quarta-feira, 26 de maio de 2010

A RIDICULARIDADE DO PIG É QUE ELE SABE QUE É RIDÍCULO

O PIG - Partido da Imprensa Golpista
Conversa Afiada: Fiori no Valor ridiculariza O Globo

Fiori: o que mais irritou (o PiG) foi o sucesso do Lula
O professor José Luís Fiori, da UFRJ, escreveu notável artigo na página A11 do Valor de hoje.

O título é “Um acordo e seis verdades”.

Fiori expõe com clareza cortante por que o acordo do Brasil com a Turquia e o Irã é um marco na história diplomática do Brasil e uma mexida profunda nas forças políticas do xadrez internacional.

Perfeito.

Merece ser acompanhado de uma taça de champagne, ou da leitura do artigo de Mino Carta, desta semana na Carta Capital.

(Não menosprezar a entrevista de Mauro Santayana com Celso Amorim , em que tratam dos lamentáveis “embaixadores de pijama”, o pessoal da GloboNews.)

Este modesto e “ordinário” blogueiro, no entanto, não resiste à tentação de enfatizar a forma sutil e devastadora com que Fiori ridiculariza o Globo.
A epígrafe do artigo é o que disse o Globo NA VÉSPERA (a ênfase é minha – PHA) do acordo: “A mediação bem sucedida de Lula com o Irã alçaria o Brasil no cenário mundial” – O Globo, 16 de maio de 2010, p. 38.

“Lucidez” absoluta, diz Fiori.

Esta “lucidez”, porém, foi pisoteada pelos colonistas (*) e apresentadores da Globo, que, no dia seguinte, passaram a tratar o acordo como um fiasco e Lula, para variar, como um parvo.

Ou seja, o PiG (**) não resiste a si mesmo.

Como acaba de me dizer o Mino Carta ao telefone, enquanto dávamos boas gargalhadas com o artigo do Fiori: esse pessoal não sabe que vai mudar. Mino não sabe se para melhor, mas vai mudar. A Dilma – ele foi um dos primeiros a dizer isso – a Dilma vai ganhar e o PSDB vai acabar como a UDN.

Com tapetão e tudo.

Clique aqui para ler sobre o relançamento da campanha da legalidade, no Tijolaço do Brizola Neto.

Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

ENQUANTO O MUNDO “RASGA” ELOGIOS A LULA, LULA RASGA A GOELA DOS QUE TEM DE ENGOLÍ-LO

Difícl nada. Tá é fácil DILMAis




Com o título 'Le Monde' rasga elogios a Lula, o jornal O GLOBO se contorcia nesta terça feira 25 para dizer que o Brasil se tornou porta-voz dos países emergentes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se apoia apenas em seu carisma para falar alto e forte, mas encarna um Brasil em plena forma, que se aproxima de China e Índia em termos de crescimento e que aspira um assento no Conselho de Segurança da ONU.
A goela da elite brasileira é parecida com a de uma serpente: sua elasticidade é descomunal e não tem limites de abertura.

Só esse fato explica o fenômeno de tantas vezes ela (a elite) ter tido que engolir esse extraordinário e inigualável torneiro mecânico.
Agora quem se derrama pelo nosso Presidente o jornal "Le Monde" em seu editorial publicado na segunda-feira.
O Le Monde parece se reportar aos jornalecos da terra de Lula que tanto o depreciam e ignoram sua liderança e o destacado papel de nossa diplomacia no Mundo.
E crava o espetacular e nocauteante título “O Brasil de Lula em todos os fronts".
Para o jornal francês o Brasil é brilhantemente representado pelo chanceler Celso Amorim, ministro que trabalha mais ativamente para a conclusão da rodada de Doha.
Só o PIG com seus editorias desconexos e desconstrutivos endereçados aos seus adestrados seguidores ridicularizam a intermediação brasileira em favor da paz no impasse sobre o Irã e seu nuclear.
O Le Monde não.
O Le Monde cita o apoio dado pelo Brasil aos Argentinos em relação às Ilhas Malvinas e as reprimendas que Lula deu à Alemanha por suas reticências em salvar a Grécia da crise econômica.
Para o azar do O Globo, o texto conclui que o mundo ainda não ouviu tudo o que tinha para ouvir do "antigo metalúrgico, amigo das favelas e dos investidores".
Aja goela para engolir o pernambucano.

