quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

LULA VOLTA À CENA

Uma estrela cujo brilho incomoda a mída


Lula deve reaparecer em público no Fórum Social Mundial

A despeito do "exílio midiático" que a grande imprensa lhe "concedeu" após 1º de janeiro, a estrela chamada Lula voltará à cena agora em fevereiro.
Ele deverá participar da edição do Fórum Social Mundial (FSM) que este ano se dará no Senegal.

Lula irá porque foi convidado.
Coisas assim, A mídia azul e amarela não diz porque não quer.
FHC não vai porque não foi convidado.
Isso a mídia tucana não diz porque não pode.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve voltar à cena política no Fórum Social Mundial (FSM), marcado para fevereiro, em Dacar, no Senegal. Para Lula, a escolha é oportuna, já que ele tem afirmado que o foco de sua atuação internacional será o combate à miséria e à fome na África.

A organização do FSM ainda aguarda a confirmação da presença do ex-presidente. Segundo Salete Canba, do grupo de apoio e reflexão do Fórum, o ex-ministro Luiz Dulci acenou com a possibilidade de Lula comparecer ao evento, em dezembro. De lá para cá, nenhum contato foi feito — e Salete espera justamente esta confirmação para apresentar uma agenda de atividades para o ex-presidente em Dacar. A assessoria de Lula afirma que a viagem só será avaliada em reunião nesta quinta-feira.

Foi no primeiro Fórum Social Mundial, em 2001, em Porto Alegre, que Lula lançou sua campanha vitoriosa à Presidência. Agora, na 11ª edição do evento, o ex-presidente é esperado como a maior estrela da festa.

Quando era presidente, Lula chegou a participar tanto do FSM quanto do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Os dois eventos ocorriam simultaneamente, já que o Fórum Social foi criado como um contraponto a Davos. Neste ano o FSM será promovido depois de Davos, que acontece no final de janeiro.

“Não dá para entender o que se passa em Davos. Ficam todos como baratas tontas. Antes, era a celebração do neoliberalismo. Com a crise econômica, não defendem mais o neoliberalismo. Já nós discutíamos a crise quando eles (Davos) não falavam desse assunto”, afirmou Oded Grajew, um dos criadores do FSM, para quem o fórum ficou maior do que o “contraponto” ao neoliberalismo.

A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, não é esperada em Dacar. O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deverá representá-la. Segundo o Itamaraty, Dilma também não irá a Davos, sendo representada pelo chanceler Antonio Patriota. Por enquanto, na agenda da presidente para fevereiro, só há o roteiro da América do Sul.












terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O ESPETÁCULO DO TEMPO

É espetacular!


Tempo como serviço, não como espetáculo

Não é nenhuma novidade: a cada tragédia, e o PIG lança mão de seu arsenal de fuzilamento contra o Governo.
Lula foi o responsável pelo choque em pleno ar do boing da Gol com o Legacy da Embraer.
O nordestino de Garanhuns não controlou o jato da TAM que não parou e pegou fogo em Guarulhos.
Foi Dilma - e não Deus, como em São Paulo - com a "ajuda" de Lula que fez desmanchar com água vinda do céu os morros cariocas.
Pior: Dilma não avisou a população que a morte estava chegando.
Assim como o próprio PIG.
Esta postagem, extraída da Carta Maior, do professor da USP, o jornalista Laurindo Filho bota a mão nessa ferida.
O PIG, sem nenhum princípio ético e moral, faz uso político de uma tragédia e expõe milhares de vítimas ao constrangimento.

Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.

Laurindo Lalo Leal Filho

Todas as redes comerciais de televisão no Brasil têm as suas moças do tempo. São herdeiras, em São Paulo, do Narciso Vernizzi, o primeiro “homem do tempo” da rádio Jovem Pan.

Elas surgem do nada, entre uma notícia e outra, aparecem no canto da tela e caminham para o centro, mostrando mais que o tempo as suas belas curvas.

Em casa, o telespectador vê atrás das moças as indicações do clima e da temperatura em todo o Brasil. Com algumas variações, esse tipo de informação é universal. O canal mundial da BBC mostra o tempo em várias partes do mundo, sem as moças.

