segunda-feira, 4 de outubro de 2010

SEM ESSA DE APONTAR CULPADOS POR UMA DERROTA QUE NÃO EXISTIU

A princípio, pensei em desferir meu arsenal de críticas contra quem nem mesmo eu saberia dizer.
Apontar culpados na campanha petista pelo segundo turno que as oposições forçaram – a despeito das injúrias, mentiras e baixarias via-mídia e de outros meios – seria como reconhecer uma derrota que não houve.

Ao longo de quase dois anos fui projetando no meu cérebro a opção praticamente única e obrigatória de vitória logo em primeiro turno da ministra Dilma.
Não desejo ser redundante, tampouco repetitivo, mas faz sentido lembrar o fato de que Lula ganhou duas eleições consecutivas.
E nem uma delas no primeiro turno.

Na de 2006 temos até hoje a nítida constatação de que nem mesmo o caseiro Francenildo tiraria de Lula a reeleição no primeiro turno.

Seria necessária uma hecatombe política de proporções ainda mais destrutivas ou a ocorrência de algum desastre que pudesse ser ligado ao Governo.

Aí a Globo descobriu os aloprados petistas com suas malas e cuecas abarrotadas de dinehiro e levou uma eleição dada como certa para o segundo turno.
Em 2010, nem o sigilo do EJ nem a Erenice surtiram o efeito esperado.
O efeito atende pelo nome de Marina Silva.
Falsa, traíra, usada ou não.
Ela fez a difeença

Haverá nova votação no dia 30 de outubro.
E Dilma terá que vencer o candidato tucano José Serra.
Não tem outra escolha.

Se erros existiram, não foram dos eleitores que votaram em Dilma Rousseff.
Culpar Marina Silva pelos vinte milhões de votos por ela obtidos é negar a democracia.
Méritos dela e para ela.

Marina fez o que deveria ser feito, pouco importando se foi ou não um joguete usado pela direita.
Sem apelar para a baixaria.
E, se disse algo que tirou votos de sua concorrente e esta não os reconquistou, paciência.

Que trate de fazê-lo agora enquanto há tempo.
Não é criticando Marina Silva que o PT conseguirá fazer a sucessão de Lula.

Dilma teve nesse primeiro turno a mesma média dos votos que Lula obteve nas duas últimas eleições ganhas por ele no segundo.
Dá perfeitamente para repetir, com acréscimo, a vitória de 3 de outubro.

Dilma Rousseff não perdeu.
O grande perdedor foi a oposição.
Essa, sim, saiu desmilinguida e massacrada nacionalmente.
O brasileiro foi impiedoso e eliminou da política o que de pior havia no Congresso.
Mandar ao ostracismo um Arthur Virgílio da vida e o raivoso Tarso Jereissate somado-se gente do quilate do Mão Santa, Heráclito e Companhia é um fato digno de entrar para os anais da história.

Dilma terá uma base de apoio no Congresso sólida e aprovará folgadamente, todas as emendas constitucionais pondo em prática as mudanças que se fizerem necessárias.
E isso é o que contará.
Sua vitória foi apenas adiada pela vontade soberana dos brasileiros até 30 de outubro.

Faz parte.







sábado, 2 de outubro de 2010

O PREÇO DO VOTO

Votar deveria ser uma atitude de natureza cívica e voluntária, livre, democrática e espontânea.
O ato de votar, presume-se, deveria ser revestido e precedido de um espírito independente sem as amarras que o associam a intercâmbios financeiros ou materiais.

O voto não é objeto de troca nem de venda.
O voto sufragado nas urnas haveria de ter as digitais da nossa conduta ética e moral.

Ele tem o exato valor da nossa consicência.
E a nossa consciência não está à venda.
Ela não tem preço.

O abuso do poder econômico constitui um vício danoso à democracia cuja existência o eleitor é um dos responsáveis.
O eleitor que vende ou troca o seu voto é também o maior perdedor numa eleição independentemente de quem a venceu.
O meu voto não pode ter o valor de uma dentadura nem de um reles par de chuteiras.

Fazer do voto moeda de troca não é racional, quanto mais legal.
E não contribui para o fortalecimento do processo democrático.
Quem vende ou negocia seu voto também comete uma ilicitude diante da Justiça contribuindo penosamente para que as fraudes eleitorais sejam uma nódoa que desnuda o atraso cultural e foca na pobreza material ainda existentes no Brasil.

Neste domingo é dia de eleição.
O povo escolherá, pelo voto, os seus candidatos.

