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quinta-feira, 20 de maio de 2010

SE A IMPRENSA É PROSTITUTA A GLOBO O QUE SERÁ?

Padrão global de uma imprensa prostituta


Imperdível, sensacional e impactante.

A entrevista abaixo foi feita com o Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral da Rua de São Paulo.

É a segunda parte de um total de três das entrevistas concedidas por Lancellotti ao Portal Vermelho como parte integrante da série especial “Povos da Rua — A ‘Faxina Social’ de Serra e Kassab”, a política de "limpeza social" posta em prática na capital paulista com a chegada dos tuca-demos ao poder - a posse de José Serra e Kassab como vice - a partir de 2005.

Ousado, arrojado, impetuoso, corajoso e coerente o coordenador da Pastoral da Rua fala dos ataques "violentos e virulentos" dos quais foi vítima patrocinados pelo subprefeito da Sé à época, Andrea Matarazzo, em conluio com a grande imprensa.

Lancellotti: "Burguesa é elogio. A nossa imprensa é prostituta"

Na segunda parte de sua entrevista ao Vermelho, o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral da Rua, ataca corajosamente a atuação tendenciosa da grande mídia. “Hoje não tem nada mais indecente do que nossa imprensa. É elogio dizer que nossa imprensa é burguesa, não qualifica precisamente. A nossa imprensa é prostituta”, diz.

Confira a íntegra da entrevista de André Cintra e Renato Torelli

Vermelho: Durante os confrontos entre a Prefeitura e a Pastoral da Rua, de onde partiram os piores ataques contra você?

Júlio Lancellotti: O que foi mais violento e virulento foi o Andrea Matarazzo com a rede que ele montou e que passa pela imprensa

Vermelho: Foi uma campanha orquestrada?

JL: Sim, sim. Eles agiram pesadamente. O Andrea Matarazzo é muito ligado com muitos jornalistas, com a imprensa, como aquele José Nêumanne Pinto (colunista do O Estado de S. Paulo e da rádio Jovem Pan), o Diogo Mainardi (Veja), o Arnaldo Jabor (TV Globo). Depois você descobre que o Arnaldo Jabor fez um jantar na casa dele com a Mirian Leitão, o Sardenberg (Carlos Alberto Sardenberg, da Globo). Fizeram uma reunião com toda essa gente dele para eleger o Serra.

É engraçado que, hoje, a manchete do Estadão diz que o programa do PT vai ser questionado porque fez propaganda política. Mas eles queriam que o programa do PT fizesse o quê? Uma novena? Não se chama horário político? Queriam que exibissem o quê? Vão lá e dizem que (o programa) comparou o pobre do humilde, simpático, simplório e popular Fernando Henrique Cardoso com o ignorante do Lula. Porque o Fernando Henrique Cardoso é um príncipe, não é? É um dos sábios da Grécia, o Oráculo de Delfos.

Quando começaram essas práticas higienistas em São Paulo, eles foram procurar apoio científico para dizer se essa pessoa de rua tem poder de decisão ou se o Estado pode decidir sobre ela. Aí vieram os discursos científicos, de catedráticos, para dizer: “Cessou a liberdade de escolha dessa pessoa, que precisa ser recolhida compulsoriamente”. Eles fizeram grandes discussões na USP, outras com psiquiatra — tudo para justificar isso.

Vermelho: Até o meio acadêmico “tucanou” (risos)?

JL: É porque nada é neutro — a única que se acha neutra no Brasil é a imprensa. Eles deviam assumir de uma vez. Devia aparecer lá no logo do Estadão, na Folha de S.Paulo um “apoiamos o Serra”, como o pessoal faz no Twitter. Devia aparecer lá no Jornal Nacional “nós apoiamos o Serra” — e pronto. Fica claro quem é quem, quem apoia quem. Não precisa ficar no “somos neutros, demos tanto tempo de espaço para este, tanto tempo de espaço para aquele”.

Os leitores do jornal percebem. Minha mãe tem 87 anos e diz: “Eu sei quem escreve cartas para o Estadão. São sempre os mesmos. Tem uma turma de mulheres aqui que toda semana tem carta publicada, e sempre a gente sabe o que é a carta dela”. Sei o que passei na mão da imprensa — então eu sei muito bem que raça é essa.

Vermelho: Você acredita que, nesta década em especial, a mídia perdeu pudores de vez?

JL: Perdeu, mas diz que não perdeu. É aquela que perdeu a virgindade na maior suruba, mas depois fica apregoando e vive escrevendo poesia sobre sua própria virgindade. Hoje não tem nada mais indecente do que nossa imprensa. É elogio dizer que nossa imprensa é burguesa, não qualifica precisamente. A nossa imprensa é prostituta.

Vermelho: A mídia é o que existe de mais conservador na sociedade?
JL: O problema é que é um conservadorismo prostituído. Tem hora que, ouvindo a rádio CBN, eu preciso desligar, porque começa a me dar nervoso. Está muito escancarado, muito escrachado. Mas eles têm todo aquele discurso de neutralidade.

