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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AS DIFERENÇAS NOS TORNAM IGUAIS


Normalidade é um termo conceitual estabelecido pela sociedade.
Um modelo social que configura uma agressão à natureza humana.

Cada um de nós é um ser único.

Logo, somos desobrigados a sermos iguais sob toda e qualquer forma de expressão.
E isto é de caráter antropológico bem como biológico.
A individualidade pessoal flui como o fio de água que jorra da fonte direto da nossa alma.

Quem sabe conviver com as diferenças é porque soube vencer as barreiras do preconceito que escraviza.

O preconceito é pai da intolerância.
Os intolerantes são avessos às diferenças e a estas, indiferentes.
Do seu dicionário riscaram o vocábulo “fraternidade”.

Somente os espíritos fraternos têm a faculdade de apreciar as diferenças.
O que importa não é querer, mas ser diferente.
Porque ser diferente é ser verdadeiro.
Quem conhece a verdade é capaz de priorizar as coisas espirituais.

É do e no espírito que eclodem as coisas e os valores eternos, o essencialmente belo – mesmo e, sobretudo, – que não seja o material, físico e o aparente visto pelos olhos.
Nossas mesquinharias é que nos levam a imaginar que somos diferentes dos diferentes.

Bobagem!

Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais, dizia o fenomenal e inspiradíssimo Bob Marley.

A venda do preconceito obstrui de nós a visão, impossibilitando-nos de perceber que somos, de fato, todos iguais.

Iguais na indiferença.
Iguais em pobreza de espírito.

Quiséramos descobrir a substanciosa essência de sermos normais nas diferenças.
E aceitássemos de bom grado que o bem da coletividade reside nas nossas individualidades e delas dependem, por mais paradoxal que pareça.

Não é que você seja diferente, mas é que ninguém consegue ser igual a você.", nos ensinou Shakespeare.
É no diferente, no pensar, no agir, no ser diferente onde se encontra o direito a termos os mesmos direitos.

Sem diferenças.
Mesmo que na adversidade.
Mas respeitando a diversidade.

Concluo com o lapidar pensamento do grande Fernando Pessoa: “Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjetividade.”

Isso é pensar diferente.

A diferença não torna ninguém nem melhor nem pior que ninguém.
Contudo, seremos melhores à medida que soubermos aceitar as diferenças.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PORQUE ELES ODEIAM O ENEM

Conversa Afiada: O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.
Uma desmoralização arrasadora.
É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.
0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.
Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.
Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.
Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?
Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.
O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.
Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !
30 vezes, amigo navegante.
Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.
O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.
O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.
O que é o ENEM ?
É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.
Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.
Fica com mania de grandeza, de autonomia.
Pensa que pode mandar no seu destino.
E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.
Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.
Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.
Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.
Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).
Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?
O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !
Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.
Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …
“Público” quer dizer “de todos”.
Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?
Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !
Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?
Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?
Nordestina pobre com diploma de médica ?
Vai faltar pedreiro.
Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

Paulo Henrique Amorim