A palavra candidato vem de “cândido” e lembra alguém limpo, inocente e puro.

Sôa até cômico e pretensioso buscar encontrar alguém com tal perfil nos dias atuais.
Entretanto, importa frisar que não existe o político corrupto sem que haja o eleitor que se deixe corromper.
Ninguém vende nada se ninguém nada comprar.
Não faça da sua consciência uma mercadoria e vote de acordo com seus valores éticos.

O Brasil precisa de cidadãos justos e coerentes comprometidos com o seu desenvolvimento e bem estar social, político e econômico.
E quando deixamos nos manipular pelos políticos de caráter ou ficha sujas, estamos, ainda que involuntariamente, desconstruindo a ética e deixando transparecer que o outro lado da nossa personalidade habita alguém cuja ficha também não é tão limpa assim.

O voto livre, só é livre verdadeiramente quando brota como planta do centro da nossa consicência e se ramifica na terra arenosa das urnas e cresce sem imposições nem manipulações de qualquer espécie.

Vote e escolha o candidato que achar mais comprometido com as causas sociais do nosso Município, Estado e País.
Faça a melhor escolha. E leve, além do Título, um documento oficial com foto.

Leve também, se quiser ou precisar, uma cola com os nomes e números dos seus candidatos.

Boa votação a todos!

SERRA DO B - MARINA, A SANTINHA DO$ MI

Republico postagem do Conversa Afiada: Quem paga o jatinho de US$ 50 milhões da Marina ?

O Conversa Afiada reproduz post do site Sejaditaverdade.

O que o amigo navegante acha mais apropriado para referir-se à Bláblárina:
- Traíra
- Eco-capitalista
- A candidata de duas caras
- Voz de despertador de segunda feira (segundo o Zé Simão)
- Serra do B
Isso dá uma enquete …

Escândalo: Marina faz a campanha presidencial mais cara!

Como os auditores, policiais ou contadores sabem quando alguém lava dinheiro? Fácil, a pessoa começa a ter um padrão de vida bem superior aos seus rendimentos. Em outras palavras, o suspeito tem um carro que está muito além do seu salário, vive em uma casa com tamanho luxo e não há o que explique a origem dos recursos para a compra da tal casa.
 Na campanha presidencial deste ano, uma candidata desponta como aquela que leva um padrão bem acima daquilo que é declarado: é a verde Marina Silva.
Em setembro deste ano, as doações da campanha da candidata superavam a marca de 13 milhões de reais, tornando a campanha de Marina mais cara que a de Lula em 2006.

Ainda sim, Marina e Guilherme Leal, seu vice bilionário e cuja empresa é acusada de biopirataria e tem mais de R$ 1,5 bilhão em multas da Receita Federal, afirmam fazer uma campanha modesta frente aos candidatos José Serra e Dilma Rousseff.

Aos moldes da campanha vitoriosa de Barack Obama nos Estados Unidos, Marina foi a primeira a pedir doações na internet. O objetivo, segundo a candidata, era garantir que as doações fossem transparentes (aqui). As doações são pífias, não tendo passado de pouco mais de R$ 160 mil até a semana passada.
Não foi o que aconteceu. No começo do pleito, Marina viajava o país todo dentro de um jatinho Legacy, propriedade da Natura, empresa do vice do PV.

Há alguns dias, em imagem exibida no Jornal Nacional, percebe-se que o avião agora é outro: um luxuoso e exclusivo jato Falcon 2000 Easy, no valor de mais de 50 milhões de dólares.  

Os custos deste avião são tão caros que havia apenas dois modelos no Brasil. Agora temos um terceiro, o de Marina. Na imagem do Jornal Nacional, podemos observar no canto esquerdo da tela a logomarca da Colt Aviation, conhecida por administrar e alugar jatos de potentados, banqueiros e grandes empresas nacionais e internacionais, além dos altos valores que cobra por seus serviços.
Agora , nesta reta final de campanha, surgem dúvidas pertinentes aos eleitores:

Por que Marina trocou de avião?

Por que Dilma voa em um Citation e Serra em um Learjet, aviões bastante inferiores aos da falsa humilde ex-Marina, e ela gasta milhões em seu raid aéreo por todo o Brasil?

Por que a candidata do PV prega vida simples e sustentável aos outros, mas para si ostenta o luxo e polui o meio-ambiente voando numa máquina de US$ 50 milhões?

