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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O RIO DE JANEIRO PRECISA DA SOLIDARIEDADE DO BRASIL

O Rio é uma das mais lindas cidades do mundo.
De lá, o Cristo Redentor, de braços abertos, abençoa o Brasil e acolhe quem o visita.
Os olhos do mundo se voltam esta semana para a cidade maravilhosa não para contemplar suas maravilhas, mas estarrecidos pela violência que lhe assola.

O que ocorre no Rio já ocorreu há dois anos em São Paulo quando o PCC assumiu o lugar do Estado e tirou do cidadão o que este tem de mais sagrado: a paz e a liberdade.

O Rio está sendo vítima do mal que insiste em se sobrepor ao bem.
O errado querendo prevalecer sobre o certo.
Dos bandidos tentando expulsar os mocinhos.
É a guerra do tráfico e suas milícias comandadas de dentro dos presídios, alguns chamados de segurança máxima.
Onde a entrada do celular deveria ser proibida, todavia, toda preparação e ordem de comando para os ataques são feitas, em 98% dos casos, via telefone.

Uma guerra que começou ninguém sabe bem ao certo, assim como não sabemos precisar quando e como acabará.
O certo é que o crime organizado no Rio sofreu sérios revezes e teve que recuar, a despeito de afrontar o estado de direito, causar prejuízos ao País, além de levar a perda de vidas humanas, desestruturando e destruindo os sonhos de centenas de famílias .

Quem assistiu na TV ao choro desesperado dos pais daquela jovem morta dentro da própria casa por uma bala perdida se emocionou e sofreu com eles e por eles.

Não quero indenização, quero minha filha de volta, lamentou o pai da garota.
Ela se chamava Rosângela Alves, tinha somente 14 anos de idade e toda uma vida pela frente.

Não há como não ser solidário com a dor sofrida por nossos irmãos numa tragédia como esta.

O povo carioca não merece passar por isso.
O Brasil não precisa viver tantas experiências marcadas pelo horror e a covardia de criminosos sem alma nem sentimento.

Numa assombrosa estatística numérica da violência a polícia carioca contabiliza a apreensão de duas toneladas de drogas em uma única região da cidade, somados a mais 800 quilos de cocaína encontrados em uma destilaria.

A polícia apreendeu também 44 armas – incluindo 8 granadas, 200 motos roubadas e até localizou um hospital do tráfico que oferecia tratamento aos traficantes feridos.

Os governos estadual e federal se unem numa ofensiva impressionante.

Um total de 20 mil policiais, inclusive das Forças Armadas, polícias rodoviária e federal, formam um contingente jamais visto no Brasil para combater esse câncer da droga que se alastrou no Rio de Janeiro.

É o dobro dos homens que compunham a força de paz para pacificar o Haiti.

Pelos menos 100 carros foram incendiados.
194 pessoas foram presas e 45 morreram.
Do total de mortos, 4 são moradores, pessoas de bem e trabalhadoras, o que é profundamente lamentável.

Quanto aos 41 restantes, ou são bandidos e membros do tráfico ou suspeitos de trabalharem para os criminosos.

E sinto muito em dizer que não tenho certeza se devo lamentar as suas perdas.

Diante do quadro brutal e desumano que estarrece a população carioca e o país, resta, no final desta desimportante e desnecessária crônica, refletir a respeito dos valores éticos e morais de presença tão indispensável às famílias na formação do caráter de seus membros.
Pensar na ação de um Estado cada vez mais comprometido com a educação do seu povo, capaz de propiciar bem estar, emprego e renda, equilíbrio e segurança à sociedade.
Uma sociedade onde o cidadão seja protagonista da sua liberdade e experimente, com incontida alegria, o doce e indescritível sabor da paz.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A DIREITA E O ANACRÔNICO PRECONCEITO DE SEU CANDIDATO

Na foto, o principal líder da cracolândia do Serra
Em editorial sob o título "A direita, enfim, achou seu candidato", a Agência Carta Maior qualifica de "levianas e irresponsáveis" as declarações do candidato da direita, José Serra que acusou o governo boliviano de ser "cúmplice de traficantes".

