teve que vestir o tailler da Thatcher e implementar a ortodoxia neoliberal.

Serra nunca se deu bem com FHC – como, aliás, com ninguém, com seu gênio de turrão, de mal humorado, que nunca sorri, que atropela a tudo e a todos que vê como obstáculos. Serra sempre disputou com FHC dentro dos tucanos, era seu rival. Perdeu e teve que aceitar o Ministério do Planejamento do governo, sem poder algum, mas tendo que referendar o Plano Real. Depois foi para a Saúde, para tentar preparar sua candidatura à presidência. Tentou manter distância do governo de FHC, sabendo que quem se identificasse com o governo, perderia. Não consegui e foi derrotado fragorosamente no segundo turno.

Em 2006, temeu por uma nova e definitiva derrota, além do que, pessoa com péssimas relações com todo mundo, perdeu para Alckmin o foro interno dos tucanos e teve que se contentar com esperar. Volta agora como o candidato do bloco que passou a ocupar o espaço da direita no campo político brasileiro.

A oposição aceita Serra não de bom grado, em primeiro lugar porque ele tem relações ruins com todos. Em segundo, porque ele não quer assumir o figurino – vestido com desenvoltura por FHC, por Sergio Guerra, por todo o DEM – de bater duro no governo Lula, de assumir claramente o papel de oposição ao governo. Porque Serra sabe que o sucesso do governo Lula demonstra que esse é um caminho seguro de derrota.

É um casamento de conveniência, mas não havia outro lugar se Serra ainda tem alguma esperança de ser presidente. Às vezes, pela fisionomia e pelas palavras dá a impressão que ele sai candidato com resignação, consciente que é sua ultima oportunidade, mas que sabe que vai para o matadouro, para a derrota inevitável.

O campo político não é definido pela vontade das pessoas. Ele tem uma objetividade, resultado dos enfrentamentos e das construções de força e de aliança de cada bloco. A bipolaridade não é um desejo, é uma realidade. São dois grandes blocos que se enfrentam, com programas, forças sociais, quadros, objetivos e estratégias contrapostas.

Dilma representa o aprofundamento do projeto de 8 anos do governo Lula, ocupa o espaço da esquerda no campo político. Serra representa as mesmas forças que protagonizaram os 8 anos do governo FHC, que implementou o neoliberalismo no Brasil, governo de que o próprio Serra foi ministro todo o tempo. São dois projetos, dois países distintos, dois futuros diferenciados, para que o povo brasileiro os compare de decida.