De acordo com o jornal, com eixo do mundo se deslocando ao Sul (vejam bem: se deslocando para o Sul!), o Brasil poderia reclamar com propriedade que os países emergentes sejam mais bem representados nas instâncias internacionais, "a começar pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional", e "sem esquecer do Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil aspira um assento permanente".

Não é difícil supor o quão inconveniente foi par O Globo ver o "Le Monde" – um jornal cuja superioridade técnica está a anos-luzes a sua frente – reconhecer a capacidade de Lula a ponto de achar justo que o Presidente brasileiro apresente sua candidatura em 2012 para o secretariado-geral da ONU e afirma que Lula deveria lutar para melhorar o G-20 e seu raio de influência.

O Le Monde arremata afirmando que empresas como Petrobras, Vale e Embraer “são apenas o carro-chefe de uma economia industrial de primeira ordem”.
Enquanto o Le Monde “rasga” elogios a Lula, o PIG se rasga de inveja do maior Presidente que este País já teve.

A PISTA DOURADA DA NOVA DIREITA NÃO TEM RANHURAS

Aqui é garantia de derrapagens
Leandro Fortes, na Carta Capital: A nova direita

Aterrissaram na pista dourada da nova direita intelectuais do calibre de Fernando Gabeira, Ferreira Gullar, Nelson Motta e Arnaldo Jabor, grupo ao qual se agregou, para estupefação do humor, o humorista Marcelo Madureira, do abismal Casseta & Planeta

Três eventos distintos, separados em períodos esparsos, definiram nos últimos meses o arrazoado doutrinário e os modos da nova direita brasileira, remodelada em forma e conteúdo, mas não nas intenções, como era de se esperar. Aterrissaram em sua pista dourada intelectuais do calibre de Fernando Gabeira, Ferreira Gullar, Nelson Motta e Arnaldo Jabor, grupo ao qual se agregou, para estupefação do humor, o humorista Marcelo Madureira, do abismal Casseta & Planeta. Essa nova direita, cheia de cristãos novos e comunistas arrependidos tem no DNA um instinto de sobrevivência mais pragmático, gestado nos verdadeiros interesses em jogo, não mais na espuma do gosto popular. Não por outra razão, se ancora menos na ação parlamentar e mais na mídia, onde mantém brigadas de colunistas, e onde também atua, nas redações, de cima para baixo, de modo a estabelecer um padrão único de abordagem sobre os temas que lhe dizem respeito: dinheiro, liberdade irrestrita de negócios, dominação de classe, individualismo, acúmulo de riqueza e concentração fundiária.

Os três eventos aos quais me refiro causaram um razoável revertério na estratégia de comunicação social bolada por esse grupo neoconservador tupiniquim montado na rabeira da história dos neocons americanos. Senão, vejamos:

A surpreendente confissão de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ)

“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

Judith, autora da fala acima, primeira mulher a assumir a presidência da ANJ, é diretora-superintendente do Grupo Folha da Manhã, responsável pela publicação do diário “Folha de S.Paulo”. Disse o que disse porque, como chefe da entidade, tinha como certo de que não haveria outra interpretação, senão à dos editoriais dos jornais que representa, todos favoráveis ao papel da imprensa anunciado por ela. Em suma, Judith Brito, embora não seja jornalista, representa bem um dos piores vícios da categoria, sobretudo no que diz respeito à cobertura política: falar exclusivamente para si e para os seus pares de ofício, prisioneira em um círculo de giz no qual repórteres escrevem para outros repórteres, certos de que uns irão repercutir os outros, escravos de uma fantasia jornalística alheia à realidade do mundo digital que está no cerne, por e xemplo, da decadência e no descrédito dos jornais impressos – não por acaso, fonte do poder e da autoridade de Judith Brito.