São informações úteis, mas limitadas. Ajudam a sair de guarda-chuva no dia seguinte ou, aos viajantes, a escolha do que colocar na mala. Não sei se informações tão superficiais e genéricas contribuem para decisões mais importantes, como dos agricultores, por exemplo.

Apesar do avanço da internet, o rádio e a televisão ainda são os mais eficientes e abrangentes serviços públicos de informação. Não há outro meio que consiga falar de forma tão rápida para milhões de pessoas ao mesmo tempo.

Em momentos críticos tornam-se imprescindíveis. Pena que, por aqui, são pouco usados nesse tipo de prestação de serviços.

No caso de tragédias, como as deste início de ano, ao invés de moças desfilando à frente de ilustrações artísticas, deveríamos ter as programações interrompidas.

Em seu lugar seriam formadas cadeias nacionais ou locais de rádio e TV, antes das catástrofes, dando orientações seguras para a população. Sem pânico, mas com precisão e firmeza. E não generalizando com frases do tipo “chove no litoral do nordeste”.

Trata-se de um de trabalho que deve ser o mais localizado possível, com o envolvimento articulado dos serviços de meteorologia, da defesa civil e do jornalismo, na produção das informações.

Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez de colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.

Ou, no caso, de São Paulo que vias deveriam ser evitadas na iminência dos temporais, já que não há segredo nessa cidade sobre onde se localizam os eternos pontos de alagamento.

Para obter mais eficiência, esse serviço deveria ter seu foco nas informações locais. Dai a importância da regionalização das programações de rádio e TV, tão combatida pelos concessionários do setor.

No entanto são elas que darão às emissoras regionais e locais experiência, tanto na produção como na técnica, para enfrentar com competência situações extraordinárias.

Nem todos se salvariam, é verdade. Mas, com certeza, os danos seriam menores.

Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas.

Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas.

Muitos navios não foram à pique na costa brasileira graças ao programa radiofônico “A Voz do Brasil”. A seção “Aviso aos navegantes” informava todos os dias, minuciosamente, as condições das bóias de luz, sinalizadoras dos perigos naturais existentes no mar.

Era o rádio atuando como serviço público numa época de recursos eletrônicos muito limitados, se comparada aos hoje existentes.

Satélites transmitem informações meteorológicas com alto grau de precisão e as redes de rádio e TV cobrem todo o território nacional.

Falta apenas articular esses dois serviços com planos nacionais e locais de prevenção à catástrofes naturais.

No caso das enchentes no sudeste e centro-oeste, trata-se de problema datado, de dezembro a março. Há todo o resto do ano para o trabalho de planejamento e articulação.

Quem toma a iniciativa?

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.



APOCALIPSE

Dilma abrindo as comportas dando início à tragédio final

Vai dar tudo errado ! É a nova palavra de ordem do PiG

Partilho irretocável texto do irreprensível site Conversa Afiada do afiadíssimo Paulo Henrique Amorim.
PHA entende que para o PIG a Presidenta Dilma dá início ao acabamento do final dos tempos no porque nada mais dará certo.
O fim do Brasil está próximo.
É o apocalípse.

 A fase I do PiG (*) foi “a culpa é do Lula”.
 (Em São Paulo é de Deus ou da chuva. A escolher.)
A fase II foi “a culpa é do Cabral”.
A fase III já se desenha, pelas manchetes dos portais piguentos – UOL, Estadão, Folha etc etc:
“Tudo o que a Dilma fizer vai dar errado.”

O supercomputador Tupã vai dar pau, ao ser atingido por um raio disparado pela urubóloga.
Os Governos estaduais não conseguirão montar esquemas de alerta com as prefeituras.
Os mapas das áreas de risco serão destruídos no computador por um vírus instalado por uma multinacional que produz padiolas e body-bags.