Sabe o que me irrita muito? Ver no Estadão: “O Estado de S. Paulo está sob censura há 288 dias”. O Estadão devia então pôr um outro placar dizendo que ele está censurando os outros — e há quanto tempo? Porque ele é zeloso de cuidar de quem lhe censura. E ele censura há quanto? Nesse sentido, eu acho que a imprensa é realmente uma indecência.

Aí os jornalistas dizem: “Ah, mas o sr. não pode dizer que é todo mundo assim”. Mas é quem comanda nos jornalões... É como diz o Fábio Konder Comparato: “Nos jornais, só leio agora a coluna necrológica para saber se algum amigo meu morreu” (risos).

Vermelho: O Luis Fernando Veríssimo diz que a única confiável no jornal é a data, mas vale a pena desconfiar...

JL: É, pode ter erro (risos). Mas às vezes a única verdade que um jornal fala é mesmo a data.

Vermelho: Você não acha que, no caso específico da TV Globo, essa postura mais ideologizada e tendenciosa atingiu até as novelas, os programas de auditório, a Ana Maria Braga?

JL: Mas a Ana Maria Braga só falta andar com a camiseta do Serra...

Vermelho: Ela já vestiu a do “Cansei” em 2007.

JL: É como diz o (teólogo) Leonardo Boff: “Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto”. As pessoas já deviam logo dizer a que vieram. A Hebe Camargo, por exemplo, já deixa bem claro. Agora até o médico dela teve de correr atrás, porque ela disse que estava curada, e ele disse que ela não ficou. É duro.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A GLOBO MANDA EM VOCÊ? QUAM MANDA VOCÊ VER A GLOBO?

O olho gordo da da Globo. Gordo e ridículo




O Almanaque da crônica publica a excelente postagem do Altamiro Borges

TV Globo manda no futebol e no Kassab

Como já era esperado, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) vetou ao projeto de lei 564/06, que restringia o horário do término dos jogos de futebol nos estádios da capital paulista até as 23h15. Numa nota lacônica, o demo alegou que “a limitação não parece razoável”. O projeto, de autoria dos vereadores Antonio Goulart (PMDB) e Agnaldo Timóteo (PR), foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo em 10 de março. Mas, novamente, o prefeito cedeu à TV Globo.

Com mais esta decisão antipopular, o demo revela todo o seu servilismo diante da Rede Globo e prejudica os amantes do futebol, impondo horários inviáveis aos paulistanos que gostam de ir aos estádios. Já a poderosa emissora, que se coloca acima dos anseios da sociedade na defesa de seus lucrativos negócios, demonstra todo o seu desrespeito aos torcedores e ao futebol brasileiro – que é encarado como mais uma mercadoria e não como um entretenimento popular.

“Televisão não pode regulamentar a vida”

Durante os intensos e tensos debates na Câmara de Vereadores, a prepotente a TV Globo sequer enviou seus representantes para discutir o tema. Apostou suas fichas no medo dos parlamentares e, como último recurso, no veto do prefeito. Mas, pressionados por vários setores da sociedade, os vereadores surpreenderam a emissora ao aprovar o projeto. Além da crítica dos torcedores, os vereadores sentiram a pressão de outros setores descontentes com o horário de transmissão das partidas. A Rádio Jovem Pan, por exemplo, fez campanha explícita pela aprovação do projeto.

Em editorial veiculado diariamente, ela atacou a TV Globo pela “forma primária e leviana como se pretendeu manipular a opinião pública e a consciência dos nossos vereadores e deputados”. Ainda segundo o editorial, “a grade de uma televisão não pode regulamentar a vida, a ponto de prejudicar a paz, o sono e a segurança dos cidadãos, o descanso de todos, de quem vai ao estádio e de quem assiste TV em casa. Essa não é uma briga do bem contra o mal. É um movimento que coloca o apelo popular, as pessoas pedindo o fim dos jogos às 10 da noite, o bom senso, enfim”.

Rebelião das outras emissoras

A pressão, porém, não foi suficiente. A Rede Globo contou com a fidelidade do prefeito Kassab, que deve favores à emissora por sua projeção política. Na prática, ela continuará mandando no futebol brasileiro, impondo horários absurdos para os jogos. Ela detém o direito de transmissão do campeonato nacional e de vários torneios estaduais, o que já provoca distorções, obrigando os torcedores de determinados estados a assistirem partidas de outras localidades. Este monopólio também prejudica outras emissoras de televisão, que se submetem à grade da TV Globo.

Antonio Carlos Teixeira, em artigo no Observatório da Imprensa, chega a fazer um apelo para que as outras redes de televisão se rebelem. “Essa postura, que revela a crueldade do monopólio da transmissão esportiva, tem passado dos limites. Por isso, a necessidade das demais emissoras se unirem para tentar quebrar o monopólio do TV Globo. O torcedor não tem mais opção aos domingos e às quartas-feiras. Engole-se aquilo que lhe enfia goela abaixo. No seco. Sem choro”.