E a pergunta mais importante de todas: QUEM PAGA POR ESTE AVIÃO E QUE INTERESSES TÊM NISSO?

Marina Silva tem que vir a público para explicar estas questões. A sua máscara de boazinha já caiu faz tempo. Caiu com um super jato, com comissária de bordo, navegação e telefonia por satélite, interior luxuosíssimo, cama de casal, bar, escritório e um custo aproximado de US$ 10 mil por hora de vôo?

Barack Obama voou em sua campanha num jato Legacy, da JetBlue Airlines, fabricado no Brasil. Marina silva voa num avião que custo o dobro. Chique, não?

Sejaditaverdade

Conheça os detalhes do escândalo que envolve Marina Silva e a utilização de jato de US$ 50 milhões em sua campanha. http://migre.me/1sfWC

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

SOLIDÃO E MELANCOLIA DE SERRA EM UM FINAL PREVISÍVEL



Serra é um solitário sem solidários.
O Aécio com o Anastasia nunca o quiseram lá pelas minas.
Até FHC – o criador – virou as costas a sua criatura.
Presumo que Serra jamais esteve em Manaus junto do Arthur Virgílio.
Caso esteja equivocado, então isso explicaria seu provável e amazônico naufrágio nas águas turvas do Rio Negro empurrado pela comunista Vanessa.

O único que, por alguma complacência e senso de esportividade deu guarida ao “grande feitor de tudo o quanto” – Serra foi quem descobriu o fogo e a pólvora, o big-bang, a penicilina e o eixo da Terra através do qual sua desconexa imaginação gira – foi seu afilhado Geraldo Alckmin.
E nem isso o livrou da humilhação de sofrer a maior derrota no quintal da própria casa que é São Paulo.

O blogueiro e colunista da Folha, Josias de Souza, desapontado com o pífio desempenho do candidato midiático no debate da Globo, declara que Serra perdeu para sua própria mediocridade.

O Serra é assim.
Como ele mesmo se autodescreve.
Um ser inexpressivo, medíocre, arrogante e autoritário travestido de inteligente e profundamente capaz.
Aquele que se “preparou para ser presidente”.
E que se esqueceu de combinar isto com os brasileiros.

O Serra não promete.
Ele anuncia. Ele faz.

O Serra que se diz professor de Economia ensina que não sabe nada de Português muito menos de tempos verbais.
Ele não sai do verbo “fazer” conjugado na 1ª pessoa do singular:

Eu fiz a lei.
Eu fiz a emenda da lei.
Eu fiz o genérico.
Eu fiz o mutirão da dengue, da catarata e das gengivas...
Eu fiz o FAT, a Fiat com a Ferrari do schumacher.
Eu fiz a Torre Eiffel.
Eu matei Saddam Hussein, prendi o Bin Laden e o entreguei ao Obma.

Serra fez, Serra faz tudo.
Fez tudo sozinho. Sem a intervenção ou colaboração de parceiros nem aliados.

Falta ao Serra anunciar que sua barca está agora mais vazia.
Um enorme fardo e incômodo peso atirou-se ao mar e ao que tudo indica, foi salvo pelo velho pescador, Plínio.

O paladino da moral Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, abandonou a nau tucana.
Ele “liberou” os petebistas a escolherem livremente o presidente da república.

Atitude desnecessária esta.
A maioria absoluta dos congressistas já apoiava a candidatura Dilma Rousseff.

O Roberto Jefferson não tem autoridade moral para proibir nem liberar ninguém para o que quer que seja.
Muito menos para votar na Dilma.
Jefferson explodiu de revolta e desapontamento ante a fragilidade e desmotivação de Serra no debate global.

Afinal, ali se armou o grande ring onde Serra poria à nocaute a candidata oficial.
Trucidar Dilma, liquidá-la e humilhá-la diante da maior audiência das Tvs abertas brasileira seria mais que uma obrigação do candidato “mais preparado”.
Jefferson e mais alguns comparsas que mal chega a lotar uma Kombi sucumbiram ao desastre que é Serra.

Se 3 de outubro fosse terça feira, o Serra correria sérios riscos de terminar esta malograda campanha solitariamente isolado e falando só.

Apenas ele e suas Mônica e Verônicas.

É de dar dó.