O acordo nuclear com o Irã, capitaneado por Luiz Inácio Lula da Silva e pelo primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan

O sucesso da diplomacia brasileira nesse episódio criou um paradigma de atuação profissional do Itamaraty até então considerado impossível. De forma pacífica e disciplinada, a operação que resultou no acordo foi conduzida com extrema leveza, a caminhar sobre os ovos de aves agourentas distintas que se odeiam desde as primeiras luzes. Incorporou à biografia de Lula essa aura dos que lutam pela paz, requisito fundamental para a seleção dos premiados do Prêmio Nobel da Paz. Mas, antes que isso aconteça, a mídia brasileira vai finalmente descobrir que o milionário Alfred Nobel inventou a dinamite.

O resultado concretamente político dessa ação no Oriente Médio, apesar da bem sucedida pressão da extrema-direita americana sobre Barack Obama a favor de sanções contra o Irã, foi a desconstrução do discurso conservador da diplomacia brasileira, todo ele montado sobre as teses de alinhamento automático aos Estados Unidos, reação acrítica de atos de barbárie cometidos por Estados ocidentais e a submissão pura e simples às regras financeiras ditadas pelas nações ricas.
Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

terça-feira, 25 de maio de 2010

QUEREM TURBINAR O SERRA

Foto do equipamento que turbinará o Serra

PSDB aposta em inserções estaduais de Serra na TV

O PSDB usará as inserções estaduais do partido no rádio e na TV para turbinar o pré-candidato à Presidência da República, José Serra. O objetivo é conferir ao tucano uma "superexposição midiática" nas próximas semanas, de modo que ele recupere a liderança nas pesquisas em junho. Além do programa nacional do partido, no dia 17 do mês que vem, o PSDB requisitou as inserções de trinta segundos aos diretórios estaduais. A ideia é que nos locais em que não haja pré-candidato ao governo estadual o tempo de rádio e televisão migre integralmente para Serra.

O caso de Pernambuco é o mais emblemático. Como o partido não usou nenhuma das inserções a que tem direito - e como o PSDB também não tem candidato a governador por lá -, Serra aparecerá em 40 filmetes de trinta segundos - a quantidade de inserções varia por Estado. O tucano também será protagonista de inserções em outros locais, como no Rio Grande do Norte e na Bahia.

"Foi uma decisão partidária. Todo Estado sem candidato próprio vai ceder seu tempo a Serra. Trata-se de racionalidade", disse o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). Nos Estados em que há aspirante tucano ao cargo de governador, haverá divisão do tempo. É o caso do Paraná, onde Serra dividirá o tempo com Beto Richa.

O DEM e o PPS, que têm programas na próxima semana e no dia 10 de junho, respectivamente, também resolveram usar parte das programações nacionais em cadeia de rádio e TV, para expor Serra. A exposição na televisão e na mídia regional é a principal aposta que o PSDB faz para reverter as últimas pesquisas de intenção de voto, que apontaram empate entre Serra e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Para os tucanos, a petista cresceu nas pesquisas em razão da aparição excessiva na mídia recentemente.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O TETO DO SERRA É O DE SEMPRE


Tiro no pé causa dor de cabeça a ele e ao PIG




A entrevista que Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, deu ao jornalista Ricardo Noblat foi um verdadeiro desastre.
Para o próprio Noblat.
E para o candidato dele, o Serra.
Um tiro no pé.

Mesmo dizendo que “favoritismo não basta para ganhar uma eleição”, Coimbra disse, com todas as letras, que Dilma será a grande vencedora das eleições presidenciais de outubro.
O favoritismo da candidata de Lula é tão grande que, para Coimbra, nem mesmo uma suposta entrada de Aécio Neves na chapa de Serra deve alterar significativamente o cenário desfavorável à oposição.

(Diante do quadro assustadoramente desfavorável em que se encontra, seria muito difícil para Aécio entrar numa chapa na qual sua presença já fora rechaçada).

Minas é 11% do eleitorado. Aumentar 20 pontos no estado é (somente) 2% no total. Pode ser muito pouco no resultado final, diz o Presidente do Vox Populi, para o desespero do PIG.
Além do mais, cerca de 40% do eleitorado mal conhece ou não conhece Dilma.

Ainda.

Ela pode crescer mais 20 pontos.
Já Serra é conhecido por mais de 80% do eleitorado.
Logo, a tendência é que continue na sua ascendência de queda.
Até chegar onde sempre esteve.
Na casa dos 30%.

Leia a entrevista na íntegra.