As prefeituras vão torrar o dinheiro em chafariz e estádio de futebol, especialmente as do PT, como o Satã que governa Teresópolis.
(Com exceção da de São Paulo, que, como se sabe, não alaga, especialmente na Zona Leste – leia aqui sobre a hipótese de um crime eleitoral. E onde a empresa de saneamento se especializa em inundar bairro de nordestino pobre.)

O Pão de Açúcar se transformará num vulcão e as lavas subirão o Cristo, que se lançará de cima do Corcovado.

O Minha Casa Minha Vida não vai construir mais um kitchnete/banheiro.
As turbinas de Itaipu racharam – como demonstrou a Eliane Catanhêde -, vão alagar e inundar Buenos Aires e o Rio de Janeiro.

A transposição vai afundar o rio São Francisco e inundará de Minas abaixo e devolverá o Norte Fluminense à Idade de Pedra.

Furnas entrará em colapso e vai faltar luz em todo o Sudeste – com exceção de São Paulo, onde não falta nada.

As operadoras de telefonia vão se concentrar em fazer a extra-mile da banda larga e se esquecerão de prover telefone celular para todo o estado Rio.

A Dilma nunca mais pisará no Rio.
E o Pezão vai abandonar a política para se transformar em passista da Mangueira.

O Rio acaba.
E São Paulo se separa do Brasil.
E instala a República da Daslu.


Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

REPRISE

Esse bis o carioca não pediu

Até as pedras que rolaram dos morros e as águas que se precipitaram além do leito dos rios sabiam que essa tragédia iria acontecer.

Porque se tratava apenas da repetição de cenas já tragicamente vistas antes.

Aliás, repetidas a cada ano.

E aconteceu.

De novo.

A reprise.

Sem que pouco tivesse sido feito para evitá-la.

Porque no Brasil a regra é deixar que o mal ocorra para só depois procurar pela cura.

E isso em todos os aspectos, níveis e áreas que ensejam uma ação de governo.

Da Saúde à Educação, passando pela Segurança até a preservação do Meio Ambiente.

É menos custoso prevenir a doença que curá-la.

A presidenta Dilma disse no Rio que moradia em área de risco é a regra e não a exceção.

É como afirmar que no Brasil a ocupação desordenada do solo que gera catástrofes como esta é algo normal e comum.

Agora, prevenir é que parece ser anormal.
A exceção.

Embora a prevenção e ordenamento de construções seja atribuição da Defesa Civil nos estados e municípios, Dilma preferiu, por solidariedade, repartir a responsabilidade com quem se furtou a fazê-la.

Entretanto, o Jornal Nacional não hesitou logo em apontar um culpado pelas centenas de mortes: o Governo Lula.

Lula não teria repassado os recursos necessários para prevenção de catástrofes e contenção das encostas nas cidades atingidas.

Esse Lula é um bárbaro!

Porém, chamou a atenção o que disse logo em seguida um “especialista” da Globo.

Segundo ele, medida alguma evitaria uma tragédia cujo início se deu há mais de quarenta anos.

Mesmo porque a chuva que desabou sobre os morros foi de uma intensidade desproporcional.

E sua força destruidora não fez distinção entre destruir casas humildes, barracos ou mansões.

É certo que as autoridades do Rio, mesmo avisadas, nada fizeram para evitar que a tragédia tomasse as proporções que tomou.

Mas tiveram mais de cinco décadas para fazê-lo.

Os 780 milhões disponibilizados pelo Governo Federal significa muito pouco, não para ajudar na reconstrução de pontes e estradas, e sim porque nada há que reconstrua uma vida.

A dignidade da pessoa e a vida humana não se reconstroi com doações ou fundos financeiros.

A dor e o desespero que dilacera a esperança de quem perdeu tudo em segundos não tem preço.

Muito embora de uma hora para outra se descubra que a vida vale muito pouco.

Mas também que vale sempre a pena lutar por ela.

Até a próxima reprise da próxima tragédia, em 2012.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A COISA JÁ ESTEVE MELHOR PARA A MÍDIA

A minguante lua-de-mel da mídia com Dilma


A lua-de-mel da mídia nacional com o governo Dilma Rousseff já nasceu, literalmente, na sua fase minguante.