SERRA FOI VENCIDO PELA PRÓPRIA MEDIOCRIDADE

Em debate ‘vencido’ por Bonner, Dilma saiu incólume

O desapontamento da tucanagem é irremediável.
Para quem esperava o nocaute de seu candidato contra Dilma Rousseff, acabou por ser nocauteado pelo desânimo.
O debate presidencial da Globo era a última trincheira do Serra para levar a luta ao segundo assalto.
Não deu.
A bandeira da derrota demotucana há muito foi desfraldada e tremula sob o céu negro da elite da elite brasileira.

 

Por sorte, o último dabate do primeiro turno foi de graça. Se tivesse bilheteria, a platéia ia pedir o dinheiro de volta.

Depois de toda a expectativa, o embate foi só aquilo? Tempo livre para a preparação, assessores, a estrutura da Globo, camarins, comes de bebes, maquiador, boa audiência, estúdio climatizado, iluminação, câmeras, som.
Enfim, um palco perfeito, condizente com a dramaticidade de um evento à beira das urnas. Tudo isso para os contendores darem aquele espetáculo pobre? Ora, francamente!

Estava entendido que não teria troca de socos ou mordidas na orelha. Mas esperava-se um pouco mais. Uma boa frase, uma metáfora elaborada, uma ironia fina. Qualquer coisa que compensasse o desperdício do sono de quem não dormiu.
Foi uma discussão soporífera. Vencedor? O Willian Bonner. Perdedor? O telespectador. Não se diga que eram adversários de pouca expressão. Sob os holofotes, os dois pesos pesados da sucessão.

Dilma e Serra não se dignaram a dirigir um ao outro uma mísera pergunta. No caso dela, compreenssível. As pesquisas já lhe dão a vitória por pontos. Subiu no ringue para expor a braçadeira de Lula e exercitar a esquiva.
Mas e quanto a ele? Precisava de um nocaute verbal. E refugiou-se atrás de sua própria inexpressividade. Nem de Erenice Guerra Serra se animou a falar. O caso da violação fiscal? Nem pensar.

No raro instante em que ergueu os punhos, Serra esmurrou a peso leve Marina. Sim, isso mesmo, Serra socou sua única e escassa esperança de segundo turno.
Aliás, diferentemente de Serra, Plínio e Marina retiraram da cena global o máximo proveito. O peso pena Plínio, sabendo-se inviável, distribuiu provocações. E fez a propaganda dos candidatos do PSOL ao Legislativo.

Marina estava desenvolta. Quando lhe coube perguntar, dirigiu-se ora a Dilma ora a Serra. “São muito parecidos”, jabeou. Dois gerentes “sem visão estratégica”.
Numa das perguntas a Serra, Marina lembrou que tucanos e ‘demos’ torciam o nariz para o Bolsa Família. Cobrou autocrítica.

Serra avocou para si a gênese do programa. Na Saúde, disse, criou o Bolsa Alimentação, que junto com outros programas de FHC, Lula unificou. “Acho estranho. Toda vez vem a mesma pergunta e volta a mesma resposta”, reclamou.
Marina não se deu por achada: “Faço questão de perguntar, porque, para mim, os programas sociais são importantes”, disse ela na réplica. Acusou Serra de ajustar o discurso conforme à “conveniência” eleitoral.

O tucano perdeu a calma. “Não use a sua régua para medir os outros”. Devolveu a comparação que Marina fizera com Dilma. “Vocês tem coisas muito parecidas”, bateu.
Até recentemente, era do PT. Pior: “Ficou no governo do mensalão”.
Alcançado pelo celular, um aliado de Serra disse ao repórter que murchou na poltrana do estúdio. Imaginava que seu candidato acionaria miraria em Dilma, não em Marina. De alvo potencial, a pupila de Lula tornou-se expectadora.

Guiando-se pela cartilha da marquetagem, Dilma fez o que lhe convinha fazer. Ligou os feitos do “nosso governo” aos desacertos do “governo passado”. E, livre das questões sobre escândalos, portou-se com equilíbrio e ponderação.
Deve-se a Plínio, não a Serra, a única passagem constrangedora de Dilma. Dizendo-se orgulhoso do PSOL, ele perguntou se os rivais tem vergonha de seus partidos. Dilma enalteceu o PT, preferido de “cerca de 30% dos brasileiros”.

Na réplica, Plínio disse que as doações de sua campanha foram à internet. E Dilma: “Registramos as doações no TSE. Gostaria de deixar claro que todas as doações são oficiais”. A platéia (cerca de 200 pessoas) foi às gargalhadas.
“Lamento os risos de quem tem outras práticas. A minha não é essa”, Dilma respondeu. E pôs-se a elogiar a coligação que a rodeia, um consórcio que vai do PMDB ao PCdoB, passando por um imenso etc.

Não se viu nas duas horas de debate um lance capaz de mover a tendência do eleitorado. Quando muito, Marina ganhou uns votinhos a mais. “Duas mulheres no segundo turno”, ela pediu, nas considerações finais.
Depois de Willian Bonner, Dilma foi a principal beneficiária da pasmaceira. Saiu ilesa. Além dos telespectadores, Serra foi o grande prejudicado. Com uma diferença: a platéia foi vítima involuntária. O tucano foi vencido pela própria mediocridade.

Ainda que a gratuidade das cenas dispense os recursos ao Procon, a audiência, se pudesse, dirigiria um pedido coletivo à Globo: Por favor, sem replays. Nada de ficar reproduzindo o impensável nos telejornais.

Josias de Souza, na Folha Oline

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SERRA E GILMAR DANTAS: O CALDO PODE ENTORNAR PRO LADO DELES

Do do Escrevinhador, o blog do Rodrigo Viana: Maierovitch e o impeachment de Gilmar Mendes


Reproduzo texto do brilhante jurista Walter Maierovitch, publicado no blog dele, no Terra.


NOS CORREDORES DO SUPREMO, FALA-SE EM IMPEACHMENT DE GILMAR MENDES

por Walter Maierovitch

A matéria apresentada pelo Jornal Folha de S. Paulo é de extrema gravidade. Pelo noticiado, e se verdadeiro, o ministro Gilmar Mendes e o candidato José Serra tentaram, por manobra criminosa, retardar julgamento sobre questão fundamental, referente ao exercício ativo da cidadania: o direito que o cidadão tem de votar.
Atenção: Gilmar e Serra negam ter se falado. Em outras palavras, a matéria da Folha de S.Paulo não seria verdadeira.
Pelo que se infere da matéria, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes interrompeu o julgamento do recurso apresentado pelo PT. Pela ação proposta, considera-se inconstitucional a obrigatoriedade do título eleitoral, acrescido de um documento oficial com fotografia.

O barômetro em Brasília indica alta pressão. Pressão que subiu com o surpreendente pedido de “vista” de Mendes. E que chegou no vermelho do barômetro com a matéria da Folha. Ligado o fato “a” (adiamento) com o “b” (pedido de Serra), pode-se pensar no artigo 319 do Código Penal: crime de prevaricação.
Já se fala entre políticos, operadores do Direito e experientes juristas, caso o fato noticiado na Folha de S.Paulo tenha ocorrido e caracterizado o pedido de Serra para Gilmar “parar” o julgamento, em impeachment do ministro.

O impeachement ecoa na “rádio corredor” do Supremo. E por eles circulam ministros e assessores.
Com efeito. O julgamento da ação proposta pelo PT transcorria sem sobressaltos. Não havia nenhuma dificuldade de ordem técnica-processual. Trocando em miúdos, a matéria sob exame dos ministros não tinha complexidade jurídica. Portanto, nenhuma divergência e com dissensos acomodados e acertados.

Sete ministros já tinham votado pelo acolhimento da pretensão apresentada, ou seja, ao eleitor, sem título eleitoral, bastaria apresentar um documento oficial, com fotografia. A propósito, a ministra Ellen Gracie observou que a exigência da lei “só complica” o exercício do voto.
O que surpreendeu, causou estranheza, foi o pedido de vistas de Gilmar Mendes. Como regra, o pedido de vistas ocorre quando a matéria é de alta complexidade. Ou quando algum ministro apresenta argumento que surpreende, provocando a exigência de novo exame da questão. Isso para que quem pediu vista reflita, mude de posição ou reforce os argumentos em contrário.

Também causou estranheza um pedido de vista de matéria não complexa, quando, pela proximidade das eleições, exigia-se urgência.
Dispensável afirmar que não adianta só a decisão do Supremo. É preciso tempo para a sua repercussão. Quanto antes for divulgado, esclarecido, melhor será.
Terceiro ponto: a votação no plenário do STF se orientava no sentido de que a matéria era de relevância, pois em jogo estava o exercício da cidadania. A meta toda era, como se disse no julgamento, facilitar e não complicar o exercício da cidadania, que vai ocorrer, pelo voto, no próximo domingo, dia das eleições.

Um pedido de vista, a esta altura, numa questão simples, em que os sete ministros concluíram que a lei sobre a apresentação de dois documentos para votar veio para complicar, na realidade, dificultava esse mencionado exercício de cidadania ativa (votar).
O pedido de vista numa questão que tem repercussão, é urgente e nada complexa, provocou mal-estar.
Os ministros não querem se manifestar sobre a notícia divulgada pela Folha, uma vez que, tanto José Serra quanto Gilmar Mendes negaram. Mas vários deles acham que a apuração do fato, dado como gravíssimo, se for verdadeiro, é muito simples. Basta quebrar o sigilo telefônico.

Pano rápido. Como qualquer toga sabe, a matéria da Folha de S.Paulo é grave porque envolve, caso verdadeira, uma tentiva de manipulação que prejudica o direito de cidadania. Trata-se de um ministro do Supremo, que tem como obrigação a insenção. Serra e Mendes desmentiram. A denúncia precisa ser apurada pelo Ministério Público e, acredita-se, que a dra Cureau não vai deixar de apurar e solicitar, judicialmente, a quebra dos sigilos telefônicos de Serra e Mendes.

A única forma de se cassar um ministro do Supremo, já que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não tem poder correcional sobre eles, é o impeachment. Ministros do Supremo só perdem o cargo por impeachment.
O único caminho, quando se trata de grave irregularidade, de crime perpetrado — e esse caso, se comprovado, pode ser caracterizado como crime —, é o impeachment.

Na historiografia judiciária brasileira nunca houve impeachment de ministro do STF. Já houve cassação pela ditadura militar, e por motivo ideológico.

A FARSA ANUNCIADA

Paulo Henrique Amorim: A testemunha-bomba do PiG (*) é para associar Dilma ao PCC


O Conversa Afiada reproduz texto que recebeu de amigo navegante.
Perceba a possível conexão entre o teor do texto e a notícia veiculada em Brasília:

A “bala de prata” é a maior fraude da história política do Brasil.
Indivíduos do Capital e da região de Sorocaba, com diversas passagens pela polícia (roubos, receptação, assaltos à mão armada, seqüestros etc.) foram contatados por políticos ligados ao PSDB local através de um elemento intermediário com trânsito mútuo;

Foram informados de que “prestariam serviços” e levados até um shopping da cidade de São José do Rio Preto;
Lá mantiveram encontro com outras três pessoas, descritas como “muito importantes”, e receberam um adiantamento em dinheiro vivo;

Não se tratava de qualquer encomenda de morte, assalto ou ato criminoso tão comum para os marginais recrutados;

Imediatamente, tais bandidos foram levados até o Rio de Janeiro, a um bairro identificado como Jardim Botânico, onde ficaram confinados por dois dias;

Uma equipe de TV, num estúdio particular, gravou longa entrevista com os bandidos. O script era o seguinte: “somos do PCC, sempre apoiamos o governo Lula e estamos com Dilma”. Não fugiu disso, com variações e montagens em torno de uma relação PCC/Lula/PT/Dilma;

Os bandidos recrutados também foram instruídos a fazer ligações telefônicas para diversos comparsas que cumprem penas em penitenciárias do Estado de São Paulo. A ordem era clara: simular conversas que “comprovassem” a ligações entre o PCC e a campanha de Dilma;

Tudo foi gravado em áudio e vídeo;

A farsa começou a ser desmontada quando o pagamento final pelo serviço veio aquém do combinado;

Ao voltarem para São Paulo, alguns dos que gravaram a farsa decidiram, então, denunciar o esquema, relatando toda a incrível história acima com riqueza de detalhes;

As autoridades já estão no encalço da bandidagem. De toda a bandidagem;

A simulação seria veiculada por uma grande emissora de TV e por uma revista depois do término do horário eleitoral, causando imenso tumulto e comoção, sem que a candidata Dilma Rousseff, os partidos que a apóiam e o próprio governo Lula tivessem o tempo de denunciar a criminosa armação;

Essa é a “bala de prata”. Já se sabe seu conteúdo, os farsantes e o custo, além dos detalhes. Faltam duas peças: quem mandou e quem veicularia (ou ainda terá o desplante de veicular?) a maior fraude da história política brasileira;

Com a palavra, as autoridades policiais.

A propósito, o amigo navegante enviou essa “nota” extraída da imprensa de Brasilia:

29/09/2010
00:00 – www.claudiohumberto.com.br

Almoço global

A Rede Globo oferece em São Paulo almoço vip, nesta quinta, data do último debate presidencial, a Leandro Daiello, superintendente local da Polícia Federal – que anda atarefada com inquéritos de Erenice & cia.