Noblat: Boa tarde, Marcos Coimbra. Quem tem mais chances de se eleger presidente da República em outubro próximo?
Coimbra: Boa tarde, Noblat. Dilma é favorita, mas favoritismo não basta para ganhar uma eleição.

Noblat: Por que você considera Dilma favorita?
Coimbra: Ela empatou com Serra e tem um espaço de crescimento aberto à frente, junto ao eleitorado que está disposto a votar na candidata do Lula

Noblat: Isso é suficiente para que Dilma se eleja? Serra não tem espaço para crescer?
Coimbra: Serra é conhecido por 80% da população, com menos espaço para crescer. Dilma tem crescido tirando intenções de voto dele.

Noblat: A essa altura, quantos por cento das intenções de voto de Dilma resultam de transferência feita por Lula?
Coimbra: Dilma é a candidata dele, de continuidade do que ele representa. Nesse sentido, toda a intenção de voto que tem vem de Lula e do governo.

Noblat: Dilma corre o risco de o eleitor, a certa altura, concluir que votar nela não significa votar em Lula, não é a mesma coisa?
Coimbra: Claro que não é e o eleitor sabe disso. Quem pensa em votar nela não acha que Lula vai mandar, mas acha que ela preservará o que ele faz.

Noblat: Se os votos de Dilma não são dela, mas de Lula e do governo, o candidato poderia ser qualquer outro bom auxiliar de Lula. Ou não?
Coimbra: Me parece q sim, mas Lula deve ter tido razões para preferi-la. Seu papel no governo, seu perfil técnico, sua identificação com ele.

Noblat: Pelos seus cálculos, quantos por cento a mais de votos Lula ainda poderá repassar para Dilma?
Coimbra: Há ainda cerca de 40% do eleitorado que conhece mal ou não conhece Dilma. Ela pode crescer mais 20 pontos nesse segmento.

Noblat: Fernando Henrique Cardoso tira votos de Serra? Ou freia seu crescimento? Há algum tipo de cálculo a esse respeito?
Coimbra: A imagem de FHC é negativa e a maioria das pessoas acha que o governo dele foi muito pior que o de Lula. Isso é ruim para Serra.

Noblat: Por que Dilma cresceu tanto em maio? Exposição em programas partidários na TV? Companhia de Lula no programa do PT? Ou cresceria de todo jeito?
Coimbra: Todas as opções estão corretas. A propaganda do partido ajudou, Lula também, e ela estava em crescimento, lento, mas firme.
Noblat: Em junho, Serra terá muito espaço nos programas de TV de partidos. Automaticamente ele crescerá?
Coimbra: Ele é muito conhecido, o que limita essa hipótese. Mas deve melhorar, nem que seja por sustar o crescimento natural de Dilma.

Noblat: Lula já foi multado 4 vezes por fazer propaganda de Dilma antes do tempo. Faz mais de um ano que ele está em campanha por ela. Isso não a ajudou?
Coimbra: Mais que ajudou, é a explicação de tudo. Ele antecipou a campanha, todo mundo entrou em campo e ele teve tempo para apresentar sua candidata.

Noblat: Todo mundo, não. Serra não entrou. E ninguém dispunha do grau de exposição de Lula e de Dilma.
Coimbra: Desde 2009, todos os programas partidários foram eleitorais, PT, PSB e PSDB. Quanto à demora de Serra, a decisão foi dele e só dele.

Noblat: Serra tem um "teto" de votos que dificilmente ultrapassará? Qual seria?
Coimbra: Serra tem um piso alto e um teto limitado pela eleição que fazemos, onde o eleitor se pronuncia sobre politicas e governos e não sobre biografia

Noblat: E o teto de Dilma e de Marina Silva?
Coimbra: O teto de Dilma é o desejo de continuidade, que é muito alto. Marina corre o risco de ficar espremida entre dois grandes e não conseguir crescer.

Noblat: O que Serra precisaria fazer para driblar esse quadro desfavorável e ganhar? Ou não tem como?
Coimbra: Tentar trazer a eleição para o campo dele, a comparação de currículos. Torcer para que Dilma erre muito. Mas sua posição é de desvantagem.

Noblat: Aécio de vice poderia ajudar Serra a se eleger ou não acrescentaria grande coisa?Coimbra: Aécio só é bem conhecido em MG, onde Lula é muito querido. Serra está bem e é dificil avaliar se um ganho em Minas faria diferença.

Noblat: Não dá para avaliar se um ganho em Minas faria diferença para Serra? Ou você prefere não avaliar?
Coimbra: Minas é 11% do eleitorado. Aumentar 20 pontos no estado é 2% no total. Pode ser muito pouco no resultado final.

Noblat: Últimas perguntas. Por que a História registra erros tão clamorosos cometidos por institutos de pesquisa?
Coimbra: Os erros existem e todos procuramos reduzi-los ao mínimo. Mas os institutos brasileiros estão entre os que mais acertam no mundo.

Noblat: É certo que institutos pesquisem ao mesmo tempo para partidos e meios de comunicação?
Coimbra: É nossa tradição, mas é natural que seja discutida. Pode ser um dos itens a tratar na reforma política que aguardamos.

Noblat: Por fim - Montenegro, presidente do IBOPE, disse à VEJA no ano passado que a eleição de Serra era segura. Era na época ou ele estava errado?
Coimbra: Acho que seria melhor perguntar isso a ele.

ELEGER PROTÓGENES, O DESAFIO DO PC do B

Eleger Protógenes é ganhar do PIG

Protógenes: caminhada cívica nacional contra corrupção
Na última sexta-feira (21) o delegado e pré-candidato à Câmara Federal pelo PCdoB, Protógenes Queiroz, proferiu uma palestra sobre a corrupção no Brasil, na Ordem dos Advogados de Bragança Paulista. O evento reuniu representantes das forças de segurança da região, advogados e estudantes de Direito. Também participaram do encontro o deputado estadual Pedro Bigardi, e o presidente do Comitê Municipal do PCdoB, Kelmer de Lima.

O evento, definido por Protógenes como uma “caminhada cívica nacional”, integra um ciclo de palestras realizado em diversas cidades brasileiras há cerca de 19 meses. Durante aproximadamente uma hora, o delegado falou sobre os sucessivos escândalos envolvendo políticos brasileiros e enfatizou a necessidade de novos investimentos na área da segurança.

“Chegamos a um ponto neste país onde o certo é o errado, e o errado se tornou o certo. Vivemos um momento em que a corrupção passou a ser regra e os políticos não temem mais a justiça”.

O delegado defendeu também o envolvimento e a união de diversos segmentos da sociedade brasileira no combate à corrupção. Protógenes criticou as alterações no projeto Ficha Limpa aprovado recentemente pelo Senado. “Esse é um projeto de iniciativa popular que reuniu mais de dois milhões de assinaturas. Devemos lutar pela aprovação do texto original, para impedir que esses políticos processados voltem à política”.

Protógenes criticou também a política neoliberal de sucateamentos de serviços públicos brasileiros e voltou a falar sobre os motivos que o levaram a se filiar ao PCdoB. “O PCdoB tem uma história de luta pela ética e pela moral semelhante à minha própria história”.

Mariana Viel, da Redação

domingo, 23 de maio de 2010

SERRA PODE MAIS. ELE MATOU DEUS


Em desvantagem, Serra apela: Deus morreu
O Almanaque da Crônica tem o prazer de publicar o excelente texto de Gilson Caroni da Carta Maior: Quando Serra pôde mais, trabalhador pôde menos
Serra e a morte de Deus.


Do
Viomundo

José Serra precisa de ajuda. Não basta aquela que lhe é oferecida por uma mídia favorável. É necessário que alguém reavive seu senso de oportunidade. Um dos males que costumavam atacar com muita frequência o brasileiro, principalmente aquele que vivia de salário (a maioria, portanto) consistia na tendência de ser enganado com facilidade. Faz cerca de oito anos que o PSDB deixou o governo e ainda não se deu conta de que a percepção da realidade mudou. Jogar palavras ao vento, com fez o pré-candidato tucano para uma platéia de militantes (?) do PPS, é um exercício arriscado, uma manifestação que mescla soberba e desespero em dosagem tão hilariante quanto assustadora. Mas nada disso nos permite duvidar de sua capacidade e argúcia analítica. Afinal, como diz o slogan de campanha dos tucanos: “o Brasil pode mais”. Resta saber o quê. E para quem.

Ao afirmar, em uma tentativa de crítica à política econômica do governo Lula que ” nós estamos voltando rapidamente a um modelo que não atende à demanda de emprego que o país possui”, o ex-governador paulista aposta no total alheamento do eleitor brasileiro. Tamanha credulidade espanta, tendo em vista que o mundo do trabalho — a principal vítima do modelo neoliberal orquestrado pelo tucanato — aprendeu direitinho, na própria pele, o que significou o mercado desregulado como chave para o crescimento econômico e as virtudes do “Estado musculoso”, elementos centrais no discurso serrista.

A afirmação sobre empregos não é piada, nem brincadeira de um notívago diletante, mas desespero de um candidato que, em face de uma conjuntura que lhe é totalmente adversa, tem que produzir discursos a todo e qualquer custo. E de Serra, pode-se afirmar várias coisas, menos a de não ser um ator político que sabe o que faz. Sua eventual perdição, entretanto, antes de ser festejada pelas forças progressistas, deve causar desconfiança e vigilância redobrada. Pois é inevitável que os ânimos se acirrem em seus dois principais pólos de apoio: a mídia corporativa e o Poder Judiciário.

Mas a comparação suscitada por suas declarações é inevitável. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o número de vagas criadas no mercado de trabalho bateu recorde no primeiro trimestre de 2010, com um saldo acumulado até março somando 657.259 empregos. Convém retornar no tempo e observar como se comportava a economia brasileira quando o pré-candidato tucano era ministro do Planejamento e Orçamento do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso.

O desemprego na indústria atingia 5,7% em 1997 em relação a 1996, resultado fortemente influenciado pela taxa de dezembro, quando a queda foi de 2,6% em relação a novembro, a pior desde dezembro de 1990, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para se ter uma idéia do tamanho da retração nos empregos, os dados do instituto mostravam uma queda anualizada de 7,3%. Quando Serra pôde mais, o trabalhador pôde menos.

Até então, o governo FHC registrava um desemprego industrial de 19,77%. Mas o “Brasil que não podia mais”, aquele que os colunistas econômicos tanto enaltecem, vivia um amargo processo de ajuste, acentuado em 1996, com a atividade econômica represada e a queda no emprego apresentando taxas expressivas. Ao contrário do que afirma Serra, foi sob a batuta da modernização neoliberal que “o Brasil adotou uma política econômica desastrosa.”

Mas o discurso do tucano foi além, mirando também o campo da ética, com críticas a supostas práticas de corrupção no governo petista. Como fazem as vestais tucanas, destampou um poço de demônios para sentenciar: “se aquele que era o guardião da moral, da ética, do antipatrimonialismo toma outro rumo, o rumo oposto, para muita gente Deus morreu”. Que metafísica, o ex-governador paulista quer superar com essa alusão a Nietzsche?

Decerto não deve ser a do governo ao qual serviu em dois ministérios. Fernando Henrique não teve escrúpulos de usar métodos condenáveis para evitar investigação da banda podre da administração federal. A retirada de assinaturas para esvaziar a criação da CPI da Corrupção, em 2001, é um belo exemplo. O arrastão de favores para livrar o governo de qualquer constrangimento ficou como um dos mais baixos momentos de um presidente eleito e reeleito pela ansiedade ética na vida brasileira.

Fernando Henrique liberou por bravata os parlamentares de sua base política para subscrever a CPI e, na hora H, liberou verbas estocadas e fez nomeações para cargos públicos. Junto com ACM e José Roberto Arruda, FHC afrontou o sentimento ético da cidadania falando em “linchamento precipitado” quando sua posição anterior incentivava a punição exemplar e imediata. E onde estava José Serra em meio a tudo isso? No Ministério da Saúde, definindo a criação da CPI como uma “brincadeira”,” pretexto eleitoral”, ” instrumento para prejudicar a governabilidade.”

Em sua campanha, o tucano terá que se confrontar com questões sobre ética e economia. Mas com muita cautela, evitando o reaparecimento de fantasmas incômodos. Eles podem dizer que foi naquela época, e não hoje, que “para muita gente Deus morreu”. Um deus imanente, amoral e, tal como os dirigentes aboletados no Estado, servil ao mercado que o pagou.