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sábado, 4 de setembro de 2010

AS ÚLTIMAS MANOBRAS DE UMA ABATIDA DIREITA

O desespero não bateu na direita.
O desespero abateu a direita.
A direita foi encurralada pelas evidências dos fatos e ruiu ante suas próprias mentiras.
A direita foi massacrada pelo Lula.
E o eleitor não levou para casa as vinditas da direita.
O eleitor sentiu o cheiro de carne estragada.
A armação dos dossiês não colou.
A farsa da quebra dos sigilos dos amigos do Serra e de sua filha, Verônica, idem.
O brasileiro já fez uma descoberta relevante: não acredita numa palavra saída do bico tucano.
E não leva a sério uma linha escrita pelo partido aliado do Serra: a mídia, quer dizer, o PIG.
Isso equivale dizer que o eleitorado brasileiro está cônscio da escolha feita.
Ele vai de Dilma em 3 de outubro.

81% dos entrevistados pelo Datafolha afirmam que não alterarão sua escolha nos últimos 30 dias que restam para a eleição.
Mesmo que mudassem de opinião, apenas 18% o fariam.
E mesmo que fossem somados aos que desejam votar em Serra, ainda assim, Dilma levaria vantagem.
Dentre os 100% dos eleitores que tem convicção do seu voto 85% afirmam que votarão na candidata do Presidente Lula.

É de dar dó.

O número dos que acham que Dilma Rousseff dará uma surra em Serra aumentou nos últimos dias passando de 63% para 69%.
Com dossiês, violações de sigilo e tudo mais.
Nada disso está valendo para pelos menos 85% dos brasileiros.
Digo assim pelo fato de que (somente) 15% acham que Serra será o vencedor enquanto 1% aposta em Marina Silva.

A direita insiste em esconder o Presidente Lula do noticiário.
E não divulga mais em suas pesquisas o índice de aprovação do metalúrgico que orgulha qualquer operário.
Lula só aparece no PIG quando contestado pelo candidato da direita e sob a condição de omisso, incompetente e responsável pelos aloprados nas quebras de sigilos dos tucanos e seus comparsas.
Prova disto foi a tentativa frustrada de Serra de responsabilizar Lula pela quebra do sigilo de sua filha, alegando que alertou o Presidente ainda em janeiro deste ano.
Foi desmentido e arrasado por Lula.
O que Lula disse a Serra foi quase um insulto.
Uma humilhação.

O desespero da direita tem se configurado um tiro no pé tucano.
Enquanto a campanha de Serra agride e bate em Dilma, ainda mais ela sobe e, o pior, Serra cai.
A linha de Serra nos gráficos das pesquisas só aponta para um lado: o debaixo.
Serra é o candidato da curva descendente.
Do caminho sem volta.
Do soterramento eleitoral.
Serra é o candidato que ficará para a história política brasileira como o que perde por antecipação.
Nas urnas e no tapetão.

A suposta violação do sigilo fiscal da filha de Serra e sócia da irmã do banqueiro Daniel Dantas somada ao desesperado pedido de cessação da candidatura de Dilma Rousseff foram os últimos tiros da metralhadora giratória dos tucanos.
Eles estão à esmo atirando no escuro e em qualquer direção.
Sem sentido.
Que nem sua campanha.
E como o discurso de seu candidato.

Orlando














sexta-feira, 3 de setembro de 2010

MARINA CAI NO COLO DA DIREITA

No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.

De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.

Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com criticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloisa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.

Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.

As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.

O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.

Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.

Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.


Emir Sader, no Portal Carta Maior