Antes, Serra já se voltara contra o Mercusul. Agora seu no alvo é a Bolívia.
Serra ignora que o mundo mudou. E que muitas mudanças encontram-se em pleno curso.

Para a Carta Maior, a infelicidade de Serra é a felicidade do Brasil e do mundo: a era Bush já ficou para trás.

Serra abraçou por inteiro a agenda da direita no Brasil e, por conseguinte, nas Américas. Ele representa a velha ordem e defende a sua resturação.
Serra é o notável falastrão. Um fanfarrão cujas palavras que profere colidem, trombam assustadoramente umas contras as outras.

Locomotivas descarriladas.
Uma diz uma coisa. Outra ou desmente ou altera o que aquela disse.

“A questão”, ponderou Alice, “é saber se o senhor pode fazer as palavras dizerem tantas coisas diferentes”.
“A questão”, replicou Humpty Dumpty, “é saber quem é que manda. É só isso”.
Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas (cap.6).

As acusações de Serra de não seria possível a exportação de cocaína a partir da Bolívia sem a conivência e/ou participação das autoridades daquele país, poderiam ser defendidas também com com uma pergunta ao ex-governador paulista: Serra é cúmplice do PCC (Primeiro Comando da Capital), da violência e do tráfico de drogas em São Paulo?

“Você acha que toda violência e tráfico de drogas em São Paulo seria possível se o governo de lá não fosse cúmplice?” – pergunta Carta Capital.

É oportuno ainda lembrar as declarações do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, preso em 2007 no Brasil à Justiça Federal em São Paulo: “Para acabar com o tráfico de drogas em São Paulo, basta fechar o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos)”.

A possibilidade de haver corrupção policial em seu governo parece não interessar nem habitar o horizonte de Serra. O pré-candidato foi governador de São Paulo, mas afirma não ter nada a ver com isso. A culpa é da Bolívia.

Há método na aparente loucura do pré-candidato do PSDB. O fato de ter repetido as acusações levianas contra o governo de um país vizinho – e amigo, sim – do Brasil mostra que Serra acredita que pode ganhar votos com elas.

Trata-se de um comportamento que revela traços interessantes da personalidade do pré-candidato e da estratégia de sua candidatura.

Em primeiro lugar, mostra uma curiosa seletividade geográfica: em sua diatribe contra governos latino-americanos, Serra esqueceu de acusar a Colômbia como “cúmplice do narcotráfico”. Esquecimento, na verdade, que expõe mais ainda o caráter leviano da estratégia.

Trata-se, simplesmente, de atacar governos considerados “amigos” do governo brasileiro.

Em segundo lugar, mostra uma postura irresponsável do pré-candidato, tomando a palavra aí em seu sentido literal, a saber, aquele que não responde por seus atos.

Antes de apontar o dedo acusador para o governo de um país vizinho, Serra poderia visitar algumas ruas localizadas no centro velho de São Paulo que foram tomadas por traficantes e dependentes de drogas. Serra já ouviu falar da Cracolândia? Junto com a administração Kassab, um governo amigo como gosta de dizer, fez alguma coisa para resolver o problema? Imagine, Sr. Serra, 200 pessoas sob o efeito do crack gritando sob a sua janela, numa madrugada interminável ... Surreal?

Na Cracolância é normal.
E isso ocorre na sua cidade, não na Bolívia.
Ocorre na capital do Estado onde o senhor foi eleito para governar e trabalhar para resolver, entre outros, esse tipo de problema. Mas é mais fácil, claro, acusar outro país pelo problema, ainda mais se esse outro país for governado por um índio.

E aí aparece o terceiro e mais perverso traço da estratégia de Serra: um racismo mal dissimulado.

Clique aqui para ir ao site da Carta Maior e ler o Editorial na íntegra.