(Era costume dos povos germânicos casar no período da Lua Nova. Eles preparavam uma mistura de água com mel - o hidromel - para ser tomada pelos recém-casados sob a luz da lua, daí, a lua-de-mel). 


E seu final pode ter começado hoje, em Brasília, com a posse da nova Ministra de Direitos Humanos, Maria do Carmo.
Quando a lua já se encaminha para a fase nova, a ministra surge como bela novidade.

É que em seu discurso a ministra pediu que o Congresso implemente a Comissão da Verdade.

Um terror da grande imprensa brasileira.

Projeto de Lei nesse sentido foi encaminhado em maio de 2010, pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Maria do Carmo promete - bem mais que avançar no processo de reconhecimento das violações contra os direitos humanos no período do regime militar - cumprir o temido, renegado e combatido Plano Nacional de Direitos Humanos ou, simplesmente, PNDH3.

A mídia, que maciçamente apoiou o regime militar de 64, desaprovou o discurso inaugural da Ministra.

A coisa já teve melhor para ela (a mídia).

Porque o PNDH não vislumbra dar seguimento ao processo de reconhecimento da responsabilidade do Estado por graves violações de Direitos Humanos, com vistas à sua não repetição, com ênfase no período 1964-1985, somente.
Ele vai mais além.
E nesse além é aonde se localiza o calo da mídia.

O plano visa a defesa da descriminalização do aborto, da união civil homossexual, da revisão da Lei da Anistia e da mudança de regras na reintegração de posse em invasões de terras.
E critérios de acompanhamento editorial" de meios de comunicação.

Que pavor dá isso!

Quando se fala em PNDH fica impossível não lembrar o Arnaldo Jabor.
O Instituto Milleniun.
A Globo e o Willian Wack.

Ao longo da campanha eleitoral a imprensa se travestiu de porta-voz do seu candidato, o Serra.
Serra se interpôs como o defensor das liberdades de expressão e paladino da moral e da ética.
Dilma foi chamada de guerrilheira e acusada de matar criancinhas.
Até que se tornou público o aborto da Mônica Serra praticado no Chile.

Aí, o feitiço virou-se contra o feiticeiro.
E a bolinha de papel se tornou não mais que um desnecessário detalhe.
Mas nada impediu que uma avalanche de denúncias fosse difundida em apaixonados e irresponsáveis editoriais ligando a então candidata Dilma Rousseff à aprovação do PNDH.
Tudo à serviço da candidatura Serra.

Em vão.

Agora aparece de uma tribuna uma petista dos pampas gaúchos, vira ministra dos Direitos Humanos pelas mãos de Dilma Rousseff.
A Globo procura azedar a empada da Ministra.
E torce para que o Supremo – ao menos no que se refere à ação proposta em abril de 2010 pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na qual questionava a concessão de anistia a agentes de Estado envolvidos em crimes como tortura, assassinatos e desaparecimentos durante o regime militar – ratifique sua rejeição a grande parte do Projeto.

Que ninguém possa duvidar de tal possibilidade.
Afinal, não estamos falando nem tampouco vivendo na Argentina.
O discurso de posse da ministra Maria do Carmo já foi prova suficiente de que a mídia com seu leque de interesses terá do governo Dilma tratamento diferente.

A lua de mel parece que foi pro espaço.
Eu acho.













LULA, O MENOS IGUAL DOS POLÍTICOS

Isso depois de apenas 8 anos de governo


Dou uma passada no melhor site da esquerda brasileira - o Vermelho - e me deparo com uma das melhores, mais brilhante e irretocável postagens publicadas do dia 1º do ano até aqui.
É a descrição fiel e comovente de um emocionado agradecimento da população ao seu Presidente - o retirante de Caités.
Um texto lapidar e histórico.
Como o mandato de Lula.
Lula, o cara, o que fez a diferença.
O menos igual entre os milhares de políticos iguais.
Vá logo ao antológico texto do João Peres.

"Valeu, Lula"

Poucas dores são tão dilacerantes quanto a da despedida. Poucos arrepios são tão imediatos e intensos quanto o do contato com o ídolo. O segundo sistema nervoso, aquele que a rua cria em alguns dos humanos, dá vazão rápida às emoções.

por João Peres, para a Rede Brasil Atual

A mão de Lula parece ter ligação direta com o cérebro alheio e, uma a uma, abrem-se as bocas, inundam-se de lágrimas os rostos apoiados na grade em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para a despedida do presidente. São roubados quatro ou cinco minutos da posse de Dilma Rousseff, tão históricos quanto todas as horas que as antecederam e as que vão suceder este momento.

Lula, mais uma vez, rompe protocolos e coloca em xeque o lugar comum de que não há espaço para ídolos na política brasileira. Se todos os políticos são iguais, Lula é menos igual que os outros. Faz menos de uma hora que deixou a Presidência da República e já é o ex-presidente mais querido do Brasil dos últimos 50 anos – colocá-lo acima ou abaixo de Getúlio Vargas seria temerário e o melhor é deixar que a história faça esse ranking, se é que se faz necessário.

Sua última cena no Planalto é, também, uma das grandes cenas de sua vida. Não há notícia de um presidente que tenha chegado e saído do poder nos braços do povo. Quando Lula desceu a rampa do Palácio, deveria ter entrado no carro e ido direto ao aeroporto, de onde embarcaria para o patinoso terreno da vida de ex-chefe de Estado. Mas o chamado do povo, o mesmo feito há pouco mais de três décadas, foi mais forte e seria impossível ignorar a existência de uma massa clamorosa por seu líder.

As estatísticas mostram que Lula foi o presidente mais popular, tendo deixado o poder com apenas 3% de rejeição. O que estatística alguma será capaz de dimensionar é a adoração a este homem. A cena da capital federal deste 1º de ano será mais fiel aos fatos que qualquer medição.

O leitor que não teve como visualizar poderia imaginar o seguinte: Roberto Carlos colado na grade do Maracanã abraçando os fãs na antiga Geral. Troque-se o cantor por Lula e o mítico estádio por Brasília e se terá uma visão daquilo a que parte do país assistiu nesse sábado. Não se pode saber se o rosto de Lula está molhado por suor, lágrimas ou a chuva desta tarde quente. Nos olhos, guarda mistério, entre a tristeza, a ternura e o agradecimento.

O povo

Quiseram as regras que o dia consagrado mundialmente à ressaca fosse também a celebração da vontade de um povo – o congraçamento, usando as palavras da nova presidente. Não se pode dizer que essas milhares de pessoas vieram a Brasília simplesmente pela posse: quem apoia Dilma é, via de regra, um apoiador de Lula. Tampouco seria justo afirmar que tenham vindo apenas por Lula: quem o admirou ao longo de oito anos assumiu o pacto de transferir a admiração a Dilma.

Quis a política que essa data fosse, ao mesmo tempo, a assunção da primeira mulher a comandar o país e a saída do presidente mais popular de sua história. Brasília, oito anos depois, é tomada pelo povo, repleta de bandeiras vermelhas e verde-amarelas.

Diz a regra jornalística que os personagens apresentados em uma reportagem devem ser identificados pelo nome e, se necessário, por idade e profissão. Mas, na grade do Planalto, cada pergunta era respondida coletivamente, a fala de um era a fala dos outros, todas dadas ao mesmo tempo, neste mosaico de cabeças e neste jogral de vozes ansiosas por demonstrar fraternidade. Aqueles que têm voz nesta matéria, portanto, serão apresentados sob uma denominação genérica, escolhida ao acaso, como, por exemplo, o povo.

– De onde você veio?

– Macapá. Amazonas. Mato Grosso. Viajei quarenta e duas horas de ônibus. Paraná. Bahia. São Paulo. Foram dois dias na estrada. Sou daqui de Brasília. Fortaleza. Maranhão.

– E o que Lula representa para você?

– Lula, a gente não vai esquecer nunca. É o cara. É o guerreiro. É saúde, é comida, é Bolsa Família. É o símbolo da nossa democracia. Diziam que ele não sabia ler, que não ia conseguir governar, e agora fez até a sucessora.

– E do governo Dilma, o que você espera?

– Vai ser melhor porque ela já sabe tudo o que fizeram de errado com ele. Agora é pensar em segurança e educação. A Dilma já pegou a cama arrumada, é mais fácil. Complicado foi o Lula que pegou a cama toda quebrada.

O ex-presidente, conhecido pelo calor dos discursos, desta vez prefere falar pela boca do povo. Quando abre a sua, acompanhada pelos olhos marejados, fita pela última vez para a equipe que o acompanhou ao longo de oito anos e consegue emitir apenas uma palavra: “obrigado.”

Que nada. O povo é que diz: "Valeu, Lula."

domingo, 2 de janeiro de 2011

NÃO HÁ LIMITES NEM O IMPOSSÍVEL PARA QUEM SONHA

Sonhos não são impossíveis



Nem ao menos haveria vestígio da passagem da humanidade pela terra não fosse a sua indeclinável capacidade de sonhar e de acreditar nos seus limites.
De superar desafios e vencer obstáculos.
De acreditar nos seus sonhos.
E crer que eles podem ser realizados.
Nada é impossível para quem sabe sonhar.
No mundo nada haveria e nada existiria se nós não acreditássemos que o impossível é possível.

A posse de Dilma Rousseff na Presidência da República nos dá a inequívoca certeza disso.
Sua vitória configura a materialização do sonho de seu antecessor.
Aquele que lhe precedeu e que, exitosamente, alicerçou as bases para que o Brasil se tornasse, de modo tão palpável, no País justo e inclusivo no qual se transformou.
O Governo Dilma pode ser considerado uma extensão ou continuidade do de Lula da Silva.
Daí que se compreende o ódio e o preconceito que ultrapassam os limites da arrogância e da mesquinhez de uma gente que se diz aliviada até da voz do maior responsável pela festa ocorrida no Planalto neste primeiro dia de 2011.

Refiro-me àqueles que se incluem nos 4% da população que consideravam o Governo Lula ruim ou péssimo.
Os leitores da Folha, de O Globo e Estadão.
Para eles, o sonho não passa de um interminável pesadelo que apavora.
Para os leitores da grande e preconceituosa mídia nacional que sempre se entrincheirou na tribuna da oposição e que, sem disfarces, se fantasia com as cores tucanas até o possível se transforma em improvável.

Enquanto isso, Dilma entra para os anais da história como a primeira mulher a ter os ombros cingidos pela faixa presidencial.

Sensacional!

Isso graças ao sonho de Luís Inácio Lula da Silva.
Lula não acreditou que houvesse o impossível, disse Dilma em seu discurso de posse.
Entretanto, tão importante quanto a persistência de Lula em acreditar nos seus sonhos foi a esperança do povo brasileiro que por seis eleições o apoio.
E que nas três últimas vezes chegaram, com ele, ao poder.

Em 2002, quando venceu o Serra, a Globo e o medo.
Em 2006, quando mandou de volta ao seu ninho outro tucano – Geraldo Alckmin.
E em 2010, quando, através de Dilma Rousseff, ganhou – de novo – do Serra, que teve como não poderia deixar de ser, a parceria corporativa da Mídia conservadora, fascista e injuriosa e contou com uma forcinha desprezível, vergonhosa e inútil até do Vaticano.

Sem a força de um povo que sonhou e acreditou ser possível um trabalhador na Presidência teria sido impossível Lula ter chegado aonde chegou.
E sem sua precedência a história poderia ter outros contornos.
E seu enredo seria a retomada de um drama.
Um pesadelo do qual o Brasil pode se sentir livre.

A Presidenta Dilma é o resultado dos sonhos de um País que se acostumou a trilhar a estrada segura do crescimento com justiça social.
Um país cujo povo vive mais e melhor.
Que continua sonhando porque sabe que os sonhos podem se transformar em realidade.
Um povo bom e generoso para o qual o impossível é um lugar que não existe.

Que maravilha!

Viva Dilma Rousseff!
Viva o Brasil!

Obrigado, Lula!