
Também no dia 05 de Outubro do ano que passou, a Constituição Federal completou 20 anos de promulgação.
Antes, em 13 de Maio, tivemos o aniversário de 120 anos da abolição formal da escravidão em nosso país.
Digo formal, porque informalmente a escravidão ainda existe entre nós.
Para se ter uma ideia, ano passado o número oficial de pessoas consideradas vítimas de trabalho escravo no Brasil era de 42.526, segundo especialistas.
O Brasil não é um país sem lei. O Brasil é um país onde as injustiças se dão em consequência da falta de cumprimento das leis existentes.
E quando as leis são cumpridas, elas favorecem sempre os ricos.
Isso só faz aumentar ainda mais o grau de injustiça através do qual os grandes subjulgam os pequenos.
Uma vez, um dos maiores bisbos da Igreja disse que toda violência dos pequenos é uma violência provocada anteriormente pelos grandes. E pode ser.
No mundo e no Brasil, a injustiça, às vezes não pode ser vista, mas pode ser sentida em números.
Como os que afirmam que 2/3 da população mundial vive abaixo da linha da pobreza.
E que 3 bilhões de pessoas sobrevivem com uma renda mensal inferior a 60 dólares (no Brasil isso equivalhe a mais ou mesnos 120 reais – que dividido, dá apenas 4 reais por dia).
Por fim, mais de 25% da população mundial não tem acesso à água potável e pelo menos uma em cada sete pessoas passa fome diariamente. Quer dizer, milhares de pessoas não tem nem mesmo 4 reais diariamente para comprar sequer um pão e uma quarta de café.
A tudo isso podemos dar o nome de exclusão social. Ou seja, o ser humano é excluído do direito à terra, ao trabalho, a um salário, à cidadania e à vida.
Sem direito a nada disso, resta a violência: nos lares, nas escolas, no campo e nas cidades, como em São Paulo, onde a violência se mostra nas mais diversas formas.
Para se ter uma idéia, o número de mortes provocadas somente pela Polícia paulista, que é treinada para proteger o cidadão, chegou a 245 pessoas em 2008. Imagina se a polícia fosse treinada para matar!
Outra face da violência, da negação dos direitos humanos, da injustiça e da desigualdade social revela que são realizados mais de 1 milhão de aborto por ano no Brasil.
O aborto inseguro está entre as principais causas evitáveis de morte materna e cerca de 250 mil internações são realizadas por ano.
Num país onde só pobre e negro vão em cana, e onde rico e político podem quase tudo, pouco resta a ser feito.
E entre esse pouco que resta, acreditar na possibilidade de mudança da nossa maneira de escolhermos os nossos representantes nos poderes executivos e legislativos já pode ser muita coisa.
No ato de promulgação da nova Carta Magna, Ulisses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, disse:
“Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira e desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados”.
Que o Brasil consiga enxergar a luz no fim do túnel de suas injustiças – ainda que seja a luz de uma lamparina.
A utopia vencerá um dia.
devia ter mais informação da injustiça social
ResponderExcluirA verdade é que todos nós que somos considerados cidadãos de classe baixa somos escravos hoje em dia, tudo que os patrões exigem deve ser cumprido mesmo que esteja fora de nossos deveres e se você por qualquer motivo se recusar, é mandado embora e já se forma uma fila de gente para ocupar seu cargo.
ResponderExcluirNo Brasil o que vigora não é a lei, na verdade existe um sistema ligado às instituições que serve aos poderosos e em nada se parece com a Declaração dos direitos humanos, é fato conhecido que no cotidiano um homem vale aquilo que possui.
beba fanta!
ResponderExcluirParabéns!!! Gostei da reportagem, muito bem feita! Continue assim, foi um ótimo trabalho.
ResponderExcluirSaulo
muito bom texto
ResponderExcluirisso é culpa desse lixo de constituição que a muito tempo deveria ser mudada tambem não só a constituição esse constituintes que não fazem nada para melhorar a vida do povo só fazem o que lhes